A fronteira agora é outra e mais distante. Hoje, os próprios usuários ditam as regras. Cabe à área se reformular e acompanhar esta tendência
Em um mundo que se transforma a cada dia e onde a sociedade encontra novas formas de interagir, os negócios no setor da TI enfrentam exigências apertadas em termos de qualidade e pragmatismo. Os desafios naturais impostos pela metamorfose social a partir deste ?universo conectado? pedem, além de tudo, uma nova geração de CIO s. E ela já surge com demanda de excelência. Espera-se que estes profissionais consigam ir bem além da interpretação entre a linguagem dos negócios e da tecnologia.
Durante vários anos, o papel do gestor de tecnologia foi tão somente cortar custos, aumentar eficiência e cuidar de projetos originados nas áreas de negócios. Claro que existiam iniciativas puramente de TI, mas faziam sentido somente internamente, com pouca ou nenhuma visibilidade para o resto da organização. Contudo, o ambiente corporativo torna-se cada vez mais dependente da tecnologia. Por outro lado, funções clássicas como infraestrutura, desenvolvimento e suporte às aplicações se tornam cada vez mais commodities. A fronteira agora é outra e mais distante. Hoje, os próprios usuários ditam as regras. Cabe à área se reformular e acompanhar esta tendência, ou então ver o seu domínio ameaçado por outras lideranças de negócio mais habituadas ao mercado e a mudanças rápidas.
Os usuários passaram a comprar os seus próprios tablets, smartphones e outros gadgets, e esperam utilizá-los em seu trabalho. Também demandam por mobilidade e acesso às redes sociais. Atender a estas transformações é um desafio que precisa ser encarado definitivamente e não evitado como se fosse algo passageiro.
Um recente artigo da Constellation Research cita que o novo CIO deve dominar quatro diferentes papéis se quiser sobreviver no atual ambiente corporativo, onde o I da sigla que define seu cargo representa também Infraestrutura, Integração, Inteligência e Inovação. Desafiador, não? Além de manter as luzes acesas e os antigos sistemas funcionando, ele deve prezar pela conexão entre tudo o que existe e está por vir, assegurar-se que a informação exata seja apresentada da forma correta para a pessoa correta e no tempo certo, e também procurar por tecnologias ou ideias inovadoras para suplantar a concorrência.
Parece quase impossível, mas nesta época em que as prioridades de TI se equivalem às prioridades dos negócios, o CIO parece ser o profissional melhor posicionado para desempenhar estes papéis.
Quem chegou até este ponto do artigo e desempenha o papel de CIO em alguma empresa, deve estar se perguntando se existe alguma receita para realizar todas estas funções ou então se preocupa com o que está por vir. Posso dizer que quem escreve estas linhas trabalha como CIO, tem as mesmas preocupações e desafios e não acredita em fórmulas mágicas. Resta aos atuais líderes de
tecnologia se adaptar. Mas não é isso o que temos feito todos estes anos?