Startup oferece plataforma de desenvolvimento de softwares e aplicativos
Foram dois anos de forte crescimento. A fabricante baiana de plataformas de desenvolvimento de software e aplicativos Softwell Solutions viveu momentos intensos e viu seu faturamento dar saltos consideráveis. A previsão, agora, é de expansão ainda mais acelerada, tendo com base um aporte de US$ 9 milhões vindo da IFC (sigla em inglês para Corporação Financeira Internacional), braço de financiamento do Banco Mundial. O CEO, Wellington Andrade Freire, enxerga, a partir de 2011, uma evolução das operações como jamais vista até então.
Para se ter uma dimensão, apenas nos dois últimos meses de 2007 ? quando começou a atuar comercialmente ?, a companhia faturou algo próximo a R$ 500 mil. As receitas subiram para R$ 4,6 milhões no fim do ano seguinte e alcançaram quase R$ 10 milhões em 2009. Do total, cerca de 25% veio de serviço de software, o resto de venda de licenças. Para 2010, a startup espera faturar R$ 22 milhões. Uma ascensão impressionante a ser potencializada a partir de uma estratégia de ampliação de portfólio e fortalecimento da gestão que coincidem com a entrada do ?novo sócio?.
O aporte contou com um empurrãozinho da IBM, que apresentou a startup a investidores em um fórum de venture capital (capital de risco). Depois de nove meses de avaliação, o Banco Mundial decidiu apostar na brasileira. Na visão do presidente, o investimento ocorreu em um momento que a companhia tem foco bem definido e comprovou que existe mercado para suas soluções. ?Uma das coisas que acredito que tenha contribuído é exatamente a questão do planejamento e da organização, algo raro nas startups?, estabelece o executivo, que teve apenas dez minutos para expor seu projeto.
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Atualmente, a estratégia baseia-se na ferramenta batizada de Maker, que desvincula a plataforma de desenvolvimento das linhas de código para facilitar a criação de softwares e aplicativos de forma mais visual e intuitiva. A empresa, contudo, tem um roadmap de lançamentos desenhado para os próximos dez anos. Quando liberado, parte do dinheiro da IFC será alocado nesta frente e outra parte, na melhora de gestão e em expansão. Há planos de abrir uma base nos Estados Unidos. Além disso, não faz muito tempo a Softwell submeteu outros três projetos que obtiveram R$ 3 milhões em subvenção do governo.
Deu certo
A startup nasceu do spin-off do Maker da fabricante baiana de software de gestão para o setor público Freire Informática. A plataforma já era largamente utilizada na empresa-mãe, o que ajudou a impulsionar o início das operações. Ainda nos anos 80, quando era proprietário da fabricante de ERP, Wellington vislumbrava mais agilidade no processo de desenvolvimento e queria fugir da defasagem tecnológica. ?Quando os softwares chegam ao seu grau de maturidade e você começa a ganhar dinheiro a um custo baixo, a tecnologia muda. Estes ciclos levam, aproximadamente, cinco anos.?
Por volta do ano 2000, a web marcava o fim de mais um desses ciclos. Observando o alvorecer do Java e afins, o executivo estava à procura de uma soluções. Encontrou 180 diferentes, mas nenhuma dentro do que buscava. Resolveu fabricar.
A primeira tentativa não deu certo: contratou um freelancer, que pegou um adiantamento e sumiu sem entregar resultados. Assim, alocou dois desenvolvedores de sua companhia e contratou outros cinco para criar o produto. Para testar a ferramenta, chamou dois profissionais que conheciam de negócio e apenas tinham noção de programação. Eles fizeram 70% de dois sistemas na plataforma. A tecnologia permitiu que a Freire Informática desse um salto à medida que reduzia os ciclos de desenvolvimento de aplicações. Verificados os resultados internos, veio a ideia de transformar a plataforma em um produto de mercado e, em maio de 2006, fez o spin-off que deu vida à Softwell.
Nos 18 meses seguintes, um time de profissionais trabalhou para fazer da ferramenta um produto atraente. A estratégia era lançar a solução nos EUA, mas uma entrevista frustrada à imprensa mudou os planos. O jornalista escreveu que o Maker era uma plataforma ?para leigos?. Desenvolvedores ficaram furiosos e criaram fóruns de combate à startup. ?É uma solução para pessoas que conhecem programação e que traz a vantagem de preservar a lógica de linguagem na camada abaixo do sistema fazendo com que não se perca o conhecimento adquirido ao longo do tempo com mudança de ciclos tecnológicos?, faz questão de enfatizar.
Por fim, todo alvoroço foi útil. Com a comunidade técnica reagindo (mesmo que diferente do esperado), a Softwell colocou sua solução na rua. ?Depois desse bafafá todo, pensei, ?estão falando da gente. É uma oportunidade.? O princípio não foi fácil, mas o destino prega peças.
A empresa foi convidada a participar de uma mostra de tecnologia em uma universidade da Bahia. Lá estava um olheiro da Unitech, que se interessou pela ferramenta e resolveu testá-la na construção de um sistema que a empresa tinha gasto 540 horas em Java. Com a solução da startup, conta o executivo, a recriação levou apenas 14 horas. Isto ocorreu no fim de 2007. Coincidência ou sorte, no mesmo período a Unitech fundiu-se com a Braxis que, logo em seguida, virou CPM Braxis. ?Nossa nota fiscal de número 1 foi para uma das maiores empresas de tecnologia da América Latina na ocasião.?
O resto é a história de ascensão que abre este texto. Hoje, a Softwell tem aproximadamente 0,6% do mercado de ferramentas de desenvolvimento. Na lista de cerca de 700 clientes citados pelo CEO figuram empresas como Vale, Odebrecht, Casas Bahia, Volvo, Ministério de Ciência e Tecnologia, entre outras.
RaioX
O que faz: plataforma para desenvolvimento de softwares e aplicativos
Colaboradores: 120 funcionários
Escritórios: Salvador (BA), São Paulo (SP), Lisboa (Portugal) e Madri (Espanha)
Clientes: aproximadamente 700
Faturamento: R$ 22 milhões (previsão 2010)
Nascimento: maio de 2006
Investidor: Banco Mundial, com aporte de US$ 9 milhões e três projetos de subvenção fiscal do governo
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