?O Brasil não é um país emergente, pois já emergiu há um bom tempo?, diz Léo Apotheker, CEO da fabricante, em passagem pelo País
Oito meses após assumir o comando da HP, Léo Apotheker passou pelo Brasil para reforçar as novas diretrizes e salientar a importância do mercado brasileiro para os negócios da corporação. O novo posicionamento mundial da organização baseia-se em três pilares principais: computação em nuvem, conectividade e software. ?Estamos moldando a empresa nesses ativos para agregar valor aos clientes e acionistas?, resume o executivo, que enxerga um momento de ebulição intensa no universo da tecnologia da informação e acredita que a extensão e robustez do portfólio da provedora irão ajudá-la a alcançar suas metas.
Apotheker afirma acreditar no nascimento de um novo formato de computação pessoal, com união de dispositivos. ?Não creio em era pós-PC?, sintetiza. O executivo, contudo, não duvida de uma evolução e ruptura do modelo vivenciado até hoje. Em sua visão, há uma convergência grande que acarretará novas categorias de dispositivos e modelos.
Falando em cloud, o plano consiste em desenvolver um conjunto de nuvens para ajudar os clientes em transição para ambientes híbridos. O movimento mira, ainda, dar escala e tornar mais estratégica a sua base atual de hardwares, softwares e serviços. Há, também, movimento para criar um mercado de aplicativos abertos que integrem os serviços de clientes, empresas e desenvolvedores.
?Por um lado, seremos uma companhia capaz de ajudar os clientes na adoção de clouds privadas; por outro, vamos prover nuvens públicas?, detalha o executivo, para acrescentar: ?há infraestrutura local para tanto?.
Na frente de conectividade, a meta tornar-se líder de mercado. Para tanto, pretende habilitar PCs e impressoras para rodarem sistema operacional na web. Pelo que diz o executivo, o objetivo ultrapassa a briga com a Cisco e a tentativa de fincar (de vez) a bandeira HP no mundo de dispositivos móveis. ?A visão de que trata-se apenas de smartphone é pequena quanto se trata do assunto?, pontua. Apotheker direciona a questão para possibilidades abertas a partir de comunicação entre máquinas (M2M) e entre homens e máquinas.
Mesmo assim, o CEO garante para breve o lançamento de telefones inteligentes e tablets da marca. Olhando além do que já foi feito por Apple e Google, nessa frente, a intenção da fabricante passa por posicionar-se como uma plataforma aberta de gerenciamento. Para tanto, pretende atrair desenvolvedores de aplicações para seu marketplace e ver rodar seu webOS em 100 milhões de dispositivos (telefones, computadores, impressoras) por ano.
Acerca do sistema operacional que chegou às mãos da HP como fruto da aquisição da Palm, o executivo revela que trata-se mais de algo a mais do que uma plataforma móvel. ?É algo conectado o tempo inteiro. Com experiência única e multitarefa em distintos dispositivos?, acrescenta.
O contexto como um todo mostra forte orientação em direção ao software, com vistas a aprimorar portfólio na parte de gerenciamento de um volume cada vez maior e não estruturado de dados e segurança. ?Trata-se de um componente importante em nossa estratégia?, resume o CEO, vislumbrando oportunidades também em ferramentas analíticas ? que pode engrossar o portfólio atual da provedora por meio de futuras aquisições.
Número 1 no Brasil
Atualmente, países do Bric respondem por 11% do faturamento global da HP, que no ano passado foi de US$ 127 bilhões. A fabricante posiciona a operação brasileira como estratégica. ?De alguns anos para cá, o País alcançou forte estabilidade econômica e política e isso fez com que ganhasse grande destaque no cenário internacional?, avalia Apotheker, repetindo o coro de que trata-se de um mercado importante e que a companhia quer explorar as oportunidades locais.
Sem abrir números locais, deu indicações de tal importância ao citar o centro de Pesquisa & Desenvolvimento inaugurado em 2003, e hoje com 600 profissionais (400 deles funcionários da HP), em Porto Alegre (RS), onde desenvolve projetos em conjunto com outros laboratórios HP em todo o mundo. Há um redirecionamento nessa frente. Até algum tempo, o site atendia preferencialmente requerimentos de laboratórios globais. Agora, alinha-se às necessidades brasileiras. Atualmente, diz a provedora, existem nove projetos para soluções específicas locais em andamento.
Apotheker reforçou a ?tropicalização? do webOS para o português e afirmou que a companhia continuará a praticar ?esse tipo de posição para ver os negócios em solo nacional crescerem de forma rápida?. Há intenção de alocar recursos aqui. ?O Brasil não é um país emergente, pois já emergiu há um bom tempo?, comenta. A ampliação da produção em solo nacional, por outro lado, passa pelas condições ofertadas.
Citando números da IDC, no último trimestre, a HP ultrapassou a Positivo e tornou-se líder em vendas de computadores no mercado brasileiro. ?E não é um diferencial pequeno?, diz Oscar Clarke, presidente da fabricante no País, que adverte: ?Não vejam essa assertiva como arrogância, mas como capacidade?. O executivo reforça que a meta da companhia é ocupar a liderança em todos os mercados-chave onde atua. ?Vamos perseguir isso de maneira obstinada?, afirma.