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Como evitar o menosprezo em relação à área de TI | Pág. 2

Gerentes corporativos, que acreditam saber mais que o CIO e criam seus próprios projetos de tecnologia, são um pesadelo para o departamento

Publicado: 30/04/2026 às 17:15
Leitura
7 minutos
Como evitar o menosprezo em relação à área de TI | Pág. 2
Construção civil — Foto: Reprodução

O FATOR “NÃO”

Essa reputação de “dizer não” é um dos fatores que ajudaram a criar a

síndrome de “evitar o departamento de TI”. Certas indústrias, como as

de serviços financeiros e de assistência médica estão adotando uma

abordagem de “bloquear” a TI, principalmente por causa das restrições

de regulamentação. Em muitas organizações, as preocupações com

segurança e privacidade tornaram os CIOs hipervigilantes quanto a impor

padrões e manter os usuários em condições de igualdade.

Todavia, uma companhia ultramoderna está adotando a abordagem

contrária, como o modelo do Google, que permite que seus funcionários

escolham entre diversos tipos de PCs e sistemas operacionais, e façam o

download dos aplicativos que eles quiserem. Mas a TI pode não ter muita

escolha: afinal, os funcionários são, em sua grande maioria,

especialistas em tecnologia.

A companhia resolve internamente as questões de segurança mais óbvias,

fortalecendo a infra-estrutura, em vez de bloquear as extremidades,

como a maioria das empresas faz. Esse modelo com base na escolha é

menos eficiente em custo do que padronizar o hardware e o software para

os usuários finais. No entanto, desta maneira o Google obtém uma

produtividade um pouco maior de seus profissionais de tecnologia.

Jeffrey Neville, CIO da Eastern Mountain Sports, varejista no setor de

equipamentos para esportes radicais, não chega a esse extremo, mas

encoraja seus funcionários, especialmente os diretores de nível médio,

a experimentarem técnicas e ferramentas de marketing online, tais como

as redes sociais e vídeo por IP.

Essa abordagem proporciona o que ele chama de “iniciativa de pesquisa e

desenvolvimento distribuídos”, similar ao modelo pelo qual a Procter

& Gamble incentiva pessoas que não trabalham para a companhia a

apresentarem novas idéias e invenções. Neville diz que considera as

capacidades técnicas dos funcionários de sua companhia como uma

oportunidade, “não como um desafio ou um problema”.

O desconhecimento da tecnologia apresenta seus próprios problemas para

a TI, como nas empresas nas quais as pessoas não têm experiência com

tecnologia. Isto as deixa mais vulneráveis aos ?discursos’ dos

fabricantes e torna mais provável que elas comprem um produto que não

se adapta aos padrões ou exigências de infra-estrutura da companhia.

COLOCAR A TI EM OPERAÇÃO NÃO É O SUFICIENTE

A base mais ampla do conhecimento sobre tecnologia, seja ele adquirido

com a experiência ou não, é um aspecto importante na mudança

significativa que vem ocorrendo no que se refere ao papel do CIO. Se

eles quiserem adquirir – ou manter – o status de executivos seniores,

eles precisam evoluir da condição de “gurus” de tecnologia para a de

estrategistas corporativos. “Não podem simplesmente colocar a TI em

operação”, descreve Jeanne Ross, do MIT.

Uma razão fundamental para isso é que um número maior de executivos

está assumindo mais responsabilidade pelos projetos de TI dentro de

seus domínios, como quando o diretor-financeiro implementa um

aplicativo para a elaboração de orçamentos ou o departamento de vendas

e marketing utiliza um aplicativo de CRM. Isso deixa os diretores de TI

com uma opção: manter uma infra-estrutura de nível inferior ou avançar.

Jeanne não é a única a observar essa mudança nas responsabilidades

referentes à TI. “Podemos verificar isso quando realizamos nossas

avaliações de retorno de investimentos (ROI)”, salienta Ian Campbell,

presidente da Nucleus Research, consultoria especializada em examinar o

ROI de projetos de TI. Campbell diz que ele e seus pesquisadores

terminam conversando sobre os projetos de TI e seus resultados cada vez

mais com os profissionais do setor corporativo e cada vez menos com o

CIO. Outro sinal da mudança, de acordo com Campbell, refere-se aos

orçamentos dos projetos de TI, que estão sendo menos incluídos em TI e

mais nos orçamentos departamentais. Isso ocorre porque muito

freqüentemente é o gerente do setor corporativo quem percebe o valor do

projeto de TI e, então, o articula junto ao diretor-executivo.

Richard Dellinger é co-fundador e vice-presidente de desenvolvimento na

Adaptive Planning, empresa que comercializa aplicativos de software

como serviço para elaborar orçamentos, previsões e relatórios. A

Adaptive tem cerca de 200 clientes e vende seu serviço principalmente

para diretores-financeiros, controllers, vice-presidentes de finanças e

de planejamento. “Quando o departamento de TI se envolve nas vendas, é

para verificar a segurança, como o aplicativo está hospedado, como são

feitos os backups”, esclarece. Mesmo considerando que os serviços

online estão conquistando maior popularidade e importância, Dellinger

garante que as companhias sempre precisarão das organizações de TI para

se focalizarem em sistemas legados, como registro geral, bancos de

dados e redes.

Esteja ele se engrandecendo ou não, a questão levantada por Dellinger é

importante. À medida que a responsabilidade pelos projetos de

tecnologia se expande para mais divisões de uma organização, o que fica

para a TI é, digamos, o “trabalho pesado”. Mas é necessário que alguém

supervisione os processos corporativos, implementados ou modificados

por esses novos aplicativos. O CIO é a pessoa que, pela lógica, deve

cumprir com esse papel. “Melhor do que ninguém, ele reconhece que as

decisões relativas à TI são sobre processos corporativos”, menciona

Jeanne, do MIT, que criou um título para esse cargo: diretor de

execução estratégica.

MANTENHA-SE NA ATIVIDADE

Existem etapas que os CIOs podem realizar, de imediato, para impedir

que os outros departamentos evitem recorrer ao de TI. Um instrumento

ineficiente é apelar para o diretor-financeiro implementar uma política

corporativa destinada a ditar que todos os contratos referentes à

tecnologia precisem ser assinados em conjunto por um representante de

TI. Um método mais construtivo é manter a divisão de tecnologia

estreitamente relacionada com o setor corporativo.

Para os diretores-executivos, que já estão sobrecarregados, desenvolver

relacionamentos pode ser uma atividade demorada. “Continuam aumentando

as expectativas quanto ao que pode ser fornecido”, afirma Frank

Modruson, diretor de TI da Accenture. Contudo, Modruson não se sente

intimidado: sua companhia está imersa em TI. Em uma reunião do seu

comitê de tecnologia, realizada recentemente, Modruson descobriu que o

diretor de operações financeiras queria conversar sobre “a

dimensionalidade dos dados”.

Em vez de ficar exasperado, Modruson sentiu-se revigorado. “Se você

pode acreditar nisso, então, estamos tendo uma conversa sobre

arquitetura de dados com os profissionais corporativos”, comemora. A

vantagem do CIO é que os executivos corporativos se tornam aliados que

podem ajudar a “fazer a companhia progredir melhor e mais rapidamente”.

Mas você não pode permitir que eles desanimem.

Sendo conquistada da forma correta, a condição de ter aliados em todos

os setores da companhia pode melhorar muito a reputação da divisão de

TI. Michael Pellegrino, vice-presidente de TI da Fujifilm, acredita que

seu grupo tem realizado um bom trabalho. “Existem poucas atribuições da

TI sendo realizadas fora. Na maioria das vezes, eles recorrem

primeiramente a nós.” Por exemplo, recentemente, uma das divisões de

vendas se dirigiu à TI para solicitar a implementação de um “CRM mais

leve”, o que na verdade era uma ferramenta instalada sobre o Outlook. O

grupo de vendas já havia analisado a ferramenta. “Desde que a divisão 

esteja disposta a assumir os custos, este é um excelente projeto”, ele

acrescenta. “Eles sabem o que querem, e nós temos condições de atender

às necessidades dentro de um prazo razoável.”

Entretanto, a programação que Pellegrino estabelece para esse projeto –

“semanas ou meses” – poderá testar a paciência de seus gerentes

conhecedores de tecnologia. Provavelmente, seria melhor não testar

demais a paciência deles, Michael.

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