Estima-se que nos Estados Unidos o custo de manutenção dos dados defeituosos chegue a U$ 1,5 trilhão por ano
O ativo mais importante de qualquer empresa atualmente são os dados que ela dispõe, mantém e disponibiliza para seus fornecedores, clientes, parceiros, etc. As empresas se mostram cada vez mais dependentes dos dados. Porém, eles continuam com problemas: inconsistência, duplicidade, informações incompletas e disponibilização fora do prazo são apenas alguns dos obstáculos mais comuns encontrados em praticamente todas as organizações.
Um volume cada vez maior de dados é gerenciado pelas empresas e este volume só tende a crescer. Os sistemas ERP, apesar de ajudar a centralizar as informações, ainda não conseguiram eliminar totalmente outras formas de armazenamento, seja em sistemas legados ou planilhas.
Com isso é fácil notar uma grande perda por parte das empresas. Elas começam com a deficiência de serviços aos clientes, campanhas de marketing que poderiam ser muito mais eficazes, problemas na entrega e distribuição de mercadorias além da falta de conhecimento e controle dos processos produtivos e até dos produtos. Tudo isso acarreta um alto custo para manutenção do negócio como um todo. Estima-se que nos Estados Unidos o custo de manutenção dos dados defeituosos chegue a U$ 1,5 trilhão por ano.
Devido à importância competitiva que os dados podem dar às organizações, surge uma tendência no exterior que rapidamente deverá ser adotada nas empresas brasileiras: governança de dados. Tão importante quanto a Governança de TI, onde as melhores práticas são estudadas, analisadas, adaptadas e implementadas para se fazer um melhor uso da tecnologia da informação, a governança de dados propõe estabelecer técnicas, métricas e códigos para as melhores práticas no gerenciamento das informações.
O objetivo básico da governança de dados é, portanto, fazer com que a qualidade da informação melhore o suporte ao negócio da empresa. Isso se dá, como em outras disciplinas, através da identificação e quantificação do estágio da maturidade dos dados.
Os quatro estágios de maturidade são:
. Indisciplinado: tanto a visão quanto a ação é local. Acontece quando há pouca ou nenhuma política de qualidade de dados (QD) e poucas regras de integração. Os executivos não conseguem enxergar os benefícios e custos relacionados aos dados mal estruturados e atribuem à TI os problemas. A entrada de dados não garante e sequer há relação com a qualidade de dados. Quando há, a limpeza e padronização de dados se dão em áreas isoladas, como nos departamentos de marketing ou produção. Acredita-se, nos Estados Unidos, que 33% das empresas estejam neste estágio. No Brasil com certeza este percentual é maior.
. Reativo: a visão é global, mas a ação continua local. Há sistemas ERP e CRM, mas não há integração em nível de qualidade de dados (QD). O processo de QD acontece depois que o problema ocorre e, normalmente, não há uma documentação formal do processo. Neste estágio o DBA é responsável pelos dados. O foco ainda está em problemas emergenciais na gestão dos dados. Cerca de 50% das empresas norte-americanas estão neste estágio.
. Proativo: a visão é global e a ação é coletiva. Neste estágio o dado passa a ser tratado como um ativo da empresa. Os gestores entendem a importância da governança de dados e assumem o papel de facilitadores no processo de QD. Os processos de QD estão claros, documentados e em uso pela maioria das pessoas da empresa. Estabelecem-se as métricas dos dados. O foco sai da correção e vai para a prevenção.
. Governado: pensamento e ação global. A estratégia de governança de dados está presente em toda organização. Os processos de negócio incluem a qualidade, integração e sincronização dos dados. É possível ter uma visão ampla e unificada dos dados em toda empresa. Neste estágio, além do DBA, também há um grupo de analistas e um líder específico para tomar as decisões relacionadas com as informações. Porém, todas as pessoas são ativos na definição de estratégias e entrega dos dados. Define-se uma política de “erro zero” para coleta e armazenamento de dados e, sempre que há qualquer desvio, as ações são rapidamente tomadas para correção do problema. Somente é autorizada alguma alteração nos dados depois de todo impacto da mudança ser avaliado. A política de manutenção dos dados possui o apoio de ferramentas computacionais especificamente criadas para esta finalidade. Existe um banco de dados com os modelos de representação tanto técnica quanto de negócio.
Uma pesquisa conduzida pela HP nos Estados Unidos mostra que 53% das empresas pretendem investir em projetos de governança de dados em 2010.
Desta forma, fica claro que bem poucas empresas conseguem um estágio de maturidade na governança de dados, especialmente no Brasil. Implementar projetos SOA e BPM em organizações cuja maturidade na manutenção e controle dos dados é fraca, representa um risco enorme de retrabalho no futuro.
Portanto é necessário ter uma política que garanta a qualidade dos dados desde a entrada na empresa até a disponibilização para o ambiente externo, passando necessariamente pelas pessoas que tomam decisões. Dados inconsistentes e duplicados dificultam o processo de análise e o uso estratégico das informações nunca foi tão importante quanto hoje para o sucesso das organizações.
Governança de dados com certeza fará parte da agenda de negócios nos próximos anos.
*Celso Poderoso é diretor de relações internacionais e coordenador de graduação da Fiap