10ª colocada no estudo conta com orçamento na casa dos R$ 8 milhões e tem investido, principalmente, em projetos de automação de armazém
As crises trazem aprendizados e abrem janelas para novas oportunidades. Contudo, dificilmente os exemplos práticos são evidenciados. Augusto Antônio Carelli Filho, CIO da Pif Paf Alimentos, navega na contramão e expõe a situação vivenciada na companhia. Durante o período da recessão global, a empresa segurou investimentos, inclusive em infraestrutura, e agora retoma com força total. Muito do novo momento surgiu a partir de um fórum de negócio e inovação, elaborado para trocar ideias e gerar projetos alinhados com o momento da corporação.
A inspiração veio de outra companhia. “São reuniões com nível estratégico, focadas e pensando em curto prazo. Fazemos um brainstorming sobre as dificuldades de cada área e como a TI poderia apoiar ou viabilizar a ideia. Começamos no período pós-crise por ser o melhor momento para abrir a discussão e muitas das sugestões giravam em torno do aumento de produção”, detalha.
Além do fórum, a Pif Paf, 10º colocada no ranking geral de As 100+ Inovadoras no Uso de TI e terceira na categoria indústria de bens de consumo não-duráveis, conta com um workshop semestral de TI onde as equipes apresentam tópicos de inovação e, como frisa o executivo, não é posto limite para imaginação. “Queremos despertar a investigação, mesmo que pareça horizonte distante.” Como exemplo, em um desses eventos, que teve como foco a mobilidade, foram apresentadas ideias de sistemas móveis para supervisão de granja e apontamento.
Com um orçamento de TI na casa dos R$ 8 milhões, a equipe de Carelli tem tido muitos desafios em 2010. Além de pensar em novas possibilidades, eles não podem descuidar do dia a dia. Se entre 2008 e 2009 os projetos pararam, o momento atual é diferente. Só a área de logística está com uma das principais inicativas e receberá, sozinha, R$ 1 milhão de investimento em tecnologia em 12 meses. “Estamos fazendo muita coisa em automação de armazém e roteirização. O grande esforço, em termos estratégicos, é vender e entregar com confiabilidade, a maior parte [das entregas] é pulverizada, queremos nos diferenciar por isto.”
O desafio em logística é dimensionado em números: 50 mil clientes ativos e mais de 150 mil notas fiscais emitidas mensalmente. Além disso, os centros de distribuição em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Contagem (MG) trabalham com entregas diárias. “Os objetivos principais são melhoria do processo de armazenagem, agilidade na expedição, carga e descarga de produtos, rastreabilidade e gerenciamento das operações em tempo real.” Isto envolve coletores, software, consultoria e redesenho de processos.
Está em curso também a implantação de business intelligence, para atender às necessidades de informação da área comercial. Para Carelli, talvez seja o que cause maior impacto em nível de negócio, “por apoiar as decisões”. A ideia é que o Business Objects, da SAP, esteja em funcionamento até o fim do ano.
A TI tem contribuído ainda com um projeto de gestão de documentos. Eles querem controlar o processo de elaboração, aprovação e consulta de normas, procedimentos, análises de falhas e outros documentos do processo de gestão integrada da qualidade em todo o grupo. Para isso, ele recorrerá à uma solução com apoio de cloud computing. “O armazenamento em nuvem é uma boa saída dado o perfil de crescimento da empresa com o Projeto do Complexo Avícola de Goiás (ainda a ser inaugurado), e, eventualmente, a aquisição de novas unidades. Neste modelo, a disponibilidade e dimensionamento de novas necessidades acontecem naturalmente.”
Em infraestrutura, Carelli comentou que há um processo de renovação do parque a partir de um contrato de infraestrutura como serviço (IaaS, da sigla em inglês) com a Microcity. Isso envolve ainda migração dos servidores Linux para Windows, feita pela mesma parceira.