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Como superar as armadilhas dos processos de seleção

O mercado de trabalho para CIOs está enxuto. O acesso a eventuais vagas exige bom relacionamento e articulação. Aos candidatos a executivos C-level restam processos de seleção lotados de armadilhas, construídas sob medida para avaliar se o novo executivo está alinhado às expectativas da nova empresa. Entre elas, que o CIO esteja disposto a se […]

Publicado: 27/05/2026 às 03:44
Leitura
6 minutos
Como superar as armadilhas dos processos de seleção
Construção civil — Foto: Reprodução

O mercado de trabalho para CIOs está enxuto. O acesso a eventuais vagas exige bom relacionamento e articulação.

Aos candidatos a executivos C-level restam processos de seleção lotados de
armadilhas, construídas sob medida para avaliar se o novo executivo está alinhado às expectativas da nova empresa. Entre elas, que o CIO esteja disposto a se
relacionar com o resto dos departamentos, domine o idioma dos negócios,
esteja concentrado nos clientes externos e saiba interpretar dados na
perseguição a novas fontes de receitas e lucros.

Especialistas ouvidos pela CIO/EUA dão algumas dicas de como se comportar, como e
que perguntas responder durante a entrevista de seleção.

Filosofia

Quando uma organização parte na busca por um novo CIO, quer
determinar três pontos fundamentais:

1. Se o candidato tem potencial para ajudar a organização a
atingir seus objetivos principais
.

Pode ser um projeto abandonado, auxiliar sua
união com outra companhia ou encontrar maneiras otimizadas de conectar-se aos clientes.

2. Saber se o aspirante possui determinadas habilidades
específicas
.

Entre elas estão liderança, tino comercial, pensamento estratégico, habilidade
de construir e de nutrir relacionamentos e de executar processos do começo ao fim.

3. Determinar se o candidato possui as características
necessárias para integrar-se ao resto da equipe.

Não existe uma receita de bolo para sobreviver às
entrevistas para CIO. Mas, saber de que forma são estruturadas deixa o processo
seletivo menos sofrido e intimidador.

Candidatos a CIO podem esperar por uma seleção composta por
três e cinco fases de entrevista, informa a Executive Recruiters, empresa
voltada à identificação de executivos para cargos no segmento de TI.

A
quantidade de entrevistas é, normalmente, proporcional ao número de candidatos
concorrentes. Como a definição do novo CIO é sujeita à aprovação por diversas
partes da organização, é esperado que o candidato enfrente a sabatina de vários
executivos.

Primeiro tempo

Na primeira rodada de entrevistas, o objetivo da empresa é
ceifar os candidatos menos aptos. Um processo com cinco candidatos deve ser
enxugado para três depois dessa fase. Nessa rodada é esperada a participação de
um líder de contratações, de um diretor sênior do departamento de RH e outro
executivo de nível elevado.

Por parte do líder de contratações, o candidato pode esperar
assuntos como desafios estratégicos e táticos, além de oportunidades que se
apresentam à empresa nesse momento. O objetivo será descobrir se o aspirante a
CIO possui a experiência necessária para compreender essas circunstâncias.

À medida que o candidato passe para a fase seguinte, ele
deve se empenhar em entender a empresa a partir do ponto de vista de alguém que
já trabalha nela há tempo. Tal estudo envolve mais que a simples análise de
suas finanças e produtos publicados em veículos.

Para Sham Banerji, consultor de RH da empresa Russel
Reynolds, as entrevistas se assemelham muito mais a  uma conversa que a um
roteiro de perguntas predefinidas. “Nessas conversas”, continua Banerji, “o
entrevistado e os entrevistadores vão fundo em questões para determinar se o
aspirante pode contribuir nessas questões”.

Para impulsionar o diálogo, é necessário fazer perguntas aos
entrevistadores. Uma pergunta que vale a pena ser feita é o motivo da abertura
da vaga. Na resposta, o candidato poderá obter informações valiosas sobre as
condições da organização e as eventuais tempestades que tem enfrentado.

“Perguntar sobre questões sensíveis é sinal de interesse
real na empresa e de curiosidade intelectual, um ingrediente indispensável a
todo bom CIO”, diz Banerji.

Segundo tempo

“Nessa fase, depois de reduzir sensivelmente o número de
candidatos e deixar apenas aqueles que realmente interessam, chega a hora de a
empresa decidir qual deles será o escolhido”, informa Banerji.

Qualquer questão a respeito do candidato que tenha
sobrevivido à primeira rodada será abordada firmemente nessa segunda fase.

Possivelmente, as entrevistas da segunda fase reúnam executivos
de TI e de outras áreas da companhia contratante.

A conselheira sênior da empresa de consultoria Heidrick
& Struggle, Katie Graham, avisa que esse grupo de entrevistas costuma ter
foco predominante em relacionamento, deixando a técnica para segundo plano. Se,
durante a primeira rodada foi abordada a escolha por sistemas ERP, por exemplo,
na segunda, podem ser levantadas questões por executivos da rede de fornecedores
ou o executivo chefe do financeiro. Nessa hora, pode ser interessante ressaltar
de que maneira esses departamentos podem se beneficiar de soluções ERP.

Banerji recomenda perguntar a esses executivos se a solução
atual resolve seus problemas ou lhes rouba o sono. Outra sugestão é saber como
funciona a compensação dos executivos da empresa em que pretende ser CIO. As
formas podem ser muitas, desde participação no crescimento, a aumento do
faturamento. “À medida que essas questões forem esclarecidas, procure
evidenciar como já contribui para a concretização de uma ou de outra métrica”,
sugere Banerji.

Um dos truques para sobreviver às entrevistas por CIOs é ser
“rápido no gatilho”. Saber processar de maneira rápida todas as informações que
lhe foram passadas sobre a companhia e apresentar casos relacionados de sua
experiência anterior é uma maneira de ser rápido.

“Procure identificar o padrão das perguntas que são feitas”,
sugere Katie Graham. Se determinado assunto for aventado várias vezes por
diferentes executivos, poderá ser um sinal da importância desse tópico para a
empresa.

Os pênaltis

Graham esclarece que, na fase final, o candidato deverá se
encontrar com o CEO e com outro membro do conselho.

Nada melhor ao aspirante que saber o que está
incomodando profundamente ao CEO da companhia, onde estão os calcanhares de Aquiles
da empresa e quais desavenças existem no conselho sobre a TI corporativa.
Procure, sempre que possível, denotar o máximo de suas competências descrevendo
de que maneira poderia dar conta de uma dessas questões.

Saiba que, nessa hora, os participantes não estão
interessados em ouvir explicações técnicas detalhadas. Aliás, um ponto ao seu
favor será mencionar essas técnicas de forma compreensível a todos – ainda que
saibam do que se trata, explicar de forma natural será um enorme ponto a favor
de sua capacidade comunicativa.

Katie Graham sugere que o candidato não vá a essa entrevista
pensando no cargo e, sim, em como poderá resolver os problemas que afligem a
empresa em nível de diretoria e presidência.

A boa notícia é que, se esse encontro entre aspirante e
conselho ocorrer, as chances de que lhe ofereçam o cargo são muito grandes.

Mas não abuse da confiança e seja reservado.

Mesmo depois de
receber a oferta de trabalho, é uma péssima ideia baixar a guarda. “Se recebeu
a oferta de trabalho, aproveite para convidar os outros executivos para um
jantar e saiba que essa será a verdadeira entrevista”.

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