Empresas do setor sofrem com instabilidades políticas e macroeconômicas há quase duas décadas
Dez anos em um
Não é por acaso que as empresas que estão na elite do uso de TI no setor parecem viver uma década em apenas um ano. Com faturamento de R$ 442,6 milhões em 2007, cifra 13,6% superior a de 2006, a Companhia Hering, por exemplo, passou de 2005 a 2007 praticamente arrumando a casa em termos de automação de processos corporativos. “Derrubamos um prédio e construímos outro”, comenta o CIO Marcelo Camêlo.
Nesse período, o mainframe foi trocado por tecnologia Risc e um novo ERP foi instalado. Ao mesmo tempo, a força de vendas ganhou smartphones com acesso remoto ao sistema (alguns com tecnologia de terceira geração de telefonia), adotou-se o gerenciamento por Itil (Information Technology Infrastructure Library) e até um portal colaborativo no estilo Wiki foi instalado. A empresa tem 125 anos de existência e planeja dobrar o tamanho e o faturamento até 2010. O papel da TI nisto é importantíssimo. “A área precisa garantir o fluxo normal de trabalho e ainda sustentar o crescimento”, destaca Camêlo.
O momento da TI na Hering serve de receita de sucesso para o setor. Para resistir às pressões macroeconômicas é preciso alinhar aumento de produtividade, ganho de escala e redução de custos operacionais. Tudo isto está no escopo da tecnologia da informação, principalmente depois que ela ganhou adeptos nas áreas de negócio e passou a fazer parte da rotina de prospecção de novos nichos de mercados e dos projetos de inovação.
Na fabricante de tecidos para confecção Santista Têxtil, a proximidade entre tecnologia e negócios já é uma realidade. A área de marketing, que sempre utilizou pesquisas e informação de diversas fontes conta, desde o fim de 2007, com um portal de “inteligência de mercado”. Ele funciona como repositório de toda informação relevante que pode servir para a criação de produtos e o fortalecimento da imagem da empresa. Quem supre este manancial são os próprios funcionários. “Antes, isto ficava isolado com cada um, no computador, em papéis, planilhas e apresentações”, lembra a gerente de marketing para a América Latina da Santista, Maria José Orione.
A realidade é outra agora: quem tem necessidade dessas informações pode acessá-las por meio do portal e ter seu trabalho facilitado. Todos ainda estão aprendendo a trabalhar com isso, mas não deve demorar muito até surgirem novidades. “É fácil como o Google, que todos já sabem mexer”, diz Maria José. Esse é outro papel fundamental da TI no setor. “Ela deve desmitificar o conhecimento como forma de poder no ambiente corporativo”, destaca a executiva.