Enquanto aguarda na fila do cadastramento para a 13ª edição do SAP Fórum, um gestor de tecnologia de uma empresa de agronecócio reclama do atraso na entrega das notas de localização do ERP da SAP – o update do sistema de gestão – para que ele atenda aos requisitos do SPED (Sistema Público de Escrituração […]
Enquanto aguarda na fila do cadastramento para a 13ª edição do SAP Fórum, um gestor de tecnologia de uma empresa de agronecócio reclama do atraso na entrega das notas de localização do ERP da SAP – o update do sistema de gestão – para que ele atenda aos requisitos do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) fiscal.
A companhia tinha prometido o lançamento da atualização para o dia 28 de fevereiro, mas isso não aconteceu. Com a data final para a adoção do SPED fiscal estabelecida pelo governo é 31 de maio, os clientes estão apreensivos. “O maior problema é que, agora, não dá mais tempo de arrumar um parceiro”, diz o gestor, que preferiu não se identificar. Ele está preocupado com o prazo final do projeto, marcado para final de abril.
Segundo Wellington Brigante, CIO da Zilor e diretor financeiro da associação de usuários SAP (Asug), o atraso gerou insegurança nas áreas de negócios das empresas que utilizam o ERP da empresa fornecedora alemã. “Os executivos estão vendo que, com menos prazo, sobe muito o risco. O SPED é prioridade na maioria das empresas”, relata.
Ele acrescenta que, até o momento, a associação não teve um posicionamento claro da SAP sobre o prazo de atualização para o SPED fiscal. “Ainda não está bem claro qual é a dificuldade na divulgação das notas e nem se elas chegarão íntegras e sem bugs”, afirma.
Uma semana
Bruno Ogusuko, gerente de engenharia de localização da SAP, garante que a nota de atualização do SPED fiscal chega na próxima segunda-feira (09/03). E, ao contrário da primeira versão, este será um pacote com as notas necessárias para atualização. Ogusuko destacou, também, que a nota de localização do SPED contábil será divulgada no dia 16/03.
Segundo ele, a SAP criou uma força tarefa com 20 profissionais de várias partes do mundo para criar a atualização. “O assunto é complexo. Para se ter uma idéia, o governo soltou mais três alterações em dezembro. A mudança para o SPED é muito complicada, envolve várias modificações, tanto no software quanto na empresa”, justifica.
Com o SPED, afirma o gerente, a relação das empresas e das suas estruturas de tecnologia da informação com o fisco deixa de ser reativa. “São milhares de dados que precisam ser enviados para o governo, acabou o resgate. A chance de algo dar errado é enorme. O SPED vê detalhe, não o geral”, argumenta.
Ogusuko destaca que, por conta da complexidade dos projetos, é difícil definir onde acontecerá o erro. “Pode ser no software, pode ser na base de dados, pode ser em uma alíquota. Por isso estamos testando a nota em 10 empresas para garantir eficiência”, completa.
Base para uma nova ferramenta
A experiência com o SPED brasileiro vai gerar uma nova ferramenta que pode abrir oportunidades de negócio para a SAP. “Será um framework que vai combinar BI e SOA. A ferramenta vai extrair dados dos sistemas, legados ou não, centralizá-los e gerar o arquivo para os governos, abrindo para o cliente um leque de serviços de parceiros, como auditoria. É uma oportunidade gigantesca de negócio”, analisa o executivo da SAP.
Bruno Ogusuko afirma que já existem pilotos de uma parte da solução, na área de auditoria, em clientes. Segundo ele, já estão agendadas discussões na matriz sobre o design da ferramenta. “A idéia original é criar uma ferramenta para o Brasil, mas existem necessidades semelhantes no mundo”, conclui.