Empresa aposta em licença simplificada e na oferta de soluções para levar o Cobol a plataformas modernas.
As recentes aquisições realizadas — foram sete nos últimos três anos — geraram um desafio para a Micro Focus: desenvolver uma oferta de produtos integrada para os clientes. A empresa, especializada em soluções para modernização de aplicativos e na linguagem de programação Cobol, trabalha para transformar uma série de sistemas em plataforma única de desenvolvimento e gestão de aplicativos.
Segundo o vice-presidente da companhia, Owen Williams, a ideia é que o cliente trabalhe com apenas uma licença, tendo acesso ao conjunto completo de soluções oferecidas. “Queremos eliminar a complexidade”, afirma o executivo. As aquisições mais significativas foram na área de qualidade de software da Compuware, desenvolvedora de sistemas para aprimoramento de desempenho, e da Borland, empresa especializada em soluções para o gerenciamento do ciclo de vida de aplicações.
No momento, a Micro Focus está empenhada em integrar fisicamente as empresas, ou seja, fazer as equipes de venda, marketing e suporte aos negócios trabalharem conjuntamente, afirma Williams. No escritório da Borland, em São Paulo, onde o executivo concedeu entrevista para o COMPUTERWORLD, já é possível constatar alguns esforços neste sentido.
Apesar de atuar no Brasil há alguns anos, sempre por meio de parceiros, este ano a Micro Focus abriu uma subsidiária no País. A operação está a cargo de Marco Leone, que comandava a operação brasileira da CA, que desenvolve sistemas de segurança e infraestrutura.
Além das aquisições, outra parte importante da estratégia da empresa está na abordagem em relação à modernização de aplicativos. Em vez de um discurso técnico, a Micro Focus aposta na aproximação da tecnologia da informação (TI) com os negócios das companhias. De acordo com o vice-presidente, este é o diferencial da companhia em relação aos concorrentes.
Williams afirma que o gerenciamento do ciclo de vida dos aplicativos deve levar em consideração não só a documentação referente aos softwares, mas também os requerimentos de negócios da empresa. Dessa forma, o objetivo final do uso da TI, que é promover o crescimento das corporações, não se perde no meio de inúmeros processos de desenvolvimento.
A companhia incorporou aos seus sistemas de gerenciamento do ciclo de vida a funcionalidade de se criar uma base de conhecimento compartilhada. A perda de conhecimento com a saída de funcionários é um problema constante nas empresas, especialmente quando se lida com sistemas legados.
Em relação à linguagem Cobol, Williams explica que a Micro Focus busca desenvolver ferramentas para trazer o desenvolvimento na antiga plataforma para sistemas computacionais modernos. Para isso, possui uma parceria forte com a Microsoft, que viabiliza aos desenvolvedores usarem o Visual Studio, pacote de programas da Microsoft para desenvolvimento de software, na programação em Cobol.
O vice-presidente não acredita que grandes companhias usuárias de Cobol, especialmente os bancos, abram mão de suas infraestruturas rapidamente. Mas, afirma que essas empresas querem estar preparadas para, se for o caso, migrarem de plataforma. “Os mainframes (servidores de grande porte) ainda vão durar muito tempo”, diz Williams. Mas, é possível que os bancos, por exemplo, queiram mover algumas aplicações específicas para plataformas baixas, como o Windows, quando entrar em cena as soluções da Micro Focus.