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Por que demoramos tanto para aderir ao trabalho remoto?

Domenico De Masi aponta vantagens do home office contra “manicômio” das grandes cidades

Publicado: 07/05/2026 às 04:30
Leitura
4 minutos
trabalho remoto
Construção civil — Foto: Reprodução

Não há como voltar. Esta é uma das frases que você ainda vai ler uma porção de vezes nos próximos meses, nos mais diversos sentidos. Quando falamos sobre trabalho remoto, a máxima deve se provar verdadeira depois de boa parte das companhias manterem e até melhorarem seus resultados com funcionários trabalhando de forma distribuída. Sim, a cena que ilustra essa nota deve ser cada vez menos comum.

 

Curiosamente, esse tipo de organização vem sendo discutida há tempos, com avanço lento. Isso vai mudar, comenta o sociólogo italiano Domenico De Masi em entrevista ao jornalista Vitor Cavalcanti, como parte de um episódio especial do IT ForOn Series.  O pensador relembra que escreveu um livro sobre o teletrabalho ainda em 1993, coletando os resultados de pesquisas feitas com essa modalidade de ocupação nos cinco anos anteriores.

 

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“Naquela época não existia internet, só havia o telefone, mas quando chegou a internet pareceu-me que em pouco tempo o mundo teria aderido ao teletrabalho, pois há tantas vantagens no trabalho remoto que seria difícil recusá-las”, explica De Masi, que também elenca algumas das vantagens desse tipo de produção:

 

  • Economia de tempo e dinheiro;
  • Menos estresse aos trabalhadores;
  • Mais tempo para amigos e família;
  • Autonomia na organização do trabalho.

 

O sociólogo compara cidades que ainda usam jornadas de “horário comercial” a grandes manicômios, com pessoas correndo de um lado para outro – e sem o menor sentido de existir – já que não há nenhuma vantagem clara nesse modelo. “Para a cidade, há grandes vantagens: redução do trânsito; redução dos horários de pico; dos gastos com a manutenção das estradas e, sobretudo, redução da poluição”, comenta o pensador italiano. Ele ainda aponta que tentou convencer – sem sucesso –  o então prefeito da cidade de São Paulo, José Serra, de que a cidade poderia usar o esquema de trabalho distribuído de maneira mais extensa.

 

Aí veio a pandemia do Covid-19. O pesquisador comenta que em janeiro de 2020, cerca de 570 mil pessoas praticavam o trabalho remoto na Itália – que tem 14 milhões de trabalhadores. Em quatro semanas, o país viu 8 milhões de italianos mudarem suas atividades para o home office e 230 milhões de pessoas adotaram o teletrabalho no mundo. Essa realidade, gostem ou não os chefes, chegou para ficar.

“Eu espero que esta coação seja uma espécie de grande seminário de formação no qual 8 milhões de pessoas preparam-se para teletrabalhar, porém eu me pergunto por que não o adotaram antes, já que traz tantas vantagens para a empresa. O teletrabalho incrementa a produtividade de 15 a 20%. Por que as empresas não o adotaram antes? Por que os trabalhadores não pediram o trabalho à distância? A única explicação é que atrás de 8 milhões de trabalhadores há aproximadamente 800 mil chefes, líderes, um chefe para cada 10 trabalhadores, estes são os culpados, eles não quiseram praticar o trabalho à distância, e por quê? Porque têm uma visão antiquada do poder, o poder como uma opressão contínua, quase física, em relação ao seu funcionário”.

Domenico De Masi

 

Assista à entrevista completa com o sociólogo:

 

Para saber mais

 

No chamado “trabalho do futuro” se misturam temas como atividades distribuídas, inteligência artificial, automação e várias outras. Daqui há alguns meses, quando a pandemia do Covid-19 tiver passado, os tais chefes darão o possível para mudar ao regime empresarial. Sobre esse tema, conversamos recentemente com o sócio da PwC Brasil Norberto Tomasini. Segundo o executivo, o mundo vai descobrir durante essa quarentena o valor do trabalho remoto bem feito – o que pode trazer mais argumentos para convencer os chefes “das antigas”.

>> Saiba como a crise vai transformar a gestão de times remotos

 

CIO

Para De Masi, precisamos de um grande pacto em várias frentes após a pandemia. Uma delas diz respeito à “uma grande solidariedade entre analógicos e digitais, um elemento que surgiu neste momento em que a didática transformou-se em didática à distância, pois as escolas estão fechadas e a única forma possível de formação é através da didática remota”, explica o pensador italiano. Vale lembrar que essa adaptação de times para que eles ajustem seus conhecimentos também já foi tema na IT Trends, quando conversamos sobre upskilling e como ajustar  suas habilidades aos novos tempos.

>> Não tem como fugir do upskilling

 

 

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