Para 57% das participantes, TI representa agilidade corporativa e adaptabilidade ao negócio
O Brasil vem experimentando um forte crescimento do mercado de construção civil. De acordo com pesquisa mensal do SindusCon-SP e da FGV Projetos, em 12 meses encerrados em agosto, a indústria aumentou em 20% o número de empregos, ou seja, 357 mil novas vagas com carteira assinada. O total de empregados pelo setor chega a 2,1 milhões.
Apoiada no crescimento da disponibilidade de crédito, uma parcela da população saiu em busca de sua casa própria e as empresas precisaram ampliar seus escritórios e parques industriais para suportar o crescimento. A Cyrela Brazil Realty, umas das maiores incorporadoras do Brasil, passou por estes dois momentos, depois de ver seu negócio fortalecer-se após a abertura de capital, em 2005. Diante deste cenário e precisando tomar decisões cada vez mais rápidas, a empresa tem focado nos investimentos em TI. O orçamento da área cresceu e o departamento ganhou um comitê para discussão de seus projetos.
Esta visão está bastante alinhada com as respostas apuradas para o setor. Para 57% das participantes da categoria, o item que melhor representa o critério de desempenho da TI para a organização é a agilidade corporativa e a adaptabilidade que ela proporciona ao negócio. Uma percepção bastante diferente do que foi levantado na avaliação geral, na qual a agilidade aparece com apenas 21% das respostas e a demonstração do valor presente líquido e a taxa interna de retorno é o item principal para 48% das empresas.
De acordo com o CIO, Rogério Pires, a estratégia da TI está baseada em quatro elementos para atender ao crescimento da incorporadora: ERP, CRM, BI e o projeto de segurança da informação. Em 2008, a companhia classificou-se em segundo lugar no segmento e 48º no geral.
O ERP da SAP, que começou a ser adotado em agosto do ano passado, será a grande espinha dorsal para alimentar as decisões da companhia e os sistemas de CRM Dynamics, da Microsoft, e de BI, da Cognos. Ele será utilizado não só pelos departamentos substituindo as aplicações legadas, mas também por 15 parceiros (empresas nas quais a Cyrela detém participação no capital), em um total de 1,2 mil usuários. “Vamos implementar 13 módulos da versão do SAP voltada para o segmento de construção de uma vez só. Ninguém fez isto até hoje em volume e sofisticação.”
O go live está agendado para janeiro de 2009 e o processo será usado como referência mundial da fornecedora alemã. “Teremos mais qualidade das informações e rastreabilidade, o que é importante para uma empresa de capital aberto.”
Fundamental para a Cyrela neste ano também foi o processo de mudança para a nova sede, que resultou na remodelagem de sua rede, evoluindo para o IP puro, e padronizando o ambiente de segurança da informação com equipamentos de um só fornecedor. Além da maior disponibilidade e da redução de custos de telefonia com o uso de VoIP, a idéia ainda é integrar a rede IP com o sistema de CRM, permitindo que um cliente seja atendido de forma mais personalizada e por alguém com quem já tenha falado antes quando procurar a Cyrela. Mas este é um projeto para 2009.
Apesar do processo de inovação não ser formalizado dentro da Cyrela, a pesquisa de novas soluções não está parada. Entre os principais tópicos está a mobilidade. “No ano que vem, queremos portar o CRM para dispositivos móveis”, antecipa Pires. “E faremos isto com o BI também”, completa, voltando ao ponto inicial de permitir que as decisões sejam tomadas de forma mais rápida e com informações em tempo real.
Eficiência na entrega
Quem também está atrás de tornar os processos mais ágeis – só que neste caso na entrega de seus produtos – é a Cebrace, joint venture da inglesa Pilkington e da francesa Saint-Gobain na área de vidros float. A organização ocupa a 52ª colocação no geral e a terceira na categoria.
Assim como na Cyrela, o processo passa pela implantação de um sistema de gestão integrada (ERP), coincidentemente também da SAP. “A solução garante uma agilidade que o legado não tinha, uma vez que não era integrado. Por isso, dava abertura a práticas não muito adequadas”, comenta Gilberto Zanlorenzi, CIO da Cebrace.
A implementação começou em 2007, com go live em fevereiro deste ano. De acordo com o executivo, o trabalho da área de TI tem sido forte na logística da empresa, pois é aí que ela pode melhorar o serviço para os clientes finais.
Desde 2004, os pedidos de seus clientes são feitos 100% por meio da ferramenta de comércio eletrônico, adotada quatro anos antes. “Ela não é um mero captador de pedido. Faz análise de disponibilidade, reserva do produto em estoque, fornece prazo para a entrega e agenda a retirada.” Quando chega para pegar o produto, o motorista do cliente ou da transportadora se identifica por meio de totens disponíveis na entrada da companhia e a equipe do estoque – equipada com coletores de dados de mão – já prepara a retirada do produto. Caso o motorista já tenha cadastro no banco de dados da Cebrace, o seu reconhecimento é feito pela impressão digital.
Com este sistema, o executivo afirma que a empresa já conseguiu conquistar diversos clientes que importavam vidro de outros países. O próximo passo agora é permitir que eles próprios agendem o horário que desejam retirar os pedidos, o que reduzirá o estoque parado nos armazéns e aumentará o comprometimento entre cliente e Cebrace. Para 2009, Zanlorenzi planeja ainda ampliar o uso do módulo BW em mais áreas da empresa e consolidar o uso do Project System (PS) no acompanhamento da construção de uma nova unidade, além de expandir o módulo de gestão de documentos para todos os materiais eletrônicos da empresa.