Não demorou muito para que, a exemplo do que aconteceu com os netbooks dois anos atrás, o mundo despertasse para o uso do “tablet” nas corporações. Começando pelos executivos, seduzidos pela extrema leveza, portabilidade e praticidade, especialmente como máquina de acesso à internet. Enquanto muitos apostaram no fracasso do conceito _ que já havia ensaiado […]
Não demorou muito para que, a exemplo do que aconteceu com os netbooks dois anos atrás, o mundo despertasse para o uso do “tablet” nas corporações. Começando pelos executivos, seduzidos pela extrema leveza, portabilidade e praticidade, especialmente como máquina de acesso à internet.
Enquanto muitos apostaram no fracasso do conceito _ que já havia ensaiado o ingresso no mercado por meio de alguns fabricantes _ a Apple consolidou o modelo e, em um piscar de olhos, vendeu mais de 10 milhões de unidades em 2010. Muitas delas, ingressam nas corporações pelas mãos dos usuários.
Mundo afora, profissionais dos mais variados segmentos econômicos logo acharam utilidade para o iPad. Muitos fornecedores correram para habilitar suas plataformas para esse novo cenário de mobilidade de alto desempneho ingaugurada pelo iPad e criar soluções para à integração dos aparelhos às redes e aplicações corporativas. Um desses fornecedores, pioneiro no uso do tablet da Apple na própria corporação, é a SAP.
Nesta entrevista, o CIO da SAP, Oliver Bussmann, conta os princípios que norteiam o uso da plataforma na companhia.
CIO Alemanha: Que impressão teve do iPad II?
Oliver Bussmann: ainda não testei pessoalmente, mas parto do
princípio de que os novos recursos do dispositivo, como câmera frontal e
traseira, e um melhor processamento, o deixam mais atraente para aplicações corporativas.
Atualmente, empregamos cerca de 3,500 iPads na SAP. Então,
em termos de praticidade, o iPad está aprovado.
CIO: E agora? Irão substituir os iPads antigos por modelos
mais novos?
OB: Não será necessário. O iPad da primeira geração já é adequado ao
nosso negócio. Nossa equipe interna desenvolve aplicativos disponíveis na Appstore
da Apple. Um desses aplicativos é o SAP BusinessObjects Explorer.
CIO: Que outros tablets avaliam adquirir?
OB: É natural que eu mencione os dispositivos Playbook da
RIM (BlackBerry) e a linha tablets com
Android. Para 2011 existe a perspectiva de surgirem 75 novos modelos no mercado, separar o joio do trigo será um esforço conjunto.
CIO: Como avalia o emprego de tablets no futuro? Heterogêneo
como atualmente?
OB: Provavelmente, sim. Nós da SAP nos comprometemos com a
pluralidade de plataformas. Desenvolvemos não apenas para iOS, mas também para
os outros sistemas.
CIO: Não haverá
qualquer preferência pelo PlayBook, que já está integrado em sua estrutura de
suporte aos smartpohones?
OB: As vantagens do uso de aparelhos RIM nas plataformas
Enterprise é uma enorme vantagem, mas não tornam o uso de soluções da linha BlackBerry compulsória. Por outro lado, o PlayBook suporta
aplicativos em Flash, o que não acontece com a família iPad e iPhone da Apple.
No mundo corporativo reconhecemos que o Flash tem o seu
valor e que vale suportá-lo. O painel de controle de nossa solução de BI XCelsius,
por exemplo, é baseado em Flash e roda perfeitamente bem no PlayBook. Demonstramos
isso com clareza no Mobile World Congress de Barcelona, mês passado.
CIO: de que forma dão conta da gestão de plataforma
distintas?
OB: Esta é, sem dúvida, uma questão central e de suma
importância. Nos preocupamos tanto com ela quanto com o tema segurança. Tal empenho
nos levou à compra da Sysbase em 2010. Essa empresa oferece, entre outras, uma
solução de nome Afaria, que usamos internamente na SAP. Essa plataforma gere o
ciclo de vida de diferentes dispositivos (Apple, Android, Windows) em toda sua
extensão desde a implementação e configuração do dispositivo, até sua
substituição por outro aparelho.
CIO: Está em moda trazer os próprios aparelhos para o local
de trabalho. Como a SAP enxerga tal realidade?
OB: Como profissionais de TI, é nossa obrigação estarmos
atentos para essa realidade. Alguns de nossos colaboradores também usam
smartphones de última geração e querem estar com eles para dar conta de tarefas
profissionais. Cabe a mim, enquanto CIO permitir que isso aconteça.
CIO: E, nas soluções da SAP, os dados vão parar na memória
dos dispositivos móveis ou permanece tudo no servidor?
OB: Como os iPads já estão homologados para uso em nossa organização,
nossos funcionários podem, sim, armazenar dados em formato de documentos de
texto em seus tablets. Já os emails e todo o resto de dados corporativos, permanecem
salvos no servidor, como acontece com os relatórios que podem ser requisitados
usando a interface Frontend SAP BusinessObjetcs Explorer.
CIO: Qual é a aplicação dos tablets, para que servem?
OB: Dividimos os usuários em três grupos principais: Desenvolvimento,
distribuição e serviços e, finalmente, gestão.
No grupo de desenvolvimento usamos os tablets para escrever
aplicativos para essa plataforma. Os protótipos desses aplicativos são exibidos
aos clientes e usam o CRM Mobile da Sysbase para iPad. Por questões óbvias,
serviços de email, de calendário também pertencem ao repertório de aplicativos
dos usuários.
No ambiente da gestão, o iPad chega a substituir os
notebooks. É usado para envio e recebimento de emails, gerir compromissos e
acionar interfaces de controle exclusivos para executivos.