O modelo de negócio que sustentou a tradicional indústria de mídia está inexoravelmente ameaçado e sem dúvida terá que se adaptar
Em 1999, quando comecei a trabalhar na indústria de mídia, já me deparava com o assunto transformação. Naquela época algumas grandes livrarias nos Estados Unidos vendiam conteúdos de livros que, por meio da internet, eram disponibilizados aos compradores que podiam imprimí-los em suas casas. Os descontos eram significativos, chegando a 40% do preço do varejo. Paralelamente, assistíamos ao boom da web, com investimentos maciços em IDC (Internet Data Center), em infraestruturas de cabeamento e nos primeiros modelos de negócios virtuais.
Em 2001 presenciamos a “bolha”, onde empresas recém-criadas sob o modelo de negócio web valorizavam-se de forma surreal, chegando ao ponto de desbancarem as gigantes e tradicionais companhias com todos os seus ativos. O mundo virtual valia mais que o mundo real. Esse fenômeno durou muito pouco, milhares de empresas de internet desapareceram e bilhões de dólares foram investidos sem retorno. Era a chegada da “Crise da Internet”, como ficou conhecida. Mas nada disso foi em vão, pelo contrário, foi um processo de depuração, de amadurecimento de algo que estava por vir, extremamente transformador dos modelos de negócios, do acesso à informação e da evolução das tecnologias de comunicação.
A partir daquele momento, a internet deixa de ser uma promessa e entra definitivamente em nossas vidas, aliada à inovação das tecnologias móveis como celulares, smartphones etc. O modelo de negócio que sustentou a tradicional industria de mídia está inexoravelmente ameaçado e sem dúvida terá que se adaptar e buscar novos formatos, que viabilizem a disponibilização do conteúdo gerado.
Nunca antes (sem querer plagiar ninguém) o “anywhere”, “anytime” e o “anyplace” foi tão fundamental como desafio a ser vencido na corrida para levar o conteúdo aos consumidores de informação. É preciso lembrar que não temos somente uma revolução na TI, mas também uma mudança de comportamento da sociedade, com uma aceitação quase que unânime das novas tecnologias, principalmente pelas mais novas gerações. Um bom exemplo dessa mudança de comportamento é o da indústria da música e com certeza será o do vídeo e o do texto.
Porém, cada vez mais nesse movimento de democratização da informações, a grande batalha será pela atenção e pelo tempo das pessoas, onde se destacarão as empresas que conseguirem manter a essência do seu negócio: qualidade e credibilidade de seu conteúdo.
*Max Thomas é CIO do Grupo Abril e escreveu o artigo especialmente para a edição 225 da InformationWeek Brasil