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Entrevista: o que Peter Drucker pode ensinar aos executivos

A maioria das pessoas associa o nome de Peter Drucker a um visionário no mundo dos negócios. E há boas razões para isso. Drucker, que comemoraria seu 100º aniversário no próximo mês, se estivesse vivo, foi um dos mais famosos professores e especialistas em gestão empresarial, aconselhando algumas das maiores e mais poderosas companhias do […]

Publicado: 09/05/2026 às 13:39
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6 minutos
Entrevista: o que Peter Drucker pode ensinar aos executivos
Construção civil — Foto: Reprodução

A maioria das pessoas associa o nome de Peter Drucker a um visionário no mundo dos negócios. E há boas razões para isso. Drucker, que comemoraria seu 100º aniversário no próximo mês, se estivesse vivo, foi um dos mais famosos professores e especialistas em gestão empresarial, aconselhando algumas das maiores e mais poderosas companhias do mundo – incluindo General Eletric, Procter & Gamble e IBM.

Ele também ganhou notoriedade por conta do seu trabalho como escritor. Ao todo, Drucker publicou 39 livros relacionados à gestão e escreveu uma coluna, durante 20 anos, no jornal norte-americano The Wall Street Journal.

Se não há dúvidas sobre o impacto que o especialista teve para o mundo dos negócios, poucas pessoas sabem que Drucker, conhecido como o pai da gestão moderna, era um ehttps://itforum-portal.loomi.com.br/wp-content/uploads/2018/07/shutterstock_528397474.webpso da auto-gestão e do desenvolvimento profissional, de acordo com o autor do livro Living in More Than One World: How Peter Drucker´s Wisdom Can Inspire and Transform Your Life (Vivendo Em Mais De Um Mundo: Como a Sabedoria de Peter Drucker Pode Inspirar e Transformar Sua Vida) – o qual ainda não foi lançado no Brasil –, Bruce Rosenstein.

Rosenstein, que ganhou notoriedade no passado por seus livros na área de negócios, tem pesquisado o trabalho de Drucker desde 1986. Um dos seus feitos foi entrevistar o guru pessoalmente, sete meses antes de sua morte, em novembro de 2005.

“Nós podemos aprender muito sobre auto-desenvolvimento com o que ele (Drucker) dizia e em como ele vivia”, pontua Rosenstein, durante entrevista à CIO e na qual apontou como os profissionais de TI podem aproveitar os conhecimentos do pai da gestão moderna no atual momento de mercado. 

CIO – Como foi seu relacionamento com Peter Drucker?

Bruce Rosenstein – A primeira vez que eu o encontrei pessoalmente foi em uma entrevista em 2002, na cidade de Los Angeles (Estados Unidos). Mas já tínhamos nos falado antes diversas vezes, por fax.

No final da vida, Drucker ficou muito doente e preferia fazer as entrevistas por fax, em vez de usar o telefone.

CIO – Ele chegou a utilizar o e-mail alguma vez?

Rosenstein – Eu não acredito. Pelo que sei, ele nunca foi um usuário de computador. É possível que, em alguns casos, ele possa até ter usado o e-mail. Mas a esposa dele, Doris, deve ter enviado a mensagem.

Apesar dele até ter uma conta de e-mail, sempre me pediu para enviar as perguntas das nossas entrevistas por fax.

CIO – Não é irônico que um homem que escreveu de forma tão eloquente sobre o uso da tecnologia da informação para transformar as empresas nunca tenha usado o e-mail?

Rosenstein – Eu atribuo isso à idade dele, mas isso é apenas minha opinião. Ele sabia muito sobre tecnologia e conhecia diversas pessoas ligadas a esse mercado. Assim, não acredito que tinha uma aversão ao e-mail. Penso que era só a forma dele fazer as coisas e que ele preferiu não mudar.

CIO – Qual o grande equívoco que as pessoas cometem quando falam de Peter Drucker?

Rosenstein – Eu diria que o maior equívoco é achar que ele só foi um escritor de livros relacionados à gestão, por conta da sua presença constante nas prateleiras das livrarias. Ele representou muito mais do que isso.

Eu descubro que muitas pessoas já ouviram falar dele, mas nem sabem que morreu.

++++

CIO – Você acredita que isso acontece por conta do trabalho dele ser atemporal?

Rosenstein – O trabalho dele é certamente atemporal e relevante. O livro O Conceito da Corporação (Concept of the Corporation, em inglês), o qual foi baseado no caso real da General Motors em 1946, voltou a vender muito durante o anúncio de falência da fabricante de automóveis (em 2008).

É interessante que algo tão antigo, represente ainda uma referência. O próprio Drucker transformou-se em um ícone. As pessoas enxergam as coisas deixadas por ele e não as associam a eras particulares.

CIO – O que Drucker dizia sobre desenvolvimento pessoal?

Rosenstein – Ele realmente defendia que as pessoas deviam trabalhar duro e de forma focada, mas que não poderiam esquecer de valorizar a vida pessoal, até como uma maneira de ajudar no trabalho.

Em um artigo escrito em 1952, batizado de Como Ser um Funcionário (How to Be an Employee), ele defende que a evolução das pessoas depende de equilíbrio. Para ele, não dá para pensar apenas em desenvolver as habilidades para o trabalho.

Drucker afirmava que as pessoas precisavam ter vidas multidimensionais, pois se deixassem de lado alguma área, isso poderia matá-las.

CIO – E de que forma o próprio Peter Drucker praticou essa vida multidimensional?

Rosenstein – Ele era bastante ‘workaholic’ (viciado em trabalho). Escreveu uma série de livros, colunas para jornais, artigos para universidades. Ele ainda atuou como professor e montou uma escola com seu próprio nome. Além disso, Drucker prestou consultoria para muitas companhias.

Por outro lado, ele adorava ler e ouvir música – especialmente clássica – e era apreciador das artes. Sem contar que foi casado por 68 anos, teve quatro filhos e seis netos.

Ele teve de trabalhar duro para dar conta de todas essas tarefas.

CIO – Qual o conselho que você pensa que Drucker daria ao gestores de TI que perderam o emprego durante a recessão?

Rosenstein – Em primeiro lugar, eu não gostaria de colocar palavras na boca dele. A única coisa que posso é compartilhar ideias que aprendi durante as pesquisas sobre Drucker.

Em várias ocasiões, ele teve um discurso apaixonado. Talvez essa não seja a abordagem ideal, mas quem se encontra em uma situação de demissão tem de enfrentar a realidade, olhando o que aconteceu e o que vai fazer sobre isso. Existe uma parte do livro O Executivo Eficiente em Ação (The Effective Executive, em inglês), escrito há 40 anos, que pode ser ainda aplicável aos dias de hoje: “Foque no futuro e não no passado”. Em outras palavras, não se prenda às coisas que já aconteceram.

Eu penso que Drucker também falaria sobre o fato das pessoas precisarem focar nas oportunidades. Por pior que seja uma demissão, ela representa a possibilidade de se perguntar se vale a pena continuar na mesma carreira ou fazer algo diferente no futuro.

Drucker era um defensor da ideia de equilibrar ação com auto-reflexão. Ou seja, ele achava que as pessoas precisam dedicar um tempo a pensar sobre si mesmas. Mas esse tempo não é para que se sintam vítimas, mas para produzir algo que as ajude a melhorar, seja aproveitando o tempo para complementar conhecimentos ou para reforçar a rede de relacionamento.

Use esse tempo também para algum tipo de atividade voluntária e se não estiver envolvido em uma associação profissional, aproveite para buscar uma.

Enfim, Drucker daria conselhos para que esses profissionais aproveitassem todas as oportunidades geradas por uma demissão. Pode não ser algo maravilhoso, especialmente para quem gostava do trabalho, mas deve ser uma experiência importante para o futuro.

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