Preparar alguém para assumir o próprio lugar é hoje um dos maiores problemas que as empresas brasileiras enfrentam quando o assunto é sucessão. A falta de um plano de carreira definido provoca um clima de insegurança aos funcionários que sentem-se ameaçados por não saberem que rumos terão na organização. Cenário que reflete bem dados de […]
Preparar alguém para assumir o próprio lugar é hoje um dos maiores problemas que as empresas brasileiras enfrentam quando o assunto é sucessão. A falta de um plano de carreira definido provoca um clima de insegurança aos funcionários que sentem-se ameaçados por não saberem que rumos terão na organização.
Cenário que reflete bem dados de uma pesquisa realizada pela consultoria especializada no recrutamento de altos executivos Korn/Ferry. O levantamento feito com quase 2 mil profissionais em 90 países mostra que segundo 64% dos executivos ouvidos, as companhias em que atuam não possuem um plano de sucessão bem estruturado de seus principais líderes.
“A questão da sucessão acaba sendo uma armadilha para as empresas que, mesmo preocupadas com o assunto, pecam na hora de colocar seus planos em prática”, afirma a sócia-diretora da Korn/Ferry no Brasil, Fernanda Pomin. “Quando não fica claro quais são as perspectivas de futuro, fica complicado para alguém preparar seu sucessor, porque ele vê essa ação como uma ameaça”, diz.
O estudo também aponta a preocupação dos profissionais em relação ao risco que existe em operações sem plano de sucessão estruturado. Do total de entrevistados no País, 72% acreditam que a saída do presidente sem alguém para substituí-lo é extremamente prejudicial à companhia.
Na sua opinião, a saída para as empresas é instalar processos de planejamento nas ações de sucessão, o que certamente diminuiria a ansiedade dos profissionais. “Mas identificar os potenciais talentos e saber quais funções ele pode ocupar não são suficientes”, ressalta Fernanda. É preciso desenvolvê-las para assumir os cargos mais na frente, o que para a consultora, muito pouco tem sido feito pelas empresas, sobretudo na área de tecnologia.
“Vejo profissionais técnicos serem promovidos a CIOs e quando chegam lá não foram preparados para atuar sob o escopo de negócios ou sequer atendem ao perfil de um líder”, atenta. Quadro que acaba se tornando crítico por comprometer as estratégias e resultados da companhia, além de destruir a carreira do profissional.