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O que a Copa da África pode ensinar ao Brasil

Estive na copa da África do Sul de 2010 durante a sua primeira fase, oportunidade em que assisti a alguns jogos, dentre eles o da nossa seleção. Antes de sair do Brasil, pensava apenas na satisfação de presenciar um jogo da seleção brasileira em uma Copa do Mundo, não tinha muitas expectativas em cidades, novidades […]

Publicado: 17/05/2026 às 19:53
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5 minutos
O que a Copa da África pode ensinar ao Brasil
Construção civil — Foto: Reprodução

Estive na copa da África do Sul de 2010 durante a sua primeira fase, oportunidade em que assisti a alguns jogos, dentre eles o da nossa seleção. Antes de sair do Brasil, pensava apenas na satisfação de presenciar um jogo da seleção brasileira em uma Copa do Mundo, não tinha muitas expectativas em cidades, novidades e muito menos em surpresas no aspecto de tecnologia, porém, para meu espanto, volto depois de duas semanas na África com impressões completamente
diferentes e com “um frio na barriga” pelo Brasil sediar novamente a Copa após 64 anos.

Como responsável pela TI de um dos maiores grupos empresariais do país nos ramos de logística e transportes que também é acionista da TRIP Linhas Aéreas, uma empresa de aviação regional, não posso deixar de começar comentando a impressionante estrutura aeroportuária que foi preparada na África do Sul. O maior aeroporto do
Brasil, Guarulhos, não é páreo para nenhum dos aeroportos que conheci durante minha rápida passagem por lá.

Muitas posições de check-in com funcionários treinados e sistemas ágeis que faziam a passagem pelo atendimento ser muito rápida, me levaram a uma natural comparação com nossas tumultuadas filas de embarque e complicados momentos que antecedem aos voos no Brasil.

A preocupação de todos que viajam muito como eu é a comunicação, com a família e com a empresa. Afinal, saímos, mas não nos desconectamos. Andei por três cidades da África (Cape Town, Johanesburgo e Durban) com uma cobertura de celular que não
tenho no estado onde eu moro (Espírito Santo). Quando estive no  ponto mais extremo da África, o histórico Cabo da Boa Esperança (um lugar ermo onde o espetáculo é o encontro dos oceanos Atlântico e Índico), minha maior surpresa, além da linda paisagem, foi conseguir tirar fotos pelo celular e enviar MMS sem nenhuma dificuldade.

Outra circunstância que me trouxe essa mesma impressão foi enquanto eu assistia a seleção brasileira ganhar da Costa do Marfim, pois falava com minha esposa por um conhecido chat de Internet acessado pelo telefone e enviava para familiares e amigos inúmeros SMS, MMS e emails com fotos, para tentar levar a quem estava a mais de
6.000 km de distância a emoção que eu estava sentindo. Ok, este lugar de ermo não tinha nada, contudo, só para lembrar, naquele jogo eu era apenas um entre mais de 94 mil torcedores e, olhando para os lados, era comum a imagem de outras pessoas com diversos gadgets em mãos fazendo o mesmo que eu.

Visitei diversos outros pontos turísticos e andei muito pelas cidades, porém, em nenhum momento percebi falha de sinal. Além de falar com perfeição, durante todos os dias, recebi e respondi muitos emails com facilidade. Para viabilizar esse imenso tráfego de dados que a Copa proporciona, a FIFA tem como uma de suas maiores e principais exigências para o mundial de futebol, a instalação de uma rede óptica
redundante que garanta a estabilidade dos links.

Mas como nada nesste mundo é perfeito, e a TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), assim como o futebol, é “uma caixinha de surpresas”, mesmo a África do Sul investindo mais de R$ 150 milhões na criação dessa infraestrutura exigida pela FIFA, pude presenciar sucessivas falhas de aprovação ou de conexão na tentativa de pagar qualquer coisa com o cartão de crédito. No início, achei até que fosse o meu cartão ou o meu banco, mas estávamos em um grupo de 12 e comecei a perceber que acontecia frequentemente com todos os demais.

Sabemos que nosso sistema bancário é um dos mais avançados do mundo, mas mostrou-se ineficiente acessado da África. Sei que isso pode ser motivado por “n” fatores, inclusive os próprios meios de acesso África X Brasil, mas será que estaremos preparados para receber um acréscimo tão grandioso de transações com dinheiro eletrônico em 4 anos?

Detectores de metal, câmeras de monitoramento e leitores de código de barra não são novidade e estavam presentes na segurança de todos os estádios. Infelizmente, como o software e o hardware ainda dependem do “peopleware” para funcionar, mesmo com os grandes portões de entrada nitidamente elaborados para evitar tumultos, o
pessoal da segurança dos estádios conseguiu se atrapalhar e filas se formavam duas horas antes de cada grande jogo começar.

Voltando para o Brasil e com o foco na Copa de 2014, muito se fala em investimentos em segurança, aeroportos, transporte, rede hoteleira, estádios, ruas e avenidas de acesso e outros tantos que precisam ser feitos para sediar o maior evento esportivo do mundo, porém, as estratégias que definirão os investimentos em TIC ainda não saíram
do aquecimento.

A preocupação é quando e como os investimentos em tecnologia começarão. Com aproximadamente 3 milhões de turistas esperados na África do Sul durante a Copa, foi fácil visualizar o nosso futuro: hotéis, bares e restaurantes praticamente lotados e pequenas ruas onde antes existiam 100 pessoas, passaram a ser divididas por 400 ou mais. Tudo
deveria ser extremamente difícil, mas a organização e o preparo das cidades e sua população solícita e simpática fizeram com que os problemas que surgiram se tornassem pequenos.

Afinal posso dizer que realmente a África do Sul impressiona por suas belezas naturais e pela Copa que conseguiu preparar, mas fica a pergunta: já não estamos atrasados na organização e investimentos da nossa Copa, para não fazer feio frente a bilhões de pessoas ligadas em tempo real ao maior evento esportivo da atualidade?

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