A crise financeira internacional desponta como o assunto mais discutido nos últimos dois meses. Contudo, ainda falta um consenso em relação a: qual o real impacto da instabilidade e como as empresas devem comportar-se para superar os períodos difíceis? Para dar algumas respostas, COMPUTERWORLD entrevistou três experientes profissionais que enfrentaram diversos planos econômicos, moedas e […]
A crise financeira internacional desponta como o assunto mais discutido nos últimos dois meses. Contudo, ainda falta um consenso em relação a: qual o real impacto da instabilidade e como as empresas devem comportar-se para superar os períodos difíceis?
Para dar algumas respostas, COMPUTERWORLD entrevistou três experientes profissionais que enfrentaram diversos planos econômicos, moedas e cenários políticos enquanto estiveram na direção de empresas de TI: Jorge Schreus, Antônio Carlos Rego Gil e José Ruy Antunes.
Jorge Schreurs, atualmente à frente da consultoria Mobile Science, foi presidente da Compaq entre 1992 e 2000, responsável por implantar a primeira fábrica da companhia no País. Depois, tornou-se COO (Chief Operations Officer) do Submarino.
O executivo diz nunca ter visto uma desaceleração tão brusca da atividade econômica, mas que nas crises anteriores o fator que freava a economia eram os planos do governo. Desta vez, a redução se dá por motivos externos, analisa Schreus.
“Em Agosto o Brasil crescia 6% em uma base anualizada e agora, dezembro, projeta-se um crescimento não superior a 3%, talvez até menos depedendo do volume de exportação em 2009”, comenta.
Antônio Carlos Rego Gil, ex-presidente da CPM, e atual presidente da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), concorda que a atual crise não se parece com as anteriores, mas acrescenta que o Brasil também está em condições melhores para enfrentar o desafio, do ponto de vista econômico e político.
“Sempre vivemos situações de crise nas quais o Brasil estava mal das pernas e correndo para fazer as coisas se encontrarem. Agora o Brasil está bem”, destaca.
A orientação de José Ruy Antunes, que ocupou por oito anos a presidência da SAP e é o atual vice-presidente de vendas da Sonda Procwork, é que os executivos mantenham a lucidez para conseguirem “pensar fora da caixa”.
Para Antunes, é preciso manter o equilíbrio para identificar as novas necessidades do mercado e promover mudanças no modelo de negócios. “Na crise, você tem que ter a humildade de repensar o seu modelo, sempre a partir do mercado comprador”, ensina.
1- Seja cuidadoso, mas otimista
A orientação de Gil é “colocar as coisas em perspectiva” e considerar que a indústria de TI tem oportunidades tanto em situações de crise quanto de crescimento. “Na crise, você precisa de TI para controlar o negócio e nos momentos de crescimento, para crescer”.
2- Tenha clareza para enxergar pontos críticos e oportunidades
Schreus ressalta que a variação do câmbio pode afetar igualmente compradores e fornecedores de tecnologia, reduzindo volume ou aumentando preço. “Sempre há espaço para negociação, porque ninguém quer perder o contrato”, pondera.
Gil acredita que este é o momento certo para o Brasil aumentar sua fatia nas exportações de software. O presidente da Brasscom aconselha os executivos de TI a serem mais agressivos, buscando o mercado externo, que é da ordem de 70 bilhões de dólares, segundo o executivo.
“O mercado brasileiro continua crescendo e se houver problema temos que buscar o mercado externo”, destaca.
3- Mantenha a atualização tecnológica
Para Schreus, diretores de TI não podem deixar sua infra-estrutura desatualizada, ou perderão a capacidade de ter ofertas diferenciadas quando o mercado voltar a ficar aquecido. “Há várias maneiras de reduzir gastos, antes de cortar investimentos em TI”, sentencia.
4- Pense ‘fora da caixa’
Na definição de Antunes, ‘pensar fora da caixa’ significa mudar todo o modelo de negócios da empresa para se ajustar às novas necessidades dos clientes. “Diante de uma crise você tem que ter a humildade de revisitar de forma rápida o mercado para mudar seu modelo de mercado”, opina. “A crise é um momento fantástico, porque traz uma aceitação maior das pessoas às mudanças e dá a oportunidade de repensar o negócio”, acrescenta.
5- Feliz ou infelizmente, esta não será a última crise
Faça um esforço de memória e tente lembrar das turbulências financeiras mais recentes. Rússia, Tigres Asiáticos, México, Argentina. “Já vi muitas crises, daqui a pouco você vai estar falando de outra”, diverte-se Gil.
Ele recorda que em 1992, quando fazia parte do conselho da International Telecommunications Union (ITU), a notícia da crise do México surgiu durante a apresentação que o conselheiro do Primeiro Ministro da Índia fazia sobre uma proposta de criação de um banco de desenvolvimento das telecomunicações para auxiliar países em desenvolvimento.
“Ele disse: ‘Vou propor que a gente interrompa a minha apresentação, até porque todos vocês perderam o emprego. Vamos remarcar para daqui a seis meses, porque como estão desempregados, vocês terão que inventar coisas e daqui a seis meses tudo estará normal”.