ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

IT ForOn Series discute como – e quando – será o futuro pós-coronavírus

No segundo episódio do especial IT ForOn Series, o bate-papo foi com Paulo Vicente, mestre em Administração Pública pela FGV e professor da fundação Dom Cabral, e Rene Almeida, co-CEO da Agasus. Com o tema “Uma crise anunciada. Estamos preparados para o pós?”, os participantes falaram sobre grandes ciclos enfrentados pelo mundo ao longo da […]

Publicado: 07/05/2026 às 21:28
Leitura
6 minutos
it foron series
Construção civil — Foto: Reprodução

No segundo episódio do especial IT ForOn Series, o bate-papo foi com Paulo Vicente, mestre em Administração Pública pela FGV e professor da fundação Dom Cabral, e Rene Almeida, co-CEO da Agasus. Com o tema “Uma crise anunciada. Estamos preparados para o pós?”, os participantes falaram sobre grandes ciclos enfrentados pelo mundo ao longo da história e como nos preparar para o início desta sociedade pós-coronavírus.

No início do bate-papo, o professor destacou diversas tecnologias que marcaram inícios de ciclos pelo mundo, como mecanização inicial, vapor e ferrovias e – mais recentemente – a telemática.”Cada final de ciclo tem uma grande crise. Matematicamente, poderíamos prever que uma crise chegaria a partir de 2018. E começou, de fato. Não sabíamos que seria a COVID-19 que atingiria esse novo patamar, mas é claro que a fase que estamos vivendo é de crise. Uma epidemia, em si, é impossível de ser prevista, mas uma crise era possível”, explica Paulo Vicente.

Crise anunciada

Desde o início da década passada, Paulo já previa a chegada de uma nova grande crise mundial em seus estudos. Neles, o professor havia elencado uma série de possíveis causadores do problema, e uma pandemia estava entre elas. Ele acredita que, a partir de agora, centenas de bilhões de dólares serão investidos em Pesquisa e Desenvolvimento, uma vez que as indústrias se viram frente a frente com esta pandemia e dá ainda uma data de referência de quando a crise atual pode ter seu fim: provavelmente, em 2024.

O coronavírus começou a infectar rapidamente pessoas na China no final de 2019 e hoje, quase cinco meses depois, o problema não parece estar perto do fim. Por isso, a sociedade deve se preparar para os impactos políticos e econômicos que virão a partir desta pandemia. “Tempos desesperados pedem medidas desesperadas, e o que era inaceitável vira obrigatório. A transformação digital vai ser impactada positivamente a partir de agora, no sentido de ser mais rápida e mais intensa. O que era resistência de alguns, agora vira obrigação.”

Ao ser perguntado por Rene Almeida sobre as mudanças sociais pós-coronavírus, especialmente no que diz respeito ao futuro do trabalho, Paulo acredita que muitos setores adotarão o trabalho remoto como realidade, mesmo após o fim da quarentena. “Muita gente vai descobrir que teletrabalho tem vantagens e reduz muitos custos. Eu acho que o impulso é inevitável. Quem não gostava tanto assim de home office vai perceber que funciona. As pessoas vão perceber que trabalhar de casa é mais fácil do que imaginavam que fosse e, em algumas vezes, mais produtivo”, comenta.

O Brasil está pronto?

Sobre o preparo do Brasil para enfrentar os novos desafios que uma pandemia trazem, Paulo destaca que, embora haja mais investimento em alguns setores da economia, há cortes em áreas como ciência e pesquisa e, para ele, isso demonstra fragilidade e necessidade de redefinir estratégias econômicas. Nas últimas décadas, o Brasil avançou nos setores aeroespacial, agronegócio e de energia. A partir de agora, no entanto, o cenário será outro.

“Nestes setores, precisamos repensar estrategicamente. O agronegócio terá que virar agroindústria, agregando valor com tecnologia e marca. A França, por exemplo, não vende uva: vende vinhos e champanhe. Para energia, precisamos focar em fontes renováveis e limpas em vez do petróleo; e para o mercado aeroespacial, ter mais foco no ‘espaço’, não no ‘aéreo’. Isso é uma discussão que vale para os próximos 50 anos”, avalia.

Questionado sobre ter uma visão pessimista ou otimista do futuro do Brasil, a partir do panorama que se tem hoje, o professor garante estar otimista. “A história mostra que o Brasil muda de fora para dentro, não gostamos de sair da zona de conforto. A guerra napoleônica fez o Brasil entrar em um ciclo que nos levou à independência. O ciclo pós-guerra do Paraguai levou à liberação dos escravos e à república. A Grande Depressão fez o Brasil avançar à uma maior industrialização. Entre 1973 e 1974, o Brasil quebrou um modelo e saiu da ditadura para uma democracia, mesmo que aos trancos e barrancos. No quinto ciclo, que estamos passando agora, seremos impactados de forma política e econômica. Não será um processo simples nem indolor, mas vamos sair melhores lá na frente.”

Futuro

Discutindo um futuro próximo, o professor Paulo acredita que a Rent Economy – que é o acesso a bens e serviços através do aluguel ou assinatura – deve voltar a se fortalecer pós-coronavírus. Já a Gig Economy – economia girada por trabalhadores independentes – sofrerá com a alta do teletrabalho. “Quando acabar a crise, a gente vai voltar a crescer [essa economia]. Mas as pessoas estão entendendo que tem um risco aí, e isso provavelmente vai aumentar os preços dos produtos e serviços. Isso porque a pessoa passará a cobrar pelo serviço que ela está oferecendo hoje e pelo risco que ela tem em ‘viver de bico'”, explica.

Para falar sobre um futuro um pouco mais distante, Rene, co-CEO da Agasus, perguntou a Paulo Vicente sobre um tema que poderia definir o próximo ciclo de 40 anos que viveremos e como nos prepararmos. “Melhoria humana” foi a resposta do professor da fundação Dom Cabral. “A Inteligência artificial vai se fundir com inteligência humana”, explica. “A tecnologia vai bater na ética humana em vários momentos no futuro, e isso vai trazer uma nova ética humana, lá na frente, diferente da ética atual.”


O próximo episódio do IT ForOn Series acontece amanhã, às 14h. O tema será “Um pacto sociedade, governo e iniciativa privada resolve nossa situação?”, e terá entrevista com Guilherme Lichand, professor da Universidade Zurich.

O conteúdo pode ser assistido ao vivo por este link e também YouTube do IT Forum 365.

O primeiro episódio contou com a participação de Mário Sérgio Cortella. Clique aqui e assista na íntegra.

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas