Os cenários futuros da atuação dos bancos no Brasil: como eles planejam suas ações e estão se preparando para os próximos anos
Salinas, do Banco do Brasil, acredita no banco pelo celular como um
substituto ao cartão de crédito. “O cliente poderá, por exemplo,
comprar uma pizza por meio do aparelho: ele pede a pizza, passa o
número do celular para o fornecedor, que o digita no ponto de vendas. O
cliente recebe um SMS com o valor da compra e a confirma digitando sua
senha no próprio aparelho”, exemplifica.
A ressalva em relação a este canal ainda recai em quesitos como
usabilidade e segurança. “É preciso que o mobile banking fique mais
consistente nestes aspectos”, avalia Cezar, do Bradesco. No entanto,
como sugere a própria história da TI, esta é uma questão de tempo. O
desenvolvimento tanto de aplicativos quanto de sistemas de segurança
para dispositivos móveis tem sido rápido por causa do aumento da adoção
do banco pelo celular e em um ciclo virtuoso.
Novos entrantes
Um fenômeno que não pode ficar de fora ao se analisar para onde
caminham as instituições financeiras é a consolidação dos bancos. Em
1993, existiam 244 bancos no Brasil. No ano passado, a Febraban
contabilizou 155. Parte da diferença deste período é resultado das
fusões e aquisições, que vem criando verdadeiros gigantes das finanças.
Na tentativa mais recente, especula-se a venda da Nossa Caixa para o BB
(fato não confirmado até o fechamento desta edição).
De outro lado, há a entrada de instituições que antes se dedicavam a
segmentos diferentes, como o Banco Carrefour, a BV Financeira ? da
Votorantim ? e o Banco Marisa. Tratam-se de instituições focadas em
produtos muito específicos e que já contam com um público cativo ou
simpatizante devido à força da marca.
Os gigantes têm vantagens óbvias. Com mais dinheiro, possuem mais
possibilidades de investir em pesquisa e desenvolvimento, tecnologia,
novos produtos, processos mais eficientes e melhoria no atendimento ao
cliente. Mas estes Golias, hora ou outra, terão de enfrentar os Davis ?
companhias menores, geralmente mais ágeis e às vezes mais simpáticas.
Tradição é o adjetivo no qual os grandes bancos se apóiam para
enfrentar esta peleja, principalmente no que diz respeito às classes C
e D, que têm ingressado ultimamente no sistema bancário por meio de
processos menos burocráticos para abertura de contas que movimentam até
R$ 1 mil. ?Historicamente, atendemos esses segmentos da população, seja
no crédito rural, no crédito pessoa física ou no crédito ao
microempresário?, afirma Salinas, do Banco do Brasil. Cezar, do
Bradesco, faz coro. ?Acho que a questão é como essas empresas vão
competir com o Bradesco. Nascemos como varejo, temos isto no nosso
DNA?, enfatiza.
Bordini, do Banrisul, menciona os esforços na expansão do
crédito junto à pessoa física. O crescimento, em março de 2008, foi de
30,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. ?A evolução é resultado,
principalmente, das linhas de crédito consignado, que somaram, no fim
de março de 2008, saldo de R$ 2,2 bilhões?, comentou o executivo.