Empresas do setor sofrem com instabilidades políticas e macroeconômicas há quase duas décadas
Disposto a evoluir
Há oito anos, a área de TI da Paramount Têxteis parecia estar ainda na década de 1980. “Os desktops eram de tela negra e letras amareladas”, lembra o gerente de TI, Marcos Antonio da Silva. Existia um gerenciamento eletrônico de processos somente no financeiro e na contabilidade, a rede era com cabo coaxial, não existia interligação com outras unidades e havia muito aplicativo específico em Cobol e Clipper. “Me senti como se tivesse sido contratado para pintar uma parede, só que não havia parede”, brinca Silva.
A companhia tem 113 anos de mercado e atua em vários elos da cadeia produtiva, sendo detentora das marcas Collezione Paramount (tecidos), Lansul (fios industriais), lãs Pingouin, além ter alguns de seus produtos em ternos de alto-padrão. Apesar de não divulgar quanto fatura, especula-se que o valor gire em torno de R$ 270 milhões. A idade, que já pesava nesse retrato quase vitoriano, tinha aspectos de velhice mesmo, não de experiência. Isto precisava mudar.
Hoje, o ambiente de TI está bem mais atual. O ERP foi modernizado e abrangeu outras divisões. As cinco plantas da empresa têm link de dados e ninguém mais aperta os olhos para enxergar letras embaçadas em uma tela ofuscada. A empresa já sente a economia da telefonia por protocolo de internet, trabalha para fazer a integração de seu braço no varejo e prepara a entrada definitiva no e-commerce. Os planos incluem o uso de um CRM para aproveitar, nas estratégias de marketing e vendas, o contato com o consumidor final vindo com as lojas físicas e a virtual.
A associação do setor não tem dados sobre quantas empresas estão no mesmo momento da Santista ou quantas ainda nem passaram por isto. Mas quem vive de vender tecnologia para esse setor considera que há negócios promissores. “Há segmentos maiores, mas o têxtil traz oportunidades nas suas demandas específicas”, explica o diretor de produtos e tecnologia da Datasul, Edmilson Corrêa. Não é um setor que prima pelos budgets gordos, nem tampouco é feito aos arroubos dos early adopters, porém, é um segmento que procura uma proximidade cada vez maior com as vantagens e as visões estratégicas que a TI pode fornecer. Até porque, sem este desejo, a própria sobrevivência se restringe às costumeiras reclamações sobre os desmandos da política e a instabilidade da economia mundial.