Uma estimativa apresentada hoje pelo supervisor de sistemas do banco Itaú, Antonio Carlos Ferreira, em evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), mostra que cerca de 10% dos custos operacionais das instituições financeiras são oriundos dos gastos com serviços de telecomunicações. Diante desses números, não é de estranhar que os bancos estejam procurando a […]
Uma estimativa apresentada hoje pelo supervisor de sistemas do banco Itaú, Antonio Carlos Ferreira, em evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), mostra que cerca de 10% dos custos operacionais das instituições financeiras são oriundos dos gastos com serviços de telecomunicações.
Diante desses números, não é de estranhar que os bancos estejam procurando a melhor forma de gerir os custos de telecom. Para tanto, solicitam uma padronização das faturas emitidas pelas operadoras, com o intuito de comparar valores e verificar todas as informações contidas na conta.
De acordo com Ferreira, além de não existir essa padronização, uma das operadoras atuantes no mercado – que ele preferiu não citar o nome -, nos últimos cinco anos, mudou a forma como se refere às ligações locais nacionais (LDN) em sua fatura mais de 30 vezes. A consequência disso, para o cliente, é a quase impossibilidade de montar um histórico comparativo das faturas de forma automatizada.
A solução para o problema está na adoção do layout Febraban de conta eletrônica. Desenvolvido em 1999, o padrão nada mais é do que um documento com 350 posições e 7 tipos de registros diferentes. Ferreira conta que apenas recentemente a federação conseguiu convencer todas as operadoras a adotar o layout. O problema é que, quase dez anos após ser criado, o documento já está defasado.
Por esse motivo, a Febraban está atualizando o layout, que sai da versão V2R0 para a V3R0. O novo padrão incorpora diversas mudanças que aconteceram ao longo desses dez anos, como a mudança de pulso para minutos, possibilidade de gerar diversas notas fiscais para uma única fatura e de especificar a unidade de cobrança de maneiras diversas (minutos, dias, volume de dados, etc.).
O desenvolvimento do layout teve início em dezembro de 2007 e foi concluído em abril do ano seguinte. Até o final deste mês, a Febraban espera terminar os testes com as instituições financeiras — o que pode ser um grande desafio, uma vez que a Telefônica e a Brasil Telecom ainda nem começaram — e implantar o modelo no dia 02 de abril.
Ferreira explica que os benefícios gerados com o padrão são imensos. Para se ter uma ideia, de acordo com o executivo, os erros de cobrança identificados após a implantação do layout V2R0 chegavam a 10% da fatura. Para uma instituição que gasta, anualmente, meio bilhão de reais com serviços de telecomunicações, o número é significativo.
Outro problema, no entanto, é fazer a contestação dessas cobranças indevidas. Nesse caso, Ferreira afirma que o objetivo é instituir a contestação eletrônica. “Em uma conta de 100 mil reais, caso seja percebido um erro de 100 reais, existem duas opções: pagar e tentar reaver o crédito depois, ou deixar de pagar. Os dois cenários são ruins. O ideal é deixar apenas o valor duvidoso em aberto, mas isso não é possível hoje”, relatou o executivo.
Além dos bancos, empresas de outros setores também começam a exigir o layout da Febraban, casos, por exemplo, da Petrobras e do Pão de Açúcar. No setor público, o padrão está começando a fazer parte das exigências nos editais. Os bancos públicos, por sinal, devem ter um papel importante para forçar as operadoras e implementarem o layout, uma vez que vão excluir de suas licitações quem não adotar a iniciativa.