Alguns dos nomes cogitados estão fortemente ligados à mobilidade, mas analistas acreditam que o foco nessa área enfraqueceria outros negócios da companhia.
A saída repentina do CEO da HP, Mark Hurd, representa uma oportunidade para a empresa encontrar um novo líder com foco em tecnologias sem fio e smartphones. Assim, a organização ganharia a vital direção estratégica que lhe garantiria competitividade nos segmentos em plena expansão, avaliam analistas de mercado.
Foi Hurd quem coordenou a aquisição da Palm e do WebOS por 1,2 bilhão de dólares em abril último, que sinaliza que a HP está atenta à tendência da mobilidade e aos lucros que circulam nos mercados de tablets e de smartphones.
Mas a compra da Palm foi alvo de críticas dos analistas, que questionaram se a aquisição dá à empresa o conhecimento necessário e garante sua entrada nesse segmento, considerando que os desktops e laptops perdem participação para dispositivos realmente portáteis e com conexão sem fio.
De acordo com os analistas, fica difícil avaliar o nível de prioridade que a HP dará a smartphones e tablets em razão de seu enorme portfólio de produtos, incluindo uma forte atuação no mercado de servidores e armazenamento, que rendeu 15 bilhões dólares em 2009.
A área de smartphones é apenas um pequeno pedaço de um dos grupos da HP, de sistemas pessoais, que atingiu 35 bilhões de dólares de faturamento em 2009. Essa unidade inclui eletrônicos em geral, desktops e laptops. O segmento de impressoras tem uma área exclusiva dentro da companhia, que movimentou 24 bilhões de dólares no ano passado. A empresa tem ainda o segmento de serviços de consultoria (35 bilhões de dólares) e de softwares (4 bilhões de dólares).
Apesar da amplitude do portifólio, dois nomes com o DNA da mobilidade são constantemente mencionados como candidatos. Entre eles, Todd Bradley, chefe do departamento de sistemas pessoais da HP. Ele veio da Palm e estaria preparado para configurar uma estratégia focada no segmento móvel. Tudo depende do board da companhia querer entrar por essa via. Mas, para o analsita da J. Gold Associates, Jack Gold, manter Todd em seu atual posto sinalizaria a importância que a HP dá ao setor de mobile.
Outro nome cogitado para comandar a HP é o do ex-CEO da Compaq – assumida pela HP em 2002 – Michael Capellas. Ele traz também em seu currículo a experiêncioa de ter passado pela empresa de telecomunicações MCI Inc.
Equilíbrio
Se a oportunidade de focar na mobilidade é clara, vários analistas projetam que o excesso poderia levar ao enfraquecimento na base de produtos e de serviços tradicionais da organização. “A HP faria muito bem em procurar um CEO que possa dar conta de todas as áreas de atuação da companhia, e não somente na área de comunicação móvel”, afirma Gold. “É uma empresa com um portfólio extenso e, acho, precisa de um líder capaz de gerir a empresa de maneira tranqüila em todas as divisões.”
Na perspectiva do analista da Gartner, Ken Dulaney, focar exaustivamente em segmentos móveis é uma manobra de risco, uma vez que a batalha entre a HP e a Cisco tende a continuar. Vale lembrar que a HP adquiriu a 3Com no final de 2009 com vistas a consolidar a marca como um player totalmente capaz de competir com a líder do mercado de redes.
O analista do IDC, Ramon Llamas, afirma que não consegue ver a HP engajando um CEO com “espírito móvel”. Ele fundamenta a afirmação ao dizer que o elenco de produtos da empresa é extenso demais se comparado ao emergente e restrito segmento de smartphones e de tablets. “É claro que, sendo um analista do segmento de comunicação móvel, eu adoraria ver a HP entrar para esse mercado, mas eles têm outras preocupações.”
De acordo com Llamas, a importância do WebOS para a HP ainda não está clara, resta saber a que linha de produtos o sistema será integrado. Ele é aplicável na linha de smartphones, ao passo que possui as características necessárias para turbinar a linha de impressoras da marca.
A força da HP
A fama da HP está estabelecida no universo da tecnologia – e esse reconhecimento não se limita à linha de produtos, mas se estende, inclusive, pelo mercado em que a empresa tem voz de autoridade e influencia tanto os fornecedores quanto os consumidores. No ambiente político, círculo em que nutre relações robustas, a companhjia é capaz de dar as cartas no que se refere à tecnologia e às políticas de internet.
Acertada a decisão sobre o novo CEO, a HP fica praticamente livre do contingente de ceticismo que atinge outra companhia, a Microsoft, em função dos problemas do sistema operacional Windows Mobile. A companhia do CEO Steve Ballmer está em fase de reestruturação do ambiente rebatizado de Windows Phone 7, que deve rodar em aparelhos que chegam ao mercado ainda este ano. A ideia da Microsoft é integrar a plataforma para celulares às soluções de computação em nuvem.
Caso não defina diretrizes para o segmento móvel no longo prazo, é possível que a HP mantenha sua boa posição somente gerenciado o vasto portfólio existente. Mas, segundo os analistas, é bom absorver as lições da Microsoft e trabalhar com um mundo no qual, daqui a 5 anos ou 10 anos, estará repleto de dispositivos móveis vitais e cada vez mais funcionais, dependentes de uma nuvem construída a partir de milhões de servidores e switches.