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Jogar golfe realmente ajuda na carreira?

Há tempos é ponto pacífico que você deve aprender a jogar golfe para ter sucesso no mundo corporativo, fazer amigos na gerência sênior e mostrar que é capaz de interagir com colegas e clientes. Mas algo está mudando em 2008. Segundo a pesquisa “Golf Networking” realizada pela revista CIO norte-americana, nem todo mundo está convencido […]

Publicado: 28/04/2026 às 11:26
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Construção civil — Foto: Reprodução

Há tempos é ponto pacífico que você deve aprender a jogar golfe para ter sucesso no mundo corporativo, fazer amigos na gerência sênior e mostrar que é capaz de interagir com colegas e clientes.

Mas algo está mudando em 2008. Segundo a pesquisa “Golf Networking” realizada pela revista CIO norte-americana, nem todo mundo está convencido do poder do golfe para criar relações, estabelecer contatos e progredir na carreira. A pesquisa, feita em maio de 2008 por meio do site CIO.com, teve a participação de 394 profissionais da indústria de TI que jogam golfe (48%), não jogam golfe (34%) ou que cogitam adotar o esporte (18%). Uma ampla gama de setores e empresas de portes variados foi representada pelos entrevistados.

De uma maneira geral, as opiniões dos entrevistados se mostraram divididas em relação à seguinte questão: se jogar golfe havia beneficiado sua carreira. Para 55%, o esporte tinha ajudado; para 45%, não.

Durante anos, muitos profissionais afirmaram que o campo de golfe é o lugar onde negócios são fechados. “Já fiz muitos negócios no campo de golfe”, declarou Donald Trump certa vez. (Em certos casos, porém, os 18 buracos não conseguem resultar no nirvana da fusão e aquisição: o jogo de golfe entre Steve Ballmer e Jerry Yang em maio de 2008 não selou o acordo Microsoft-Yahoo.)

Mas, como mostram nossos dados, muitos profissionais do setor de TI não hesitam em dizer “não, obrigado” ao convite do chefe para ir ao clube ou passar um dia no campo de golfe sob os auspícios de um fornecedor. Alguns dos nossos entrevistados disseram que os sites de social networking, como o LinkedIn e o Facebook, oferecem muitas oportunidades de relacionamento sem ter que sair do escritório. Práticas corporativas mais rigorosas pós-Enron, que desaprovam fofocas e presentes, talvez tenham afetado os encontros de golfe promovidos por fornecedores e parceiros. (Veja as regras escritas e não escritas que todos os executivos precisam saber em “Domine a Etiqueta Secreta do Golfe”)

Pouco mais da metade (56 %) dos executivos de TI, em particular, disse que sua presença em encontros de golfe os havia beneficiado profissionalmente. Este percentual se torna um pouco mais expressivo se comparado com a percepção dos executivos de negócio e vendas: jogar golfe ajudou a carreira de 73% dos executivos de negócio e 93% dos executivos de vendas disseram o mesmo.

Em outras palavras, nos círculos de TI, habilidades no golfe são consideradas menos importantes para progredir na carreira. Já nas áreas de negócio e vendas, habilidades no golfe são praticamente um pré-requisito.

Percepção: quem não joga golfe perde oportunidades
Quase três quatros dos entrevistados disseram que a decisão de responder “não, obrigado” a um convite para um encontro de golfe não os prejudicou profissionalmente.

Por outro lado, a decisão de não jogar golfe atrapalhou profissionalmente um quarto dos entrevistados (26%). Na maioria dos casos, eles foram afetados de maneiras previsíveis. A mais citada foi “perda de oportunidade de contatos e relacionamentos”.
Algumas razões mencionadas pelos entrevistados corroboram velhos estereótipos dos círculos de golfe empresariais: os líderes de negócio que jogam golfe uns com os outros, predominantemente do sexo masculino, formam uma irmandade da qual é necessário fazer parte para galgar os degraus corporativos. E não ser capaz de bater em uma pequena bola branca diante do chefe ou dos colegas (ou, mesmo não sendo muito talentoso, pelo menos ter a habilidade de se portar bem no campo) diminui seu futuro valor para a corporação.

Várias respostas da pesquisa ilustram as percepções e frustrações dos que optaram por não freqüentar os campos de golfe: “Negócios são feitos nos campos”; “É o ingresso na rede de velhos companheiros”; “Muitas reuniões de negócio acontecem nos jogos de golfe, o que exclui os não jogadores”; “Não consegui socializar com o board e os investidores em relação ao golfe. Fiquei constrangido com minha falta de talento e por isso não joguei”; “Estou empacado na gerência de nível médio, apesar do meu histórico e do meu desempenho nos negócios”; “Se você não faz parte de determinados círculos, fica para trás”; “As pessoas que jogam golfe parecem ter informações cruciais que fazem seu negócio e seu rendimento crescer”; e “Perco visibilidade e reconhecimento”.

Cerca de um em cada cinco entrevistados da pesquisa era do sexo feminino. Trinta e sete por cento destas mulheres disseram que não jogar golfe prejudicou-as profissionalmente, contra apenas 23% dos homens entrevistados. “Comecei a jogar há poucos anos. O fato de não jogar reduzia o networking e a socialização profissional. E, sendo mulher em um ambiente corporativo dominado por homens, o golfe teria me proporcionado algo em comum com eles”, observou uma entrevistada.
Dona Munsch, diretora-sênior de comércio da Cisco entrevistada para a pesquisa, descobriu rapidamente que o golfe era um aspecto importante da cultura do grupo ao assumir a nova função de operações. Ela nunca havia jogado e achava que só o faria quando chegasse aos 60, mas viu que era hora de acelerar seus planos de abraçar este esporte.

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Seu relacionamento com os colegas foi fortalecido e suas habilidades no golfe melhoraram. Dona não fechou nenhum grande negócio no campo, mas não é isso que realmente busca. “Penso que o sucesso em qualquer função, especialmente a de um executivo, está em criar relacionamentos e parcerias fortes”, diz Munsch. O campo de golfe é “um ambiente mais relaxado do que o escritório, o que permite entender melhor o que move e motiva o indivíduo” com o qual você trabalha.

O que uma partida de golfe pode fazer por você
O que, exatamente, têm a ganhar os entrevistados que dão valor a participar de jogos de golfe executivos e se reunir com fornecedores-chave para 18 buracos e uma cerveja depois?

A principal razão mencionada foi que o golfe “facilitou uma parceria” (71% dos entrevistados), seguida por “concretizou uma venda/selou um negócio” (24%) e “extraiu um negócio melhor de um fornecedor” (22%). Quando ao crescimento profissional, eles dizem que o golfe “contribuiu para uma promoção” (16%) e “ajudou a arranjar um emprego (8%).

Quase dois terços dos entrevistados concordaram que “o golfe proporciona oportunidades de networking inexistentes em qualquer outro lugar”, enquanto que para 44% trata-se de uma ferramenta de negócio essencial.
Munsch conta que o jogo de golfe lhe permite conhecer melhor seus colegas. “Posse saber o que os deixará frustrados”, por exemplo. “Posso observar seu estilo pessoal, e muita coisa é levada do campo de golfe para o escritório. Se eles se mostram dispostos a conversar no campo, sempre tenho isso em mente no ambiente de trabalho também.”

A diferença entre o campo de golfe e o LinkedIn
A maioria dos entrevistados da pesquisa, 73%, enquadrava-se na faixa de 35 a 54 anos. Apenas 16% tinham menos de 35 anos. Pode ser um dado significativo, aponta Kris Brady, diretor de sistemas corporativos da construtora Taylor Morrison para a América do Norte. A geração de trabalhadores mais jovens que está crescendo com social networking talvez sinta menos necessidade de atividades “físicas”, como as partidas de golfe.

“Quando eu achava que precisava jogar golfe para desenvolver relações, o LinkedIn não existia”, diz Brady, que experimentou o golfe no início da carreira, mas achou extremamente tedioso e parou. Brady reparou que, entre os profissionais mais jovens da equipe, networking não se reduz a tagarelar com fornecedores e personalidades importantes. Eles estão na internet interagindo em blogs e salas de bate-papo e usando redes sociais para resolver problemas de TI.

Justamente por isso, talvez a percepção de que o golfe é só para “pessoas mais velhas de terno” se torne cada vez mais difundida nas próximas gerações. (O que, por sua vez, explicaria parte do declínio do interesse e da participação neste esporte no decorrer da década passada, embora o nível de queda seja tema de debate.)

A importância decrescente do golfe para o negócio também é visível no fato de que apenas um em cada cinco entrevistados estava sendo pressionado a jogar golfe em prol do negócio e somente 18% disseram que a gerência da companhia esperava que seus executivos jogassem golfe. Além disso, para quase três quartos dos entrevistados (67%) as habilidades do golfista e sua competência em campo não afetam a opinião profissional sobre ele.

“Tive muita sorte”, afirma Brady, “porque trabalho em um ambiente no qual o desempenho coloca você onde você quer estar. Isso não acontece com todo mundo. Às vezes o desenvolvimento de relações alcançado no campo de golfe, ainda que se transforme em um festival de tagarelice, é necessário. E algumas pessoas o vêem como um requisito. Mas não creio que seja necessário no ambiente de hoje”.

E mais: nesta era pós-Enron, “aceitar favores ou presentes de fornecedores ou parceiros comerciais é mais desaprovado do que antes”, acrescenta Brady. “Acho que um número maior de pessoas está recusando.”

A retração econômica e o tempo escasso parecem mais prementes do que algumas décadas atrás. Portanto, ausentar-se do escritório para passar um dia inteiro com fornecedores ou consultores talvez não seja o melhor uso do tempo.

Alguns dos entrevistados, como Christopher Calvin, gerente de TI da Charter Communications, não têm tempo para jogar golfe. Ele cresceu jogando golfe, mas passou anos sem pegar em um taco. Quando tem uma chance de respirar ar puro e se exercitar, não quer ser obrigado a pensar em trabalho. “Se eu jogasse golfe por causa dos negócios, não conseguiria me afastar das outras coisas que ocupam minha vida profissional.”

Ainda assim, Calvin espera sinceramente retornar ao campo de golfe algum dia, quando as demandas de sua vida profissional e pessoal o permitirem. Ele valoriza mais o aspecto da rede de contatos do que seu crescimento dentro da companhia. “Não creio que ficar fora do campo de golfe tenha exercido um efeito negativo sobre a minha carreira, mas, sem dúvida, perdi algumas oportunidades”, reconhece Calvin.

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