Empresa ganha com mobilidade, produtividade e redução de investimentos em telefonia
O projeto da Solutia, empresa do setor químico, spin-off da Monsanto com faturamento anual de quase US$ 3 bilhões e 5,1 mil funcionários, que demorou um ano para ser implementado e dois meses ganhar estabilidade, não acarretou em uma dramática economia nos gastos com ligações – grande argumento de marketing do mundo IP -, mas ofereceu melhorias em processos e redução de investimentos em infra-estrutura. Mobilidade e produtividade: eram estes os objetivos da empresa. “Vamos abrir um escritório em Buenos Aires (Argentina) e a estrutura de telefonia já está toda pronta. É só comprar os aparelhos”, conta Marcelo Rebouças, diretor de TI para América Latina e Ásia da Solutia.
Ele descreve ainda uma reunião feita recentemente com o departamento comercial, em que cada funcionário estava com seu ramal ligado por meio de softphone no notebook. A medida evitou que eles perdessem ligações de clientes. “Para que investir em um PABX convencional se as pessoas estão 90% do tempo fora da mesa? O mais importante é poder falar”, justifica.
O projeto, segundo ele, promoveu uma revolução na empresa americana do ramo químico, acostumada a focar na estabilidade e não no melhor resultado de uma nova empreitada, devido aos riscos inerentes à sua operação – qualquer falha pode causar grandes acidentes.
A primeira experiência da Solutia com o mundo IP começou em 1999, quando a empresa adquiriu uma outra companhia em Suzano, interior de São Paulo. A necessidade de integrar rapidamente a nova operação à sede, em São Paulo, se aliou às facilidades do uso da voz sobre IP (VoIP). “Em uma semana, os ramais foram entregues e a integração estava feita”, conta Rebouças.
Como à época, a empresa tinha fechado um projeto global de PABX com a Avaya e tudo corria bem, investimentos novos em telefonia estavam fora de questão. Passados quase dez anos, no entanto, era hora de discutir o que fazer. “Já que iríamos gastar dinheiro, optamos por investir em algo novo”, argumentou Rebouças com Eric Nichols, CIO mundial da Solutia naquele tempo. Pela iniciativa, o diretor foi escolhido como gestor mundial do projeto de atualização do sistema de telefonia da Solutia.
O projeto começou no Brasil com apoio da integradora PL Tecnologia e serviu como escola para o resto do mundo. “Este tipo de projeto é mais fácil de ser feito em países em desenvolvimento, onde a escala é menor e a infra-estrutura é nova, construída recentemente”, avalia. O alto investimento inicial, que afasta possíveis compradores da Telefonia IP, no caso da Solutia, acabou sendo um grande atrativo. De acordo com Rebouças, a atualização de software e hardware dos aparelhos legados ficaria em US$ 50 mil cada. Já os PABX IP custaram US$ 10 mil, mais o custo dos telefones IP, na faixa de US$ 100.
Como foi baseado em protocolos de código aberto, o sistema permite que praticamente todo tipo de aparelho seja conectado à rede, sem necessidade de configurações. Hoje, só no Brasil, a Solutia possui 115 ramais IP. Para Mendonça, a Solutia “aprendeu a comprar IP com o projeto de São Paulo”, o que ajudou na escolha dos sistemas no México, China e Singapura.
No México, a escolha foi por um sistema da Nortel. Na China, o modelo adotado foi o hosted PBX com a China Telecom, em que a operadora de telefonia entrega os aparelhos e o tom de linha, tirando da contratante a necessidade de investir em novos equipamentos. Em Singapura, o modelo foi o mesmo, mas realizado com uma empresa menor. “O escritório de Singapura dobrou de 2006 para 2007 e deve triplicar de tamanho até o fim deste ano. O problema da mudança agora é todo do comercial e de outros departamentos, não de TI”, destaca Rebouças.
Ter rigor e disciplina, além do conhecimento técnico dentro de casa são fatores importantíssimos para o sucesso de um projeto, na opinião do diretor. Por isto, ele investe no constante treinamento das equipes, o que garante melhor gestão dos projetos, e conhecimento para comprar dos fornecedores mão-de-obra e não de tecnologia. “O foco é vender e produzir com qualidade; não gastar tempo com TI”, reforça.
Mesmo tendo visto seu orçamento de TI cair nos últimos anos – de US$ 2,5 milhões, em 1999, para os atuais US$ 800 mil na América Latina e de US$ 4,2 milhões para US$ 2 milhões na Ásia – Rebouças acredita que hoje consegue entregar 50% mais de trabalho na Solutia por conta do planejamento bem-estruturado da área. Mas esta já é história para um outro case.