ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

Tempos difíceis para a AMD

Gosto de analisar tendências. É meio que um exercício de futurologia mas quando bem embasada costuma dar uma visão bem factível do que está pela frente, e com isso nos ajudar a tomar as decisões mais corretas em tecnologia. Gosto de citar as colunas Intel: Não compre nossos processadores agora! de março deste ano, e […]

Publicado: 14/05/2026 às 08:29
Leitura
9 minutos
Tempos difíceis para a AMD
Construção civil — Foto: Reprodução

Gosto de analisar tendências. É meio que um exercício de futurologia mas quando bem embasada costuma dar uma visão bem factível do que está pela frente, e com isso nos ajudar a tomar as decisões mais corretas em tecnologia. Gosto de citar as colunas Intel: Não compre nossos processadores agora! de março deste ano, e Os preços vão cair muito! de abril. Quem acreditou, economizou um bom dinheiro.

Em 27 de Outubro de 2005 publiquei a coluna Uma oportunidade de ouro para a AMD sobre o grande avanço da empresa no mercado mundial, falei da importância da adoção dos VAR (Value Added Reseller ou revendedor de valor agregado) e dos problemas que a Intel vinha apresentando com seus produtos, e por isso mesmo considerei esse cenário como uma grande oportunidade para a AMD.

E não deu outra, a AMD avançou largamente sobre a Intel, e o preço das ações saiu dos 25 dólares naquele período para mais de 40 dólares em poucos meses. A DELL, um dos mais importantes VAR do mundo, foi definitivamente conquistada e tudo indicava que o céu era de brigadeiro para a AMD. Ledo engano… em tecnologia nada fica parado por muito tempo.

Em primeiro lugar, o mundo entrou em um processo de desaquecimento que pode levar a uma recessão mundial, e com isso os volumes de vendas de todas as empresas de tecnologia sofreram grandes perdas, AMD inclusive. Depois a Intel finalmente reagiu, e reagiu de forma consistente e com muita força, em um primeiro momento sacrificando os preços dos seus produtos menos nobres, e agora com uma linha de processadores e plataformas de primeira qualidade e preços competitivos. A virada era esperada, mas ao que parece ela será bem mais dura para a AMD do que se pensou inicialmente, talvez por isso suas ações na bolsa americana estejam hoje valendo menos do que quando escrevi tal coluna.

Em tecnologia vivemos sob ciclos, e no caso da AMD vs Intel os ciclos se repetem com alguma periodicidade, a Intel planejando a longo prazo, com vultosos investimentos e muita pesquisa, mas sendo lenta das ações de curto prazo, enquanto a AMD aproveita alguns produtos correntes para fazer algo imbatível no curto prazo capturando as oportunidades. O problema é que as oportunidades de curto prazo não se sustentam, e para viver o “business” da alta tecnologia no longo prazo é preciso investir muito e sempre, coisa que os ganhos de “oportunidades” não vão permitir.

É uma questão de fazer contas, até relativamente simples, mas sem elas não se tem uma visão do quadro todo:

Um chip A64 single core feito em 90 nanômetros ocupa uma área de 90mm². Isso é uma média, já que existem chips de 512KB e 1MB de memória cache. Em um wafer de 300mm você obtém cerca de 100 processadores (de modo muito simplificado, sem considerar perdas e rendimento por wafer). O preço médio desses processadores é da ordem de 140 dólares, portanto consegue-se 14 mil dólares de renda por wafer de Single Cores.

Mas o mercado quer dual cores, e na AMD eles ocupam o dobro da área, ou seja, 180mm², portanto também de forma simplificada um wafer só produz 50 chips dual cores, que considerando um preço médio mais alto, em torno de 200 dólares, temos uma renda de 10 mil dólares por wafer. Estamos sempre supondo que o custo de produção e de marketing desses dois produtos são os mesmos.

Então, vender Dual Cores não é bom negócio, pois gera menos renda e reduz a participação do mercado pela metade (em unidade vendidas) mas é nessa direção que o mercado vai. Investir em novas fábricas para aumentar a produção em 40%, é a saída para compensar a perda de renda, mas além de não resolver a questão do market share (seria necessário dobrar a produção) isso é caro e o retorno vem a longo prazo.

Reduzir o die utilizando a tecnologia de 65 nanômetros é uma boa opção, pois o processador dual core ficaria aproximadamente com os mesmos 90mm² da versão Single Core atual, mas nesse caso as notícias não são boas: pelo roadmap da AMD os primeiros processadores de 65nm serão todos de baixa freqüência, só se esperam modelos “rápidos” daqui a um ano aproximadamente, mais ou menos o mesmo que aconteceu quando a AMD inaugurou a linha de 90nm, lembram-se? Os primeiros modelos Winchester eram limitados a 3500+, um processador médio na época, e só quando o novo núcleo Venice chegou é que os modelos de 130nm de alta performance, acima de 3800+, foram descontinuados. O mesmo vai se repetir com a nova geração de 65nm, pois parte do problema está no processo SOI desenvolvido pela IBM, que hoje atinge um rendimento muito baixo na produção (no chip CELL, utilizado no Playstation 3, a IBM só consegue de 10% a 20% de chips bons por wafer, e a maioria de freqüência baixa).

As más noticias ainda não acabaram. Para começar a produzir em massa nos 65 nanômetros é preciso parar uma fabrica por quase um ano, e “pagar” esse custo com a produção das outras fábricas, só que com a guerra de preços recente, não há margem para isso. Não custa lembrar, a AMD declara que suas margens estão hoje na ordem de 6% contra 28% da Intel, e só tem uma fábrica operando com wafers de 300mm, as outras duas operam com wafer de 200mm(*), com rendimento muito pior.

(*) uma correção enviada pelo nosso colega FBW: a AMD tem duas fabricas com 300mm e só uma com 200mm, e não ao contrário como eu afirmei acima…

A Intel por sua vez fez seu dever de casa e embora tenha perdido mercado nos últimos 2 anos, hoje tem um produto vencedor, uma tremenda escala de produção e tem sua lucratividade assegurada até pelo seu próprio tamanho. Além disso está se desfazendo de negócios não mais interessantes, demitindo mais de 1000 gerentes e quase 15 mil funcionários até o final do ano, além de vender parte das ações que possui em carteira para fazer caixa suficiente para os investimentos necessários. Hoje a Intel tem dezenas de fábricas, mas apenas 2 participam nesse momento da produção de processadores de 65 nanômetros e outras 2 com 90 nanômetros, porém as 4 operam com wafers de 300mm, o curioso é que até o final de 2006 serão 5 fábricas fazendo processadores em 65 nanômetros, mais 2 em 45 nanômetros em 2007, e mais uma de 45 nanômetros em 2008. A Intel vai fornecer processadores de 45 nanômetros antes mesmo da AMD normalizar o processo de 65 nanômetros já em andamento. Mais detalhes podem ser vistos no mapa de produção da Intel

Atualmente os núcleos utilizados no Pentium D (165mm²) e Conroe (155mm²) ocupam uma área menor do que os Dual Cores da AMD, e são produzidos em escalas maiores, com mais lucro mesmo considerando a queda nos preços planejada até o final do ano. Some a isso o planejamento da Intel em estar produzindo até o final de 2006 mais Conroe do que toda a produção da AMD prevista para esse ano, e estar vendendo a plataforma velha (Pentium D) a preços incrivelmente baixos, comendo o mercado de baixo custo da AMD, dá pra ter uma idéia de quão grave a coisa pode ficar.

O novo AM2 da AMD não empolgou, e não há onde mais cortar preços sem sacrificar os parcos lucros. Em um momento de expansão, com boatos de compra da ATI e de nova fábrica em NY, a AMD pode ver seu tapete ser puxado em uma hora muito imprópria e comer o pão que o diabo amassou nos próximos 18 meses antes de apresentar algo de concreto com grande volume para fazer frente à Intel.

Aliás, algumas declarações são no mínimo surpreendentes, se somarmos o que a AMD pretende estar produzindo até 2010 (conforme seu planejamento divulgado a imprensa) com o que a Intel pretende atingir com suas fábricas, o mercado terá que ser 5 vezes maior para absorver tanta produção. Só que as previsões mais otimistas apontam para um crescimento total de apenas 45% nesse período, ou menos se o desaquecimento mundial se acelerar. É só fazer as contas, ou a AMD será dona de 75% do mercado em 2010 ou seu planejamento estratégico está errado. E se está errado, o problema é ainda mais grave.

Alguns pessimistas já alertam que a retomada do mercado pela Intel pode ser maior do que a fatia que perdeu nos últimos anos, e no final das contas a competitividade do setor pode ficar comprometida novamente por causa do virtual monopólio, até mais do que antes.

Sobre a fusão AMD-ATI, recomendo a leitura do artigo publicado pela XBit Labs , além de muito completo ele aponta os riscos do negócio para ambos os lados e deixa bem evidente que a estratégia da AMD está agressiva demais para um mercado em desaquecimento junto com um concorrente de peso que ataca ferozmente com novo produto e novos preços. Eu torço para que aconteça tal fusão, acho que o mercado todo vai se beneficiar dessa nova onda, mas temo que a soma das duas empresas resulte em algo menor do que cada uma isolada por causa do mau momento mundial. Vale a leitura.

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas