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Por que a Microsoft levantou a bandeira branca do Edge?

A Microsoft surpreendeu a maioria dos analistas de mercado há alguns meses, quando anunciou que estava abandonando 25 anos da sua estratégia de ter um navegador independente para substituir o mecanismo de renderização web do Edge por um desenvolvido pelo projeto de código aberto Chromium. O choque não foi apenas pelo fato de a Microsoft […]

Publicado: 27/05/2026 às 20:21
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Construção civil — Foto: Reprodução

A Microsoft surpreendeu a maioria dos analistas de mercado há alguns meses, quando anunciou que estava abandonando 25 anos da sua estratégia de ter um navegador independente para substituir o mecanismo de renderização web do Edge por um desenvolvido pelo projeto de código aberto Chromium. O choque não foi apenas pelo fato de a Microsoft estar se voltando para o código aberto em seu navegador, mas também porque o Chromium está por trás do principal rival do Edge, o Chrome – e também pelo fato de que o projeto Chromium foi originalmente criado pelo Google, embora a gigante de buscas não seja mais responsável por ele.

O movimento nasceu do desespero. Como Gregg Keizer, da Computerworld dos EUA, aponta, o Edge tinha apenas uma taxa de adoção de 12% em fevereiro, enquanto o Chrome tinha uma participação de mercado insuperável de 67%. E não há nada que indique que Edge irá alcançá-lo.

Há muitas razões para o fracasso do Edge. Mas uma das mais importantes é a falta de complementos para o navegador – um número insignificante de 118 na última contagem, apesar de a Microsoft estar cortejando desenvolvedores para que escrevam complementos para o Edge desde que o navegador foi lançado quatro anos atrás. Isso comparado aos muitos milhares para o Chrome. Quando o Edge adota o Chromium, as extensões do Chrome quase certamente poderão ser executadas nele.

Ao adotar o Chromium, a Microsoft também pode liberar engenheiros do Edge para trabalhar em outros projetos da empresa. E o Edge receberá atualizações mais frequentes que agora, porque o Chromium geralmente é atualizado oito vezes por ano, conforme aponta Keizer.

Por isso, há muita lógica na mudança. É apenas surpreendente por causa do quanto isso vai contra as décadas da empresa seguindo seu próprio caminho quanto aos navegadores. Mas isso está muito de acordo com a limpeza do CEO Satya Nadella, de uma antiga e obstinada cultura da Microsoft que prometeu dominar todos os mercados possíveis usando a força contundente de dominação do Windows.

Há justiça poética em Nadella aceitando padrões de código aberto para o Edge e abandonando as suas formas independentes. O movimento é um repúdio direto às táticas legais e questionáveis que Bill Gates usou para construir a Microsoft naquilo que, nas décadas de 1980 e 1990, tornou-se a empresa de tecnologia mais poderosa do mundo.

Devido a esse domínio, em 1998, o Departamento de Justiça dos EUA e 20 procuradores gerais do Estado processaram a Microsoft por usar ilegalmente seu monopólio do Windows para impedir a concorrência. O Internet Explorer estava no centro do caso. A Microsoft, na época, exigia que os fabricantes de computadores incluíssem o Internet Explorer em todas as instalações do Windows. A empresa também dificultou, se não impossibilitou, que os consumidores instalassem e usassem navegadores que não fossem da Microsoft. A companhia afirmou que o Internet Explorer era tão essencial ao Windows que removê-lo retardaria o sistema operacional – e a empresa também alegou que era fácil para as pessoas instalarem navegadores alternativos.

O julgamento revelou o lado ruim das táticas de força da Microsoft. Talvez no ponto mais baixo da história pública da organização, ela apresentou como prova os vídeos que pretendiam mostrar que a remoção do Internet Explorer iria desacelerar o Windows, e que era bastante simples instalar um navegador diferente no sistema operacional. Descobriu-se, no entanto, que a Microsoft havia manipulado as duas fitas. Eventualmente, a Microsoft resolveu o processo.

O abandono de um navegador proprietário pela Microsoft, em favor de padrões abertos, finalmente fecha aquele capítulo do passado da empresa. Como já escrevi anteriormente, Nadella reviveu a Microsoft ao, entre outras coisas, cada vez mais fazer a empresa aceitar e trabalhar com software de código aberto. Por exemplo, o banco de dados do SQL Server da empresa agora é executado no Linux. John “JG” Chirapurath, gerente geral da Microsoft, coloca a nova perspectiva da companhia desta forma: “Manter a flexibilidade e a escolha é absolutamente crítico. Não podemos entrar em um cliente hoje e oferecer a eles uma plataforma de dados que funcione exclusivamente com o Windows ou, digamos, com o C#. Temos que ir lá e dizer: ‘Podemos chegar aos seus termos, e com o que isso se parece?’”

O vice-presidente da Microsoft para Windows, Joe Belfiore, em seu anúncio sobre o plano da Microsoft de transferir o Edge para o Chromium, afirmou que “nós pretendemos nos tornarmos um contribuidor significativo para o projeto Chromium, de uma forma que pode tornar melhor não apenas o Microsoft Edge – mas outros navegadores também – em PCs e outros dispositivos”. Se for verdade, isso significa que a Microsoft contribuirá para o trabalho que não apenas melhorará o Edge, mas também o Chrome, porque o Chrome usa a tecnologia Chromium.

O movimento sinaliza um fim simbólico para a antiga Microsoft. A tecnologia proprietária de navegação da Microsoft ajudou a empresa a ampliar injustamente seu monopólio, e esse abuso acabou levando a empresa a um baixo nível. Ao abrir o código-fonte com o núcleo do Edge, Nadella finalmente reformulou a Microsoft de uma forma que Bill Gates e Steve Ballmer nunca imaginaram.

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