Research In Motion ainda possui produtos fortes e presença no corporativo. Contudo, deve mover-se mais rapidamente para enfrentar competidores inovadores
Se existe alguma fabricante de telefones celulares intimamente vinculada com o mercado corporativo, essa é a canadense Research In Motion (RIM). O BlackBerry é quase sinônimo de smartphone do mundo executivo. A companhia, contudo, está frente a frente com um dilema e precisa mover-se para posicionar-se em um contexto que passa por transformações e recebe forte pressão de competidores inovadores. Com a concorrência ganhando musculatura, seguem cinco conselhos para que direcione seu posicionamento.
1) O telefone. Avaliando que todos os fabricantes parecem querer fazer uma versão melhorada do iPhone, a RIM tem a vantagem de prover dispositivos suportados na segurança do BES. A interface, contudo, segue um desafio. A companhia produz dezenas de protótipos para tornar a interação com os usuários mais direta. Ainda falta poder nessa frente.
2) Gestão de dispositivos móveis. Está aí um dos principais tópicos que passam pela cabeça dos CIOs. Se usuários caminham em direção de pressionarem a TI para usar seus próprios dispositivos, ou usar os corporativos para fins pessoais, há a necessidade de gerenciamento. A fabricante do BlackBerry já se preocupa com a questão há tempos através do estabelecimento de políticas e controles. Contudo, uma série de empresas surge provendo essa capacidade e tentando destronar a RIM. Muitas delas, já suportam multiplataformas.
3) PlayBook. Usuários finais procuram aplicações ? pessoais ou relacionadas ao trabalho, para diversão ou produtividade. Sem elas, tablets são quase nada. Steve Jobs já atentou para o fato. O Google faz o mesmo (de forma árdua). A RIM está sofrendo nesse ponto. Seu catálogo de aplicativos, na melhor das hipóteses, é fraco, mesmo que ela defenda-se dizendo que eles cumprem papel corporativo.
4) Android. Um colega disse que a cartilha de apoio da RIM para suportar aplicativos emulados da loja do Google em seu PlayBook cheira a desespero. Em sua visão, bastaria um clique para que 88% das aplicações Android baseadas em Java em seu dispositivo, o que dará aos seus usuários, rapidamente, uma extensa biblioteca. Muitos observarão, com razão, isso com um benefício extra.
5) Colaboração. Microsoft fez uma jogada ousada ao adquirir o Skype. Embora a RIM tenha sido bem sucedida até agora com seu BBM, esse mensageiro só funciona entre usuários de BlackBerry. O mesmo vale para funcionalidade recém-lançada de videochat. Mas empresas usam diferentes plataformas de comunicação. Talvez valesse refletir um pouco sobre a possibilidade de abrir o BBM, integrando-o com outras ferramentas de colaboração.
*Fritz Nelson é o diretor-editorial da InformationWeek EUA e produtor-executivo da TechWebTV. Fritz escreve sobre startups e empresas estabelecidas, mas gosta de explorar as múltiplas formas de mídia em sua escrita.