Eu considero o Windows XP um belíssimo sistema operacional comparado com os antigos 95/98/Me, mas mesmo o XP de vez em quando dá uns paus… É difícil determinar se a razão do problema é puramente do “software” ou se há um componente de “hardware” envolvido. Vou trazer pra vocês um problema recente que eu tive, […]
Eu considero o Windows XP um belíssimo sistema operacional comparado com os antigos 95/98/Me, mas mesmo o XP de vez em quando dá uns paus…
É difícil determinar se a razão do problema é puramente do “software” ou se há um componente de “hardware” envolvido. Vou trazer pra vocês um problema recente que eu tive, e durante o processo de resolução acabei encontrando uma ferramenta interessante, o Recovery Console do próprio Windows. Não que ele seja uma novidade, mas a forma de tê-lo a disposição dentro da sua instalação original é que foi nova pra mim.
Uma das máquinas do meu escritório, justamente a que fica ligada 24 horas por dia e tem os backups de todas as máquinas, além de alguns diretórios que só existem nela, amanheceu com uma tela azul. O sistema ora abria, ora não abria, e quando chegava ao desktop do Windows permanecia extremamente lento especialmente quando acessava algumas unidades de disco. Essa máquina, por ser um “backup” tem 3 unidades de disco e em breve vai receber mais duas. Todos os discos que vão saindo das máquinas principais vão se acumulando nessa. Ela já chegou a ter 5 discos pequenos (o maior era de 80GB) mas eu tomei vergonha na cara e atualmente ela tem um disco de 200GB SATA, um de 160GB e um de 120GB ambos IDE. Dentro de algumas semanas ela vai receber mais dois 160GB SATA e vai ceder um dos IDEs para outra aplicação.
Por usar vários discos “velhos”, eu sempre desconfiei que ela um dia apresentaria um problema de HD e foi exatamente isso que aconteceu dessa vez só que com o único disco “novo” dela, o Seagate de 200GB SATA. Para complicar um pouco mais, esse “mini-servidor” não tem unidade de disquete (aliás, quase nenhuma máquina minha tem unidade de disquete mais…) e não tem unidade de CD porque eu preciso de todo o espaço físico do seu diminuto gabinete, bem como todas as portas SATA/IDE, para acomodar os HDs. Então, sem disquete ou unidade de CD, a única solução foi desmontar o gabinete inteiro e testar os HDs em outro equipamento até encontrar o culpado.
Foi nesse processo que descobri uma dica envolvendo o Recovery Console. Certamente vocês sabem que não é possível acessar discos formatados em NTFS usando um disquete de DOS, portanto a solução é criar cinco disquetes para gerar o ambiente de console, ou então usar no CD original do Windows XP a opção Recovery Console, antes do processo de instalação. Os disquetes eu nunca gerei, e se os tivesse certamente não estariam funcionando porque aqui em casa nenhum disquete funciona mais (eles têm centenas de anos…). O CD é prático, mas lento, e no meu caso o CD que tenho a mão na minha bancada é um que eu mesmo gerei utilizando algumas opções “unattended” partindo do CD original (que fica na caixa, guardado no arquivo), e por causa disso esse CD não tem a tela de seleção para acessar o Recovery Console.
Mas é possível criar um “dual boot” com o console desde que seu sistema operacional esteja acessível. No meu caso não estava, mas depois de trocar o HD e reinstalar o sistema com meu rapidíssimo CD unattended (que não requer intervenção humana, e ainda instala todos os patches do SP2) resolvi criar o tal “dual boot”. O processo é simples e requer apenas uns 7MB no seu disco C, as instruções a seguir estão em inglês porque meu Windows é nesse idioma:
Insira o CD original do Windows e tecle na linha de comando (“Executar”, no menu Iniciar) o seguinte:

“G:i386winnt32.exe /cmdcons” supondo que a letra “G” é a unidade do seu CD, aparecerá uma tela de SETUP como a abaixo.


Concorde com a instalação e a seguir o setup irá se comunicar com a Microsoft para baixar eventuais atualizações do Recovery Console para em seguida concluir a instalação. No disco C: serão criadas algumas pastas invisíveis para o boot do Recovery Console, e o menu de seleção durante o boot ficará ativo por 30 segundos até que seja confirmada uma seleção. Eu preferi alterar o prazo para apenas 10 segundos, editando as configurações do BOOT.INI pelo próprio Windows (propriedades avançadas do “Meu Computador”), e convém desativar a proteção por senha do console para evitar algum erro de reconhecimento caso a unidade C esteja corrompida (remover a senha abre uma brecha de segurança, mas se a máquina é sua “pessoal” e tem senha de boot na bios, o problema é minimizado). Para remover a senha use o REGEDIT e navegue até a chave HKEY_LOCAL_MACHINESOFTWAREMicrosoftWindowsNTCurrentVersionSetupRecoveryConsole trocando a variável DWORD SecurityLevel para 1.


O Recovery Console permite o uso de uma série de comandos, um deles é o chkdsk (analisador de disco) que permite identificar falhas lógicas e físicas nas unidades de disco e até corrigi-las usando o parâmetro /f (de “fix”), algo que é impossível de ser feito dentro do Windows pois a unidade precisa ser “desmontada” antes. A lista de comandos disponíveis é a seguinte:
= Change file and directory attributes.
= Execute specified text file (batch) commands.
=Configure boot file (boot.ini) settings.
=Change/display the current directory.
=Check a disk for errors. Report capability.
Cls =Clear the screen.
Copy =Copy a file. Change file location or name.
Delete (Del) =Delete files.
Dir =Display a list of subdirectories and files.
Disable =Disable a device driver or system service.
Diskpart =Manage disk partitions.
Enable =Enable device driver or system service.
Exit =Exit Recovery Console and reboot.
Expand =Extract files from a compressed file format.
Fixboot =Write a new boot sector to a selected partition.
Fixmbr =Repair the Master Boot Record (MBR).
Format =Format a disk partition.
Help =Display a list of Recovery Console commands.
Listsvc =Display available drivers and system services.
Logon =Log off and on to another Windows installation.
Map =Display drive letter mapping.
Mkdir (Md) =Create a directory.
More =Display (scroll) a text file.
Net Use =Connect drive letter to a network share.
Rename (Ren) =Rename files.
Rmdir (Rd) =Delete directory.
Set =Display/set environment variables.
Systemroot =Switch from current directory to system root directory.
Type =Display a text file.
Fica então a dica para quem é avançado no uso do Windows e precisa de velocidade e praticidade na hora de resolver um problema físico ou de instalação. Sem o Recovery Console é virtualmente impossível resolver uma pane ou corrigir um erro de MBR (Máster Boot Record) rapidamente.
Quanto ao disco da Seagate, estava mesmo com defeito e foi enviado para RMA aqui no Brasil. Será objeto de uma coluna em breve relatando todos os detalhes desse processo nacional de RMA.