Introdução Na primeira semana de março estivemos no IDF Spring 2005, em San Francisco, e vivenciamos um verdadeiro show de tecnologia. Era difícil escolher quais as melhores sessões e quais as melhores palestras entre as dezenas que estavam a nossa disposição nos três dias do evento, isso sem contar com as inevitáveis visitas ao showcase. […]
Na primeira semana de março estivemos no IDF Spring 2005, em San Francisco, e vivenciamos um verdadeiro show de tecnologia. Era difícil escolher quais as melhores sessões e quais as melhores palestras entre as dezenas que estavam a nossa disposição nos três dias do evento, isso sem contar com as inevitáveis visitas ao showcase. Tenho certeza de que nossos colunistas abordarão com mais profundidade aqui no Fórum PCs ao longo das próximas semanas diversos assuntos que vimos e ouvimos no IDF, mas eu não poderia deixar de apresentar uma visão geral pra vocês, leitores, daquela que foi na minha opinião a mensagem mais forte do evento: “O Futuro da Tecnologia”.

Há tempos que acompanho as tecnologias que fazem parte do universo dos PCs e tenho notado pelos sites brasileiros, especialmente nos fóruns de discussões, uma certa desinformação quanto a tecnologia em si e que caracterizaria um bom produto ou um mal produto. Muito do que tenho lido é baseado em informações mal fundamentadas ou em “torcidas” pela marca A ou B, ou pelo produto C ou D, e em muitos casos-é até curioso isso-noto o fenômeno de “personificação” de certas empresas e/ou marcas que passam a se comportar como personagens de um seriado de TV. Há usuários que estão tomando decisões de compra baseadas nessas “torcidas” e isso pode vir a causar, se já não causou, alguma insatisfação quanto ao produto adquirido, especialmente no longo prazo.
Um bom produto se caracteriza pela sua boa funcionalidade, mais precisamente pelo seu custo/benefício. Entende-se como beneficio a satisfação das suas necessidades, sejam elas racionais, ligadas a produtividade em seu ambiente de trabalho, ou até mesmo emocionais, ligadas simplesmente ao prazer pessoal. Como a tecnologia nesse mercado evolui com muita rapidez, é importante, e creio que isso faça parte da decisão de compra de um produto, conhecer a longevidade daquele item ou da tecnologia empregada naquele dispositivo. Muitas vezes uma boa tecnologia não “pega” entre os consumidores, como o histórico caso do padrão de vídeo Betamax, lançado pela Sony no início da era do vídeo doméstico.
Há outras implicações mais recentes e muito curiosas, como a absurda queda de preços entre os dispositivos gravadores de DVD para PC nos últimos meses. A adoção de diversos padrões diferentes só dificultou a introdução da tecnologia e os estoques altos tornaram um gravador de DVD hoje praticamente tão barato quanto um gravador de CDs. Não é difícil encontrar modelos excelentes, como o novíssimo NEC ND-3520 a menos de 60 dólares no mercado americano, um pouco mais do que o custo de um bom mouse.
Mídias para DVD de duas camadas (DVD9) são raras e difíceis de encontrar, e provavelmente não se tornarão comuns no curto prazo já que a tecnologia aponta para um novo padrão de DVD (Blue Ray, HD-DVD…). Leia mais sobre isso no excelente artigo de nosso colunista B.Piropo-A Guerra do DVD
.
Mudando de um tipo de armazenamento para outro, lembro-me bem dos primeiros comentários sobre a adoção das memórias DDR2, e seus altos custos, ao mesmo tempo em que era informado que a grande vantagem da sua adoção estava no menor custo de produção e na sua escalabilidade – possibilidade de atingir freqüências de operação maiores sem alterar a tecnologia. Como algo mais barato de ser produzido pode custar mais ao consumidor?
Parece um contra senso, é verdade, mas de fato as projeções atuais apontam que ainda nesse primeiro semestre o preço de venda das memórias DDR2 será menor do que o DDR1 tradicional de mesma capacidade, promovendo uma aceleração nas vendas das plataformas que usam essa tecnologia. Isso não necessariamente significa que as plataformas que utilizam DDR2 serão necessariamente melhores do que as demais, já que o outro padrão também é funcional e atende a necessidade da maioria dos usuários, mas de fato temos que reconhecer que não faz muito sentido pagar mais por uma tecnologia já ultrapassada. Já temos uma situação similar com o padrão AGP, mais caro do que o novo PCI-Express para placas de vídeo similares, como no caso de uma Geforce 6600GT que é em média 20 dólares mais cara na versão AGP.

Para entender e compreender o futuro de uma tecnologia é preciso analisar alguns fatos e projeções que formam o contexto onde essa tecnologia está inserida, e é isso que pretendo fazer aqui ao mostrar pra vocês o que vamos vivenciar nos próximos anos.