Pesquisa da Universidade de Melbourne, na Austrália, no entanto, é contestada por especialista brasileiro
As empresas que costumam bloquear o acesso a sites da internet para seus funcionários podem estar dando um “tiro no pé”. Um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, sugere que funcionários que passam algum tempo surfando na web têm maior produtividade que aqueles que não passam.
“As pessoas que usam a internet por diversão no trabalho, dentro de um “limite responsável” de até 20% de seu tempo no escritório, são cerca de 9% mais produtivas que aquelas que não o fazem”, explica o professor Brent Coker, do departamento de Administração e Marketing da universidade.
A tese do professor é que as pessoas que se dão uma espécie de “recompensa” ao terminar uma tarefa, como dar visitar blogs ou sites de relacionamento, conseguem “reorganizar” suas mentes. E, ao fazer isso, estarão mais concentradas para a próxima tarefa. “Se não nos damos a chance de fazer uma pausa entre essas atividades, nossa concentração desliza”, alerta Coker. A ressalva fica por conta das pessoas consideradas “viciadas” na rede mundial de computadores – para elas, quanto mais internet, menos produtividade.
“A minha opinião é que 9% a mais de produtividade é muito pouco para até 20% do tempo de trabalho gasto na internet”, discorda Christian Barbosa, diretor da Triad Consulting, empresa especializada em gestão do tempo e produtividade, e autor do livro A Tríade do Tempo.
Ele diz que já procurou o professor Coker para saber mais detalhes sobre o estudo, especialmente porque esta seria uma das primeiras pesquisas a apontar que as pessoas se tornam mais produtivas ao “perder tempo” na internet.
“Há uma pesquisa do MIT (o Massachusetts Institute of Technology, nos EUA) que está para ser publicada e que mostra justamente o contrário”, conta Barbosa. “A internet é um meio sorrateiro para nos fazer perder a atenção, porque há muita interatividade.” E pedir para os funcionários terem autocontrole, diz ele, é como pedir “para uma criança se controlar numa loja de doces.”