Colunista Nicholas Petreley acredita que Ballmer vai abrir caminho para a Microsoft entrar no mercado de código aberto e de arquitetura orientada aos serviços.
Uma das melhores coisas para acontecer para os clientes da Microsoft é a aposentadoria do Bill Gates.
Pode me criticar, se quiser, tenho certeza que as opiniões a seguir vão gerar polêmica entre os advogados do open-source, mas acredito que Steve Ballmer será uma influência positiva para a Microsoft e seus clientes. Quão positiva será essa influência é uma questão aberta, especialmente porque Gates ainda tem muita influência.
Não é uma provocação; simplesmente todas as decisões de Ballmer podem ser vetadas por Gates. Mas Ballmer está bem confortável em sua posição para ser apenas uma marionete. Não é que ele precise do emprego, então algumas de suas idéias podem passar por cima do modelo de negócio legado da Microsoft.
Antes de perguntar o que isso tem a ver com código aberto ou SOA, deixe-me confessar uma coisa: eu gosto do Steve Ballmer como ser humano.
Além disso, eu também respeito Ballmer. Ele é um homem honesto. Nunca esquecerei quando me visitou na InfoWorld para me convencer que o Windows 95 seria a tendência do futuro. Em nossa conversa, em uma sala cheia de editores e técnicos, ele sem se desculpar admitiu que o OS/2 da IBM era superior ao Windows 95.
Ele acrescentou que o Windows NT era superior ao OS/2. Posso lembrar-me de mais uma ou duas vezes em que Ballmer falou a verdade mesmo quando ela não o deixava em uma situação confortável.
Ballmer ainda é realista o suficiente para saber quando é a hora de abandonar a moldura. Ele pode falar como um cão obediente quando está sob o chapéu do marketing, mas não tem medo de tomar uma decisão impopular (pelo menos na Microsoft) se sentir que é o melhor para a companhia.
Acredito que a Microsoft vai dar mais atenção ao código aberto e padrões abertos em algum ponto no futuro e Ballmer será, pelo menos, responsável em partes por essa mudança
Eu não estou prevendo que a Microsoft irá, algum dia, lançar o Microsoft Office com código aberto. Mas a companhia também não pode ser julgada como o mal por se manter proprietária. A IBM não exatamente lançou seus softwares mais populares como open source e ainda assim é uma das mais importantes forças na aceitação do código aberto nas corporações.
Então, o que tudo isso tem a ver com SOA? A Microsoft está bastante apavorada com o Unix e o Linux entrando no back-end. A crescente popularidade de SOA poderia ser uma das melhores cartadas. A Microsoft já tem uma sólida fundação para a boa prática de SOA. Tudo que a Microsoft deve fazer é melhorar sua oferta e empurrá-la como parte de sua nova missão para interagir com padrões abertos.
Ballmer é o homem para tornar isso realidade. Não é o mesmo que dizer que a Microsoft não seria um player bem-sucedido em SOA sob a dinastia Gates, mas talvez não tanto como agora com Ballmer.
Com todo o devido respeito a Gates, ele era blindado por sua visão de embate com os concorrentes e em fechar os clientes no mundo Microsoft. Ballmer aceita essa visão em partes, mas é pragmático o suficiente para pensar fora da caixa chamada “A forma Microsoft de ser”. Ele é o tipo de homem que poderia aceitar a possibilidade da Microsoft não ser o único player do mercado, o que significa torná-la mais bem sucedida.
Nada do que eu disse tem o objetivo de redimir a Microsoft pelo mal que tem feito ao lançar softwares inseguros ou influenciar o processo de padronização do OOXML. Mas não espere que a Microsoft fique fora do jogo da SOA. A companhia é muito poderosa, tem muitos talentos e capacidade de fazer o bem assim como o mal.
A despeito das aparências e algumas coisas que Steve Ballmer tem dito e feito no passado, tenho muita confiança em sua habilidade para se adaptar aos desafios do caminho de forma única na história da Microsoft. Estarei atento e espero que você também.