A habilidade em falar a linguagem dos negócios e saber apontar tecnologias certas para suportar as operações da companhia no longo prazo contribuíram para que o diretor de sistemas da informação da Kraft Foods Brasil e América Latina, Fernando Brocaneli, fosse o eleito o IT Leaders 2010 na categoria Indústria de Alimentos e Bebidas. Um […]
A habilidade em falar a linguagem dos negócios e saber
apontar tecnologias certas para suportar as operações da companhia no longo
prazo contribuíram para que o diretor de sistemas da informação da Kraft Foods Brasil e
América Latina, Fernando Brocaneli, fosse o eleito o IT Leaders 2010 na categoria Indústria de Alimentos e Bebidas.
Um dos projetos conduzidos por Brocaneli em 2010 foi a substituição do pacote de gestão
empresarial (ERP) JD Edwards, da Oracle, pelo sistema da SAP. A migração faz
parte de uma estratégia global da companhia norte-americana de adotar em todo o
grupo a mesma plataforma tecnológica. A outra iniciativa de destaque neste ano foi a integração dos aplicativos
que suportam a operação da Cadbury, fabricante britânica de balas e chicletes
adquirida pela Kraft Foods no início de 2010. “Neste ano, ficou mais
visível que somos um parceiro estratégico para os negócios”, comemora o
executivo, lembrando que a percepção da TI vem mudando dentro da companhia. “Até
2008, a área era vista mais como um centro de custos e essa visão está sendo
alterada”, relata.
Demonstração disso são os resultados de uma pesquisa
interna realizada anualmente com mais de 100 executivos do grupo na América
Latina. Eles foram convidados a avaliar o papel da TI e se consideravam que a
área era uma parceira estratégica para os negócios. Tinham que dar nota de 1 a
5. Os gestores do Brasil deram nota 4,5 e o País foi o melhor pontuado na
região.
“As pessoas podem não saber nada de SAP, Business
Intelligence (BI), mas entendem de processo”, diz Brocaneli, que procura sempre
apresentar projetos ao board sobre a vertente dos negócios, mostrando como a
tecnologia pode ajudar a aumentar vendas, melhorar a qualidade dos produtos e
dar agilidade aos canais de distribuição.
Somente depois de mostrar como a tecnologia vai gerar
receita para a Kraft Foods é que o executivo aborda as ferramentas necessárias
para chegar aos objetivos estabelecidos. “Mostramos como podemos adicionar
valor ao negócio e apontamos uma direção para os movimentos estratégicos da
companhia para os próximos anos”, relata Brocaneli.
É com esse estilo de gestão que o CIO está conduzindo a
implementação do novo ERP e a unificação dos sistemas da Cadbury com os da
Kraft Foods, considerados os projetos de TI mais importantes da companhia em
2010.
Segundo o executivo, ambos dão direcionamento estratégico
para organização e contribuem com o crescimento dos resultados da empresa.
Envolvem integração e transformação dos processos de negócios que vão preparar
a empresa – dona de mais de 70 marcas, como Laka, Tang e Nabisco – para
enfrentar a acirrada competição no setor de alimentos e bebidas.
É para ganhar vantagem competitiva que a subsidiária está
seguindo a decisão da matriz de usar o mesmo ERP que já foi implantado em 54
fábricas dos Estados Unidos e Canadá. A Ásia também já fez a migração e a
Europa está na fase de refinamento da nova tecnologia. Na América Latina, a migração
envolve 19 plantas, sendo seis em funcionamento no Brasil. Por ser a maior
operação do continente latino-americano, o Brasil foi escolhido o líder desse
projeto.
A Kraft Foods iniciou a implantação do ERP da SAP na
América Latina em 2010 e o trabalho está previsto para ser concluído em 2012.
Brocaneli justifica que o sistema exige adequação para atender as exigências de
cada país da região, com legislação e características de negócios diferentes
dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a equipe de TI está trabalhando na
unificação dos sistemas Cadbury.
Com a fusão, a Kraft Foods ficou com dez sistemas
diferentes que precisam ser transformados em cinco, aproveitando o que há de
melhor de cada um e garantindo a compatibilidade. “A Kraft tem feito muitas aquisições
nos últimos anos e uma nova compra nunca pode ser 1+1=2, mas sempre 1+1=1. As
ferramentas têm que ter sinergia para alavancar os negócios”, analisa o
executivo.
Além desses projetos, a TI tem que ajudar a indústria de
alimentos a inovar todo dia para que a cada três meses possa colocar um produto
novo nas gôndolas, como sabores diferentes de Tang ou chocolate Laka, e a cada Páscoa embrulhar
os ovos em uma embalagem que aguce o paladar dos consumidores. Para acompanhar esse dinamismo, Brocaneli destaca
a necessidade da TI pensar não apenas em transformação de processos para os
negócios, mas em oferecer aos colaboradores da companhia um ambiente de
trabalho colaborativo, confortável e com todas as tecnologias que eles precisam
para realizar suas tarefas diárias.
Com esse objetivo, o CIO tem o desafio de implementar,
até o próximo ano, um projeto que ele considera bastante inovador, batizado de
Workplace Service.
Trata-se de uma nova planta de escritório com layout
moderno, equipado com recursos tecnológicos de acordo com o perfil de cada
colaborador. A ideia é que com um ou dois cliques eles acessem seu computador
em qualquer lugar de forma segura, amigável e rápida, sem precisar de ponto
fixo. “A TI tem a responsabilidade em fazer com que os colaboradores tenham um
dia bom. O projeto Workplace Service vai cumprir essa missão”, afirma o líder
de TI da Krakft Foods.