Campeã da categoria, Eaton vive momento de maturação dos projetos, enquanto a segunda colocada, Whirlpool, muda posicionamento da TI
Após três anos marcando presença no topo de As 100+ Inovadoras, o setor eletroeletrônico recuou e está fora da lista das dez primeiras. A Eaton, especializada em gestão de energia, foi a empresa que deu maior visibilidade ao segmento até o ano passado, quando ocupou a quarta posição geral, depois de ter experimentado a liderança absoluta em 2008. Nesta edição, é a líder do seu segmento, com uma boa vantagem em relação à segunda colocada, Whirlpool. Mas a indústria de eletroeletrônicos ainda precisa investir para tornar sua TI mais estratégica, inovadora e apta a agregar valor ao negócio. Passos nessa direção foram dados.
O setor figura entre os que mais se destacam em processo de gestão de portfólio, essencial para garantir à TI capacidade de priorizar projetos que suportem objetivos estratégicos, sem desvios de prazos, escopos e orçamentos. Por outro lado, mesmo relevante, o destaque deve ser visto com ressalvas. Os dados do estudo revelam que a gestão de portfólio é um processo que precisa ser melhorado nas empresas de forma geral. A prova é a baixa pontuação média do quesito (0,5) em relação ao máximo possível (1,0).
Na Eaton, a gestão de portfólio é um processo amadurecido. “É essencial para priorizar investimentos”, diz o CIO da companhia, Carlos Lanfredi. Ele não precisa o porcentual de iniciativas classificadas como inovadoras, mas ressalta que o tema está enraizado na companhia. “Prevalece a consciência de que a inovação tem de ser buscada, ainda que eventualmente alguma implementação não resulte no sucesso esperado”, diz.
Com esse posicionamento ousado, o recuo da Eaton no ranking geral pode ter as mesmas razões verificadas em 2009, ou seja, o time focou a consolidação de grandes investimentos iniciados anteriormente, que hoje avançam em diferentes estágios. É o caso do esforço global denominado “call center CRM”, que integra o ERP da companhia com sistema de VoIP. O objetivo é incorporar ao relacionamento com clientes recursos sofisticados de comunicação, como reconhecimento de voz. O projeto, que tinha previsão de roll out para abril deste ano, segue como piloto nas operações do Brasil, EUA, México, Suíça, Índia, China e Reino Unido. Para o CIO, a iniciativa é inovadora por mudar a condução dos negócios ao redor do mundo.
Sem velhos dramas
Na Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos conhecida pelas marcas Brastemp e Consul, Cláudio Palombo assumiu a função de CIO para a América Latina em 2009, com o desafio de levar a área a um novo patamar. A nova TI deveria aposentar a visão de mera entregadora de projetos e passar a incorporar processos de inovação e a se aproximar mais do negócio para agregar valor. “Era preciso acabar com o velho drama da tecnologia que só gera despesas”, diz Palombo. Hoje, a TI figura entre as seis prioridades estratégicas da corporação.
Com a experiência que acumulou nas passagens pela Argentina, Chile e México, operações em que atuou como CIO, Palombo deu início a uma reestruturação da área, composta por 45 profissionais. A equipe foi distribuída entre as células de business partner, solution delivery, infraestrutura e gestão de TI. “Os business partners identificam e levam as demandas, sejam estratégicas ou operacionais, para a equipe de solution delivery, encarregada de efetivá-las; enquanto a infraestrutura oferece o suporte e o time de gestão responde por PMO, governança, métricas e tudo o que permita gerir e medir a eficiência.”
No estágio atual, a TI da Whirlpool já conta com estratégia de inovação definida e ratificada pelas demais áreas. Políticas e procedimentos são globalmente definidos e discutidos em fóruns, dos quais Palombo participa. Mas ainda falta à empresa aplicar a estratégia de maneira formal e integrá-la as suas rotinas. A área não dispõe de equipe dedicada, mas mantém na célula de infraestrutura uma pessoa de inovação. “A função deste profissional é cruzar todas as áreas da empresa para garantir o alinhamento total entre aplicações e infraestrutura”, diz. O gestor explica que a principal fonte de ideias para iniciativas de tecnologia, inovadoras ou não, é o conhecimento das necessidades do negócio. “O ponto principal que se considera é o retorno.” Nas tomadas de decisão, ele dedica especial atenção a fatores como nível de inovação do investimento, aderência à estratégia do negócio e resultados de eventuais experiências existentes no mercado.
O orçamento de TI da Whirlpool tem fatia de 10% destinada à experimentação, embora a inovação esteja diluída em outras ações. Ele revela apenas algumas ações prioritárias que estão a cargo da sua área. Um dos destaques é o piloto global de desktops virtuais que deverá eliminar grande volume de notebooks e desktops usados na empresa. “Trata-se de ambiente virtual, com acesso a um servidor central, que se assemelha ao uso de thin clients, só que com muito mais simplicidade e ganhos maiores”, explica Palombo.
A fase inicial de implementação atingirá cerca de mil usuários e a expansão dependerá dos resultados obtidos. A expectativa do CIO é concluir o piloto em novembro. “Também temos em andamento pilotos que envolvem uso diferenciado de RFID nos processos de logística e de iPhone e iPad por diferentes públicos internos, ambos com forte teor de inovação e potencial de impacto nos processos. É tudo o que posso adiantar”, finaliza Palombo.