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Metodologias Ágeis e DevOps são suficientes para o sucesso de projetos?

O PMI, Project Management Institute, publicou em 2018 a pesquisa Sucess in Disruptive Times: Expanding the Value Delivery Landscape to Address the High Cost of Low Performance, que contou com a participação de 5.402 profissionais ligados a gestão de projetos em diferentes segmentos da economia incluindo governo, tecnologia da informação, telecomunicações, energia, manufatura, saúde e […]

Publicado: 27/05/2026 às 17:25
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5 minutos
Construção civil — Foto: Reprodução

O PMI, Project Management Institute, publicou em 2018 a pesquisa Sucess in Disruptive Times: Expanding the Value Delivery Landscape to Address the High Cost of Low Performance, que contou com a participação de 5.402 profissionais ligados a gestão de projetos em diferentes segmentos da economia incluindo governo, tecnologia da informação, telecomunicações, energia, manufatura, saúde e construção.

Com entrevistados na América do Norte, Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio, África e América Latina e Caribe, a pesquisa classificou como campeãs, as companhias que entregam mais de 80% dos projetos no prazo, custo e escopo esperados. E o PMI denominou “underperformers”, aquelas com desempenho inferior a 60%. E, como forma de melhorar o sucesso dos projetos, foram elencadas na pesquisa, as competências: investir em patrocinadores executivos ativamente envolvidos e controlar o escopo do projeto e capacidades crescentes de entrega de valor, sendo a última a principal.

Das metodologias ágeis, o Scrum, possui como princípio a entrega de valor onde a priorização do backlog do produto, de acordo com o negociado com o cliente, é atividade chave para implementação, de maneira a aumentar a produtividade e a entrega dos projetos com sucesso. O Scrum organiza e sistematiza algumas práticas como a agregação incremental de funcionalidades a um produto de software, prática amplamente discutida na Engenharia de Software, como o ciclo de vida incremental e o processo unificado da Rational (RUP), que inclui no modelo, a validação das entregas e fornece uma base para melhoria contínua, com feedbacks diários nas reuniões de revisão das sprints. Parece promissora então a adoção de metodologias ágeis, na pesquisa do PMI 53% das campeãs adotaram metodologia ágil para entrega dos projetos.

A adoção de metodologias ágeis é então suficiente para entregar valor?

Entregar valor do ponto de vista do cliente, também é a funcionalidade estar disponível em produção. A metodologia ágil preenche uma lacuna que é a aproximação do cliente com a equipe de desenvolvimento. Porém, existe outra que é a aproximação da equipe de desenvolvimento com a de operações, neste sentido, DevOps (Development + Operations) é a chave para preencher esta segunda lacuna e agilizar a entrega de funcionalidades em diversos ambientes até a implantação final em ambiente produtivo.

DevOps diminui o stress das janelas de manutenção e torna as atividades de implantação rotineiras por meio da automação de processos de construção (build), inspeção e entrega contínua. DevOps também estabelece uma cultura na qual, as equipes de desenvolvimento e operações compartilham responsabilidades, e, por meio da análise de indicadores, estabelecem uma cultura colaborativa para entregar valor ao cliente e melhorar a qualidade dos serviços.

Aparentemente, a adoção de metodologia ágil associado ao DevOps torna-se uma fórmula imbatível para entrega contínua de valor e incremento do sucesso dos projetos. Infelizmente a resposta é negativa, os projetos de software não devem entregar valor apenas para o cliente, mas também para a organização, isto quer dizer que os projetos devem estar alinhados à estratégia organizacional.

Outro ponto crucial é que conforme aumenta a complexidade dos projetos, surge a necessidade de organizar as equipes ágeis no sentido de resolver problemas relacionados a integração dos módulos. Metodologias ágeis, também não tratam temas como como gestão de contratos e custos por exemplo, isto apenas falando de problemas relacionados a gestão dos projetos. Agilidade rima com estabilidade, estabilidade quer dizer cuidar da qualidade do software de uma maneira geral, que significa adotar boas práticas de engenharia de software como o fomento ao reuso de software apresentados em modelos de maturidade como o CMMI e normas como a ISO 12207, entre outras.

Percebo que a construção de uma fábrica de software moderna, que traga resultados concretos em termos de ganho de produtividade e entrega de valor envolve bem mais do que apenas adotar um modelo ágil. No contexto de uma fábrica de software, a utilização de modelos ágeis escaláveis como o SAFe pode resolver os problemas de integração de partes produzidas por equipes diferentes. Existe, também, o PMO Estratégico para alinhamento dos projetos com a estratégia, no qual a empresa pode avaliar o Benefits Realization Management proposto pelo PMI. A gestão de projetos com base no PMBoK pode ser reforçada com o incremento do ágil em consonância com o proposto pelo PMI.

Com relação a engenharia dos produtos e entrega dos projetos, é interessante buscar um modelo composto pelo SAFe como ágil escalado, Scrum, DevOps e CMMI, o ultimo, apresenta um modelo de integração Scrum-CMMI, que fornece métodos para tratar problemas relacionados a qualidade de software apresentados no contexto de desenvolvimento ágil.

*Moacyr Gonçalves Cereja Junior é Project Manager e Team Coordinator na Open Labs

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