Produto foi desenvolvido no Brasil, mas produção local e preço ainda estão indefinidos.
ATUALIZADA EM 24/09, ÀS 11:36
O Centro Nacional de Tecnologia Avançada (Ceitec) apresentou nesta terça-feira (23/09) o protótipo de um chip de rastreamento bovino, o primeiro a ser desenvolvido no Brasil. Recentemente transformado em empresa pública, o Ceitec é apontado como embrião da primeira fábrica de semicondutores brasileira.
De acordo com Edelweis Garcez Ritt, diretora-presidente interina do Ceitec, ainda estão indefinidas questões como se o processador será fabricado no Brasil e a partir de quando. Agora terá início a fase de análise comercial do produto, na qual serão analisados aspectos como volume de produção e preço de venda, além da possibilidade de produção do chip de rastreamento bovino no País.
“Será avaliado se vale a pena esperar a fábrica começar a operar, o que deve acontecer entre o final de 2009 e o início de 2010, ou se interessa produzir o chip no exterior”, diz Edelweis, que não quis estimar a redução de preço que a produção local pode trazer para o produto.
A planta tem capacidade de produção mensal de 4.000 mil lâminas. Cada uma delas pode comportar de 5.000 a 15.000 chips, dependendo do tamanho do circuito integrado. No caso do modelo desenvolvido pelo Ceitec, é possível produzir de 4.000 a 7.000 unidades por lâmina.
O chip do Ceitec tem memória de 128bits e é gravável uma única vez. A leitura das informações é feita por meio de RFID, entre o leitor e o brinco do boi.
Segundo a assessoria de imprensa do Ceitec, dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indicam que o Brasil tem atualmente um rebanho de 210 milhões de cabeças de gado. O Centro ainda não tem comprador para o produto, mas Edelweis ressalta que, antes de pensar na comercialização do chip, é preciso desenvolver a cadeia de componentes do produto, que envolve outros equipamentos, como coletor de dados, software e antena.
“A idéia é ter toda a cadeia no Brasil, mas estamos verificando o que já existe aqui e o que não existe”, comenta a presidente interina. “Mas na apresentação de hoje, mostramos o produto completo”, completa.
Por ano, o País exporta um total de 2,5 bilhões de reais de cabeças de gado. A identificação eletrônica permite o acompanhamento de cada animal, desde o nascimento até o abate, incluindo características genéticas, zootécnicas e sanitárias, informações cada vez mais exigidas pelo mercado internacional.