Executivo vai repetir trabalho realizado no Brasil e que chamou a atenção do global; operação deve gerar economia de US$ 20 milhões
Carlos Lemos, mais conhecido como Kaká, está de mudança para
Espanha. Baseado em Barcelona, ele terá como missão repetir nas bases européias
da Visteon o que fez no departamento brasileiro de TI: migrar os sistemas
legados e, no lugar, implementar o ERP da QAD, largamente usado na indústria
automotiva. Com a mudança, a companhia espera economizar US$ 20 milhões,
quantia que era gasta com manutenção, mainframes, custeio das licenças, entre
outros.
No Brasil, a migração ocorreu durante nove meses entre 2008
e 2009 e chamou a atenção os líderes mundiais. A promoção, confessou Kaká, foi
inusitada. Com cerca de 20 anos de empresa, o CIO esperava mais por uma
aposentadoria que por promoção. “Foi uma surpresa. Com quase 58 anos, eu estava
mais esperando um convite para ir para casa (risos). Mas um desafio destes me deixa apaixonado. É uma quebra de
paradigma muito grande levar um brasileiro para fazer isto na Europa. Sei que
vou enfrentar resistência”, conta o executivo que, pelos próximos dois anos,
vai viajar muito para cuidar de 46 plantas localizadas na Rússia, Marrocos, República
Checa, Hungria, França, Portugal, Espanha, África do Sul, Itália, entre outros.
Lemos ocupará o cargo de diretor-corporativo de sistemas
para Europa e América do Sul e vai acumular a posição de CIO no Brasil. “Continuo
responsável pela parte de processos. Meu gerente de infraestrutura, Wanderley
Campoi, assume a parte de infraestrutura.”
A mudança encerra um ciclo de 20 anos de trabalho na Visteon
Brasil. A TI entrou na vida de Kaká quando, em 1969, o pai de uma namorada
trabalhava como gerente de CPD do Grupo Melhoramentos e o presenteou no
aniversário com um cartão perfurado para fazer um curso de introdução aos
sistemas 360 da IBM. “Achei o máximo, fiz o curso, gostei, em 72 fiz COBOL e
não parei mais. De lá saí para o estágio da Philco”, contou em entrevista à InformationWeek Brasil.
“Eu fui do
cartão perfurado. Em 73, meu primeiro equipado foi um B3500 extremamente
poderoso com 64 k de memória, 66 mega de disco partilhado em quatro unidades.
Fizemos uma folha de pagamento na Brinquedos Estrela antes de chegar esse
computador, peguei o começo do começo. Eu era escovador de bit de alta
periculosidade, sabia quanto cada tabela ocupava. Mas, um dia, me deu um clique
e pensei: isso vai virar commodity. E o processo me chamou a atenção e, até
hoje, é o que me mantém vivo e me manterá.”
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