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TEAp
Transtorno Específico de Aprendizagem

Falta de diagnóstico atrasa uso de TI por pessoas com dislexia

Apesar de tecnologias digitais serem capazes de desempenhar um papel de apoio fundamental para que crianças e adultos com Transtorno Específico de Aprendizagem se desenvolvam – incluindo dislexia, discalculia e disortografia –, as famílias ainda esbarram em dificuldades para obter um diagnóstico e acessar um ensino inclusivo. Muitas vezes precisam recorrer a serviços de saúde […]

Publicado: 11/03/2026 às 17:32
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Construção civil — Foto: Reprodução

Apesar de tecnologias digitais serem capazes de desempenhar um papel de apoio fundamental para que crianças e adultos com Transtorno Específico de Aprendizagem se desenvolvam – incluindo dislexia, discalculia e disortografia –, as famílias ainda esbarram em dificuldades para obter um diagnóstico e acessar um ensino inclusivo. Muitas vezes precisam recorrer a serviços de saúde particulares (e caros), o que atrasa o diagnóstico e prejudica o desenvolvimento das pessoas com TEAp.

Para conhecer melhor o cenário brasileiro, e assim embasar iniciativas de inclusão educacional e no mercado de trabalho, o Instituto ABCD, com apoio do Instituto IT Mídia e da Cisco, lançou nessa terça-feira (05) um estudo inédito sobre dislexia no Brasil. Chamado Perfil do Transtorno Específico da Aprendizagem no Brasil, o trabalho descobriu que parte significativa das famílias (34%) precisa viajar para uma cidade diferente da que moram para receber um diagnóstico.

Além disso, quase nove em dez (89%) dos diagnósticos são feitos em serviços particulares, e 47% das famílias investiram mais de R$ 2 mil nesse processo – apesar de ser possível realizá-lo em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O dado é importante porque pessoas com TEAp estão igualmente distribuídas em todos os níveis socioeconômicos – no entanto os mais pobres acabam sofrendo mais, ampliando desigualdades.

Leia mais: Brasil estagna no ranking de competitividade digital. Como melhorar?

Considerando-se que entre 5% e 15% da população mundial tem algum tipo de transtorno específico de aprendizagem – são 10 milhões de brasileiros com dislexia, segundo estimativas oficiais –, o problema ganha enormes dimensões. Segundo o estudo, o diagnóstico tem ocorrido mais cedo no Brasil, mas ainda demora: leva em média oito anos e seis meses.

“Desde que começamos a falar da parceria, sabíamos que era importante trazer luz para a realidade das famílias, que problemas enfrentam, para aí buscar soluções”, explicou Juliana Amorina, diretora-presidente do Instituto ABCD, durante a live de apresentação de resultados da pesquisa – que pode ser vista no fim desse texto. “A ideia é apresentar soluções que possam fazer o caminho mais fácil de ser trilhado.”

Outro objetivo do estudo foi entender como a tecnologia poderia ajudar na acessibilidade escolar e na inclusão de pessoa com transtornos de aprendizagem. Apesar de o Brasil ter políticas educacionais inclusivas, a vida escolar de crianças com transtornos de aprendizagem é “muito dolorosa e sofrida”, define Juliana, tanto pela dificuldade de acesso ao diagnóstico como de tratamento específico.

Outro aspecto abordado pela pesquisa foi o acesso de crianças diagnosticadas com TEAp à escola durante o período da pandemia. E o cenário encontrado não foi positivo: 85% não tiveram qualquer tipo de adaptação específica para o ensino remoto. E o cenário é mais grave quanto mais socialmente vulnerável é a criança: enquanto 44% das famílias com renda acima de R$ 20 mil classificaram o desempenho da escola como bom ou ótimo, apenas 4,5% das famílias com renda até R$ 2 mil fizeram o mesmo.

“Apesar de termos uma política educacional inclusiva no Brasil, nós no IABCD temos visto que a vida escolar das crianças com transtorno é muito dolorosa e sofrida”, lembrou Juliana.

O estudo também mediu esses custos emocionais: 80% das crianças e jovens com dislexia sofrem de tristeza, ansiedade ou baixa autoestima, enquanto na população geral o índice é de 20%. Nos adultos, 72,7% enfrentam dificuldades na vida profissional.

Uso de tecnologia

O estudo também quis medir que nível de orientação as famílias e crianças com TEAp recebem de profissionais quanto ao uso de tecnologias assistivas. Mais da metade (56,9%) não obtém quaisquer informações.

“Tecnologias assistivas são reconhecidas como uma das ferramentas mais poderosas para inclusão da pessoa com deficiência de maneira geral. E as famílias que utilizavam algum tipo de recurso relataram que o que era mais usado era a calculadora. É uma tecnologia muito genérica e com pouco impacto positivo na leitura e escrita”, ponderou Juliana Amorina. “A pessoa com dislexia acaba descobrindo o que ajuda ao longo da vida, não com ajuda de um profissional que poderia tornar essa trajetória mais tranquila e possível.”

O Instituto ABDC disponibiliza uma ferramenta tecnológica gratuita – o aplicativo EduEdu – que funciona como reforço escolar. O EduEdu acompanha a evolução da criança, monitorando progresso e gerando novas atividades. Disponível para Android, o app avaliar as dificuldades da criança e oferece atividades personalizadas para melhorar o desempenho escolar.

Uma ferramenta de triagem dentro do aplicativo foi lançada essa semana. Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com apoio da Cisco e do Instituto IT Mídia, ela é adequada para alunos entre 4 e 9 anos de idade, e ajuda no encaminhamento para a rede de referência no SUS para um acompanhamento mais completo.

Para a especialista, empresas de tecnologia podem desempenhar papel fundamental na melhoria da qualidade de vida de crianças com dislexia. Rodrigo Uchoa, diretor de digitalização e líder do programa BDI da Cisco do Brasil, concorda com todas as letras. Ele próprio pai de uma menina de 13 anos com dislexia e discalculia.

“Estamos falando de cérebros diferentes, mágicos, que pensam e aprendem de forma diferente. E a tecnologia bem usada salva, enquanto a mal-usada pode prejudicar o processo”, disse Uchoa. “Minha filha é de uma criatividade, inteligência. Será que não existe todo um mercado de trabalho para absorver essas características tão especiais?”

Para o executivo da Cisco, o movimento de acelerada transformação digital também oferece uma oportunidade para a criação de novas ferramentas de tecnologia assistiva para pessoas neurodiversas. A inteligência artificial é uma delas, assim como outros recursos ainda pouco utilizados.

“[A tecnologia] tem que ser usadas como irmão digital dessas crianças. Parte da jornada é estimular e trazer muito mais que calculadoras e corretores”, ponderou o executivo da Cisco, empresa que apoiou financeiramente o estudo e o desenvolvimento do módulo mais atual do EduEdu. “Uma das iniciativas que temos aqui é trazer empresas brasileiras, de fora também, startups mergulhando em IA, para falar um pouco de como essas tecnologias podem ser incorporadas no dia a dia dessas crianças. E isso só está começando.”

Para Uchoa, há um potencial enorme ainda a ser desenvolvido quando se trata do uso de tecnologia para apoiar crianças e adultos com dislexia. E já há uma série de empresas envolvidas ou estimulando esse desenvolvimento.

“A tecnologia pode expandir nossas capacidades como seres humanos. E a gente não pode ter vergonha disso”, ressaltou.

Vitor Cavalcanti, diretor geral do Instituto IT Mídia, lembrou que é necessário trabalhar essa capacidade que pessoas com transtorno de aprendizado tem, inclusive porque a diversidade no mercado de trabalho é mais demanda do que nunca. “Essa capacidade de resolver problemas complexos que eles têm, o mundo pede. O mercado pede isso”, lembrou.

Abaixo, assista na íntegra a live de lançamento do estudo do Instituto ABCD.

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