Entenda quais são as consequências e quem pode tirar proveito do pedido de concordata feito pela empresa canadense de telecom ontem, dia 14 de janeiro.
ATUALIZADA 19h06 – 15/01/09
Em setembro de 2008, a Nortel anunciou um plano de reestruturação com objetivo de economizar cerca de 400 milhões de dólares. Ele combinava a demissão de funcionários, a venda da unidade Metro Ethernet e o possível fechamento de fábricas.
Janeiro de 2009. A Nortel pede concordata nos Estados Unidos, Canadá e Europa.
O processo que se concluiu nestes três meses começou oito anos atrás. Para se ter uma idéia, o valor de mercado da Nortel em 2000 era de 250 bilhões de dólares, o ponto mais alto de sua história. Hoje, um dia depois do pedido de concordata, o valor de mercado é 275 milhões de dólares, ou 0,1% do que o montante recorde.
Perante todos esses anúncios, como fica o mercado de telecom? A concorrência vai partir com apetite para os clientes e canais da Nortel? Afinal de contas, quem vai ser beneficiado com a crise da empresa canadense?
Quem ganha?
A Oppenheimer & Co é direta. Juniper, Cisco e F5 Networks são os fornecedores que mais podem lucrar com os problemas da Nortel. A empresa de investimento garante que a Juniper está melhor posicionada para receber boa parte dos clientes preocupados com a instabilidade da Nortel.
“Com cerca de 600 milhões de dólares a 700 milhões de dólares em faturamento, a área corporativa da Nortel pode se deteriorar mais rapidamente do que a de carriers”, disse, em relatório, o analista da Oppenheimer Ittai Kidron. “Acreditamos que os concorrentes vão atacar agressivamente os canais da Nortel e os clientes corporativos. A Juniper já está fazendo isso”, completa.
Procuradas, Juniper, Nortel e F5 Networks se recusaram a comentar o assunto.
Nadine Manjaro, analista da ABI Research, disse, em entrevista por e-mail, que os concorrentes em CDMA terão mais a ganhar.
A analista destaca as perspectivas de negócios no segmento, como a reestruturação de CDMA na China avaliada em mais de 11 bilhões de dólares. “Mas Alcatel-Lucent, Motorola e Huawei também estão passando por dificuldades, um pouco menores, é verdade. Veremos a sobrevivência do melhor adaptado”, acredita.
Mauro Peres, presidente da IDC Brasil, minimizou o acontecido. Segundo ele, esse tipo de movimentação da Nortel já era esperado. “A empresa vinha tendo problemas desde 2001. Os concorrentes devem preencher o vácuo rapidamente”, defende o especialista, sem definir nomes.
Sobrevivência do mais forte
“A Nortel é apenas mais uma de uma longa lista”, resume Alfredo Pinheiro, presidente da consultoria Compass Brasil. Mas, para ele, não é possível apontar a atual crise financeira como responsável por todas as demissões e concordatas.
“Diversos setores da indústria que tinham problemas há muito tempo, como as empresas de hipotecas e a indústria automobilísticas, estão se valendo do momento para tentarem se postar como vítimas dessa crise, quando, na verdade, encontram-se em dificuldades desde muito antes do final do ano passado”, completa Pinheiro.
Nadine concorda com a idéia de sobrevivência do mais forte. Segundo ela, trata-se da seleção natural no mercado de telecom. “O mercado de infraestrutura de redes é muito competitivo e fornecedores fracos vão sucumbir”, acrescenta.
Segundo Peres, da IDC, o mercado de infraestrutura de redes está às vésperas de passar por um forte processo de consolidação. “Muitas empresas disputam um setor que não é tão grande. Veja o exemplo das carriers. O número de fornecedores é muito maior do que o de operadoras”, completa.
* Com colaboração de Fabiana Monte e Rodrigo Caetano