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Especial tablets: qual aderência corporativa?

Massificada entre consumidores, novidade traz novos horizontes para empresas. Alguns gestores já pensam em adaptar modelo a suas operações

Publicado: 19/05/2026 às 17:10
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7 minutos
Especial tablets: qual aderência corporativa?
Construção civil — Foto: Reprodução

O tempo que você levará para ler o primeiro parágrafo deste texto é praticamente o mesmo necessário para que a Apple venda 17 iPads. A empresa de Steve Jobs comercializou mais de 3 milhões destes tablets nos 80 primeiros dias em que o produto esteve disponível no mercado norte-americano. Isto dá uma média diária de 37,5 mil unidades, que representa a impressionante marca de um aparelho a cada dois segundos. Desde março, data do seu lançamento comercial, a demanda não para de crescer, transformando o hardware em um fenômeno pop.

O computador portátil com tela sensível ao toque lançado pela companhia de Jobs trouxe evolução de uma tecnologia presente no mercado há mais de uma década. A transformação do conceito apoia-se em tendências como miniaturização de dispositivos, maior capacidade de processamento, interface amigável, telas sensíveis ao toque e computação em nuvem. Outras fabricantes enxergaram oportunidades e se movem para ingressar com aparelhos similares e outras plataformas.

Resta saber o impacto dessa emergente categoria de hardware nas empresas. Massificado entre consumidores, a novidade traz novos horizontes para o mundo corporativo. Alguns gestores já pensam em como adaptar esse modelo computacional a suas operações. “A questão interessante e que acho que ninguém tem resposta é: para onde vai essa tal de convergência?”, indaga Henrique Sei, diretor de marketing de produtos na Dell.

Para entender como o assunto é encarado pelos gestores de tecnologia, Informationweek Brasil realizou uma pesquisa com 51 CIOs das maiores empresas nacionais sobre o tema. A maioria (88,2%) dos respondentes acredita que a nova classe tem aderência no mundo empresarial. Cerca de 40% dos executivos enxerga neles uma provável aplicação para automação de força de venda. Além disto, 86% revelou que este tipo de dispositivo tem condição de mudar a estratégia de mobilidade de suas companhias no longo prazo. “Os tablets podem evolucionar a computação corporativa”, define Claudio Prado, diretor de tecnologia do Grupo Santander.

O executivo vê o aparelho não como uma ruptura, mas como uma transformação do modelo existente ocasionada das novas interações entre homem e máquina. O banco toca um projeto piloto com alguns diretores usando iPad para acesso aos sistemas de produtividade como se fossem smartphones. A iniciativa visa a testar a aderência dos dispositivos. A resposta dos usuários até agora se mostra positiva.

A TI do Santander começou a experimentar pró-ativamente os aparelhos logo após o lançamento para avaliar questões relativas principalmente à segurança no ambiente corporativo. Mas o apelo de consumo é tanto que, durante os testes, surgiram as primeiras demandas dos usuários que questionaram sobre a possibilidade de utilizá-los em suas rotinas. Os equipamentos em uso atualmente funcionam para consulta de e-mail e visualização de alguns aplicativos.

Prado revela que já existem reflexões sobre adaptar aplicações específicas de negócio e disseminar os tablets no banco. “Isto deve amadurecer no fim do ano. Antes queria ver os lançamentos de outros fornecedores e plataformas para termos um comparativo”, afirma. É inegável que o mercado de consumo preocupa-se com atributos tecnológicos um pouco diferentes das empresas, que normalmente tratam a questão com mais rigor. Além disso, as companhias precisam se preparar para aproveitar ao máximo os novos recursos proporcionados por estes dispositivos para não fazer uma adoção baseada apenas na moda.

Rodando

Mesmo que a nova classe de tablets ainda não tenha chegado ao Brasil, algumas empresas – assim como o Santander – já usam esses dispositivos em teste ou operação. Quatro diretores da Casa Grande Revestimentos Cerâmicos têm iPads. “Nosso presidente foi para os Estados Unidos na época do lançamento. Gostou e trouxe”, afirma Fernando Meira, diretor-comercial da indústria de 250 funcionários que fatura R$ 70 milhões por ano. Não existia um projeto de adoção estruturado e a compra baseou-se no fato de que os aparelhos eram compactos, bons para ler e-mails e notícias e fácil de levar em viagens.

Acontece que o browser Safari da Apple não tinha compatibilidade gráfica para acessar o Notes, da IBM, usado corporativamente. Surgia o primeiro problema para aplicabilidade contornada graças a outra tecnologia que vem mudando os panoramas de TI. Usuária dos recursos de virtualização de desktops, a Casa Grande buscou uma solução na App Store, loja de aplicativos da Apple, para conseguir portar seus recursos ao tablet. Encontrou uma aplicação Citrix que dá acesso a base de dados, ao ERP, ao pacote Office. “Com isto, caio no servidor”, diz o executivo, que reconhece algumas limitações para trabalhar no dispositivo pelas suas dimensões e constata que ainda falta um pouco de integração entre o virtualizador e o iPad.

Meira julga que ainda não tirou proveito efetivo do equipamento. Isto só ocorrerá quando a indústria concluir um projeto de migração de base sistêmica para interface web, o que deve acontecer até o fim do ano. O esforço atenderá às necessidades de mobilidade e não ocorre em função do iPad, “mas aproveitamos o trabalho para desenhar a arquitetura para também rodar na plataforma”, reforça, sinalizando que o movimento poderá levar tablets para profissionais em campo.

Quem também preparou a base para futuras demandas de mobilidade é Osmar Antonio do Santos, gerente-executivo de tecnologia do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, que pensa em adotar tablets como solução para atendimento a beira do leito. “Para 2010, calculamos investimento de R$ 500 mil em dispositivos móveis. Provavelmente os recursos vão se intensificar a partir de 2011”, definindo que a ideia são aparelhos portáteis na categoria.

Surpresa

Flávio Elizalde, diretor de produtos da integradora Softcorp, vive ligado às tendências tecnológicas e tenta sempre levá-las para seu trabalho. “Somos uma empresa de tecnologia onde mais da metade dos funcionários são nerds”, brinca o executivo que comprou seu primeiro iPad uma semana depois do produto chegar ao mercado norte-americano e já carrega uma versão mais completa do aparelho, agora 3G. Na provedora de TI, assim como em grande parte das empresas atualmente, foram os colaboradores que trouxeram a demanda e, hoje, são oito tablets Apple em uso por executivos e gerentes que acessam sistemas corporativos virtualizados.

A primeira aplicação exigida foi de sincronização de e-mail e acesso à rede corporativa. Depois disso, a integradora passou a acessar nos aparelhos seu sistema de gestão de clientes que roda em plataforma Windows. “Temos 50 vendedores na rua que necessitam de mobilidade”, diz. Atualmente, esse time usa netbooks e está propenso a partir para tablets. “Mas vai depender de custo, suporte e usabilidade”, afirma o diretor, estabelecendo que numa possível adoção corporativa outras marcas serão avaliadas.

“Acho que, no desenho do produto, o uso empresarial é um desdobramento, talvez até uma surpresa positiva, pois o principal foco foi o consumidor que compra conteúdo da Apple”, julga Elizalde. É de se imaginar que muitas das empresas que agora conduzem testes com iPad avaliem similares de outras marcas no futuro. Seja como for, não é difícil prever que todo o interesse gerado no entorno dos dispositivos surtirá impacto nas empresas fazendo com que até os que ainda duvidam dos tablets como algo útil aos negócios revejam suas posições. Agora é esperar para ver, afinal, é difícil saber para onde vai esta tal de convergência.

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