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Outsourcing tradicional de TI está com os dias contados, prevê analista

Para Arjun Sethi, vice-presidente da consultoria A.T. Kerney, em cinco anos, o outsourcing (terceirização) dos produtos e serviços de TI, pelo menos da forma que conhecemos hoje, vai desaparecer. “Novos players, que ainda não entraram no mercado, irão dar as cartas nesse segmento”, avisa Sethi. O consultor faz essa afirmação com base nas previsões de […]

Publicado: 18/05/2026 às 20:43
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5 minutos
Outsourcing tradicional de TI está com os dias contados, prevê analista
Construção civil — Foto: Reprodução

Para Arjun Sethi, vice-presidente da consultoria A.T.
Kerney, em cinco anos, o outsourcing (terceirização) dos produtos e serviços de TI, pelo menos da forma
que conhecemos hoje, vai desaparecer. “Novos players, que ainda não entraram no
mercado, irão dar as cartas nesse segmento”, avisa Sethi.

O consultor faz essa afirmação com base nas previsões de uma reconfiguração em massa do setor de terceirização. A mudança será provocada, em grande parte, pela disseminação da cloud computing (computação em nuvem).

Em um futuro não muito distante, o especialista vê que o mercado de outsourcing será dominado por empresas como Amazon e Google, além de nomes ainda desconhecidos. Enquanto isso, os fornecedores tradicionais de serviços terceirizados, como HP, Dell e Xerox, terão grandes dificuldades para sobreviver ao novo mercado.

Durante entrevista exclusiva à CIO/EUA, Sethi fez uma análise do que será o setor de outsourcing de TI em um futuro não muito distante.

CIO:: Não seria um exagero falar na morte do outsourcing de TI?

Arjun Sethi:: Acredito que não. Estamos acostumados a
conceber a terceirização tradicional de TI com acordos firmados em longo prazo e
que incluem o desenvolvimento e a manutenção de códigos customizados. Isso
funciona, até hoje, a cargo de uma legião de programadores e exige a
integração local.
Nesse sentido, acho que estamos rumando em outra direção. Acredito em um novo modelo, no qual os fornecedores de outsourcing vão oferecer
soluções padronizadas e baseadas na demanda. Para tal, é provável que combinem
vários modelos de terceirização dos processos de negócio (BPOs) com a tecnologia da computação na nuvem.

Com
base nesse modelo, os clientes poderão contratar outsourcing de todos os
processos comerciais e pagar apenas pelo contingente de serviços usados.

CIO:: Mas os fornecedores de serviços terceirizados já não estão se preparando para cloud computing?

Sethi::  Nos
últimos dois anos, vimos uma série de empresas investindo na aquisição de toda
a indumentária necessária para sobreviver aessa mudança e para criar um novo
modelo de negócios para a indústria de outsourcing. Estou falando de hardware e
de conectividade que possibilitam executar serviços de rede e de armazenamento. Também entram nessa relação softwares que possam ser posicionados em
plataformas partilhadas no ambiente da nuvem.

Isso
demanda, no entanto, fôlego financeiro para implementar um modelo de cobrança baseado na demanda real. Esse é, na
minha visão, o passo preeliminar rumo ao que chamo de revolução no
mercado de BPO e terceirização da TI, em geral.

CIO:: E por que as provedoras tradicionais estariam em perigo?

Sethi:: Essas organizações não estão entendendo a mensagem.
Elas, de fato, realizaram alguns investimentos. Mas ainda lhes resta muito a
fazer se quiserem ter retorno sobre os milhões de dólares que injetaram nas
recentes aquisições.

CIO:: O que deve acontecer com os fornecedores de serviços indianos?

Sethi:: Não há muita esperança para eles. E essa conclusão está baseada no comportamento
reticente de grandes players ,como a Infosys, a TCS e a Wipro. Essas empresas
dispõem de um caixa enorme e, mesmo assim, ainda não realizaram investimentos
ousados. A questão que se coloca é: será que elas serão ágeis o suficiente para
acompanhar o despertar dos clientes e poderão erradicar as
preocupações referentes ao modelo de negócios e à proteção dos dados?

++++

CIO:: Boa parte dos clientes de outsourcing ainda fica
relutante quando o assunto é computação na nuvem. Como isso deve mudar nos próximos.

Sethi:: Estamos no olho do furacão. Nossa recentes pesquisas
com clientes demonstram que há um grande interesse nessa área. As previsões são de que, nos próximos anos, exista uma expansão acelerada do setor, que deve ultrapassar um faturamento de 50 bilhões
de dólares.

CIO:: E qual o modelo de negócios que os clientes corporativos adotarão na nuvem? A ideia é que as empresas trabalhem com múltiplos fornecedores?

Sethi:: Ainda não há um modelo de negócios ideal e
sustentável. Acredito que, de acordo com a dinâmica atual no cenário de
fornecedores e com as aquisições acontecendo em ritmo acelerado, isso descreve
a maneira como os negócios devem se desenvolver e de que maneira serão adotados
pelos clientes.

CIO:: Recentemente, o senhor mencionou a Microsoft e a SAP como potencial
líderes nesse novo universo de outsourcing. Mas esses nomes não têm tradição
nesse segmento…

Sethi:: Pense na oferta dessas empresa na nuvem. Elas já se
armaram bem para essa mudança de ambiente. Claro que essa migração vai exigir
uma alteração significativa no DNA dessas organizações. A Microsoft, por exemplo,
terá de esquecer o negócio que lhe rendeu o sustento até então, ou seja, a
venda de licenças de sistemas operacionais, e terá de operar com as plataformas
de maneira remota.

O sucesso delas também está atrelado à velocidade em que
responderão à demanda por serviços de infraestrutura que, até então, ainda não fazem parte
do portfólios dessas empresas. Se essas duas empresas descobrirem a receita de
um modelo de negócios efetivo, podem sair vencedoras.

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