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Setorial: como a educação desafia a TI

Novo perfil de aluno cria desafios para CIOs das universidades brasileiras, que precisam inovar em ferramentas e na implementação de serviço

Publicado: 07/05/2026 às 01:45
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13 minutos
Setorial: como a educação desafia a TI
Construção civil — Foto: Reprodução

O universo de clientes que eles precisam “cuidar” está em ebulição. O último Censo da Educação Superior, elaborado pelo Ministério da Educação e divulgado em fevereiro de 2009, apontou que o País possui 4,8 milhões de alunos cursando graduação. A expectativa é que 30% da população brasileira tenha curso superior até 2011 – isto sem contar os alunos de pós-graduação. Para onde caminha o setor? Quais os desafios para a TI? Que frentes explorar? Apesar de as respostas dependerem muito do momento de cada instituição, um ponto é consenso: investir em serviços via web para desburocratizar processos.

A dinâmica do setor é tamanha que, em 2007, um grupo de CIOs da área educacional decidiu criar o que chamou-se de Confraria GTI. O objetivo é discutir, em reuniões bimestrais, os desafios, as novas soluções e os rumos da tecnologia no mundo da educação. O gestor do grupo e diretor de serviços compartilhados do Ibmec-SP (departamento onde se inclui a TI), Christian Menescal, explica que a demanda por serviços virtuais é imensa, principalmente em São Paulo, pela dificuldade de locomoção. “Começamos a fazer um rascunho de como melhorar os serviços virtuais, seja para assistir aula, acessar o conteúdo gravado ou a biblioteca de vídeo. Procuramos ambiente de colaboração”, explica Menescal, ao relatar experiências no Ibmec-SP.

Padrão internacional

Como os desafios acompanham o momento de cada instituição, a realidade de Menescal é diferente da vivida por Darcius Danilevicz, diretor de tecnologia da informação da Universidade Anhembi Morumbi. Ele e sua equipe de cerca de 150 pessoas (incluindo o pessoal do suporte) vêm trabalhando duro no processo de internacionalização da instituição, que há quatro anos tem entre seus acionistas o grupo Laureate International Universities. “Há uma mudança no modelo de gestão, partimos do empreendedorismo para profissionalização”, avalia.

Além das tarefas de rotina, como cuidar dos laboratórios de informática (que em 2008 receberam 1,3 mil novas máquinas), Danilevicz está adequando a Anhembi às “práticas globais de educação de ensino superior”. Essa movimentação inclui a adoção de um novo sistema de gestão – até então, o programa utilizado era um desenvolvido internamente. O ERP escolhido foi o da Sungard Higher Education, empresa norte-americana especializada em fornecer este tipo de sistema para universidades.

A Laureate possui um acordo global com o fornecedor e tem nos planos um projeto de integrar todas as unidades do grupo internacional. Assim, a utilização do mesmo software de gestão torna-se inevitável. “O software é flexível e permite desenhar processos e colocar características de negócio e perfil brasileiros, como vestibular e Prouni”, informa Danilevicz.

Desde fevereiro o sistema está em implementação em um processo que deve se estender ao longo do ano. Sem dúvida, trata-se do maior projeto que o executivo tocará em 2009. “Toda a preparação foi muito intensa. Não somente devido ao ERP; é preciso mudar a organização, o perfil. Será adquirida infraestrutura nova e vamos estudar o modelo de outsourcing, pouco utilizado em educação”, complementa.

Em alinhamento com a demanda de serviços online, o executivo adiantou que, a partir da adoção do software, a Anhembi conseguirá oferecer aos alunos uma série de possibilidades, que vão além da consulta de notas e disciplinas. Os estudantes terão, por exemplo, agenda e matérias integradas ao sistema de ensino a distância e ainda contar com o sistema de gerenciamento do ensino Blackboard, que pode complementar a aula presencial com conteúdos na web. “Vamos deixar os serviços disponíveis aos poucos.”

Falta de opções

A adoção de sistemas de gestão, aliás, é um tema que vem levantando discussões no Brasil. A própria Confraria GTI passou o ano de 2008 refletindo a questão em seus encontros, contando com a presença de fornecedores como Oracle, SAP, Microsiga e Sungard. Nos Estados Unidos, de acordo com o grupo, as universidades trabalham com ERPs há mais de 20 anos, mas, por aqui, as soluções ainda costumam ser caseiras. Uma das razões pode ser a pouca oferta de um produto específico para o setor. “Há uma total ausência de boas soluções no mercado nacional em termos de garantias. Talvez com a Sungard no Brasil e o reaquecimento da Oracle poderemos ter softwares de qualidade”, avalia Menescal, que negocia com a norte-americana a compra do ERP para o Ibmec-SP. 

A falta de opções no mercado nacional faz com que a diretora-geral da Sungard Higher Education Brasil, Swinda Piquemal-Salazar, veja como principal concorrente no País os desenvolvedores internos. “Nossos maiores concorrentes lá fora são SAP e Oracle. Já no Brasil, são os departamentos internos de TI. Mas SAP e Oracle vão olhar o Brasil como possível mercado e passar a oferecer soluções para o setor”, acredita.

Uma das universidades que ainda optam pelo desenvolvimento interno, pelo menos em parte, é a Presbiteriana Mackenzie. José Augusto Pereira Brito, CIO da instituição, contou que já foi ao mercado em algumas ocasiões e que nenhuma das soluções encontradas seria adequada ao porte da Mackenzie (são mais de 46 mil alunos). “Temos o nosso ERP há quase 20 anos. Ele tem processos detalhados da organização e com isto ganhamos agilidade”, argumenta, lembrando que há atualização tecnológica sempre que necessário. Brito acredita ainda que na renovação do sistema a relação custo-benefício acaba prevalecendo. Na área administrativa, no entanto, a solução é da Microsiga.

A agenda do CIO, entretanto, vai muito além da implementação de sistemas de gestão. Brito está atento às necessidades atuais da organização e foi responsável por projetos como o provedor de internet, a adoção da web como plataforma para oferecer serviços aos alunos e a implementação do Moodle como sistema de gerenciamento de ensino (LMS, na sigla em inglês), muito utilizado para ensino a distância. “O Moodle software temas mesmas funções do Blackboard, mas é open source”, explica o diretor.

Adotado em 2007, o sistema está integrado ao ERP e por meio dele os alunos podem acessar o conteúdo de aula e participar de processos de recuperação ou dependência. “Fazemos o uso comedido da ferramenta”, ressalta, ao lembrar que a universidade ainda não utiliza todo o potencial do sistema. Mas lembra: “tudo caminha para o virtual e isto é irreversível”.

Quem também utiliza sistemas desenvolvidos internamente é a Universidade de São Paulo (USP). Por ser uma instituição pública, onde os processos de compra passam por complexos editais, talvez a utilização da capacidade de produção da equipe seja a decisão mais acertada. Por lá, cerca de 100 mil pessoas – entre funcionários, alunos, docentes e aposentados – dependem das soluções apresentadas pela equipe de TI. A universidade, no entanto, possui suas particularidades. A área de tecnologia é dividida em duas: departamento de informática (DI), responsável pela criação de sistemas para a administração, e a coordenadoria de TI (CTI), onde estão centralizados os serviços de rede, audiovisual e infraestrutura para ensino e pesquisa.

Os sistemas desenvolvidos pela equipe do DI contemplam tanto a administração quanto a vida acadêmica. Por meio deles, alunos têm acesso a diversas funcionalidades pela web, como matrícula, grade curricular, notas e marcação de defesa de tese. E, em breve, eles terão também a possibilidade de armazenamento de dados com o lançamento do USP Virtual, um portal trabalhado pela CTI que, depois de login e senha, direcionará o usuário para sua “cidade”, com serviços de acordo com o perfil. Os programas atendem a todos os campi da USP na capital e interior do Estado, mas a gestão, entretanto, é centralizada. “Os dados são replicados para cada unidade. A alimentação é central, mas o manuseio é descentralizado”, explica Sérgio Poltronieri, responsável pelo DI.

Existem ainda os detalhes que estão por trás dos softwares, como algoritmos para melhorar e controlar o acesso, que permite, por exemplo, bloquear acesso aos sistemas logo após a entrega da tese. Segundo Poltronieri, entre os próximos desafios da equipe do DI está a melhoria dos serviços na web, como autenticação de documento  e o cruzamento de dados com CNPQ e Capes.

Nova era

O amadurecimento do setor de educação deve fazer com que os ERPs se popularizem nas principais universidades, que deixariam de lado a solução caseira para a adoção de um sistema mais complexo e em linha com o mercado internacional. No exterior, já existe um movimento para SaaS e open source também. Mas isto representa apenas parte do desafio da TI.

Na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), a chegada das novas tecnologias é sempre bem-vinda e ajuda a instituição a se preparar para as novas exigências dos alunos. O gerente de informática da instituição, Paulo Klein, explica que o projeto de educação a distância está sendo construído no longo prazo com o objetivo de a Faap oferecer uma complementação ao estudante. A universidade também está de olho nas tendências dos jovens. Com um público predominante da classe A, a instituição precisa estar sempre atualizada, já que seus estudantes costumam ter acesso facilitado às tecnologias de vanguarda. A faculdade possui no campus rede wireless desde 2004.

Por lá, onde há quatro anos 98% das matrículas acontecem na web, o ERP administrativo é Oracle e o acadêmico, Liceu. A equipe da TI de 30 pessoas, que viu o acesso à rede crescer com a chegada do iPhone e a popularização dos netbooks, precisa trabalhar com a cabeça à frente. Líder do grupo, Klein avalia a mobilidade como tendência. “Estamos nos preparando para essa mudança, do e-learning para mobile”, confirma.

O avanço na criação do campus virtual e a ampliação dos serviços neste ambiente para atender à demanda dos alunos vêm acompanhados de outro desafio: criar conteúdos em diversos formatos. Isto fez com que o vídeo se tornasse outro tópico a ser trabalhado pelos CIOs. “De forma geral, nas diversas escolas, vamos ouvir falar muito de serviços virtuais e vídeos. Nos próximos anos, elas precisarão se preparar para isso. O vídeo online deve ser discutido pela Confraria em 2009”, confirmou Menescal.

Na USP, a demanda deve atender aos novos cursos a distância. Quem cuida desta parte é a CTI, coordenada por Gil da Costa Marques. O departamento, responsável pela infraestrutura de rede, ferramentas para gerenciamento de cursos e web, trabalha para inaugurar mais 14 estúdios. “Estamos tentando adquirir certa experiência pensando em apoio ao ensino presencial e aos novos cursos não-presenciais”, informou. A USP ainda possui um laboratório de IPTV, que vem pesquisando o setor há um ano e quatro meses. Atualmente, a tecnologia é usada apenas para vídeos interno.

A Mackenzie tem experiência exitosa na área de vídeos, apesar de ainda não haver grande demanda interna. De acordo com o CIO, a universidade investiu em uma placa da Accordent para webcast, produto importado dos Estados Unidos e com viés para ensino a distância. “Lá (nos EUA), cada sala tem uma câmera e tudo cai no servidor, integrado ao LMS que pode ser baixado pela internet”, analisa. TV Digital e IPTV também estão na pauta de Brit. “Temos um núcleo trabalhando com IPTV, mas ainda não usamos. Se houver a demanda, estamos pronto. Queremos, neste momento, integrar a questão da voz, a falada comunicação integrada, isso mexe com toda a área”, comenta.

Nas instituições de ensino, a realidade brasileira está bem distante da de países como Estados Unidos ou México. Na avaliação da diretora-geral da Sungard Higher Education Brasil, Swinda Salazar-Piquemal, a adoção de tecnologias e a melhoria de processos no País ainda perdem para outras nações. De acordo com ela, é difícil comparar o Brasil com países europeus ou os EUA, pois as universidades são muito antigas e há anos vêm investindo em inovação tecnológica.

O relatório Campus Computing Report, que teve seu primeiro volume elaborado em 1990, traz um diagnóstico do setor e deixa claras as diferenças que cerceiam os mercados. Nos EUA, escolas e universidades têm grandes demandas na área de segurança. Mais de 50% das instituições utilizam ferramentas de sistema de gerenciamento de ensino (LMS, na sigla em inglês). Na área de ERPs, as universidades americanas trabalham com a possibilidade de adotar plataformas open source ou programas via conceito de sofware as a service (SaaS). Outsourcing também é um tema que ganha grande dimensão no mercado norte-americano.

Para Christian Menescal, da Confraria GTI, um fator importante na comparação entre Brasil e países ricos é o orçamento destinado à TI. Segundo o executivo, no Brasil o orçamento gira em torno de 3% da receita, enquanto, no exterior, isto chega a 9%. “Nosso vilão aqui é a carga tributária. Estamos longe em orçamento, mas perto em termos de entrega de serviço”, analisa. Ele ainda lembra que são poucas instituições no País que se aproximam do nível as universidades internacionais.

O que o mercado tem feito

Se você quer que sua universidade esteja entre as principais, no que diz respeito à atualização tecnológica, é bom ficar atento às tendências do setor:

– Serviços na web: consulta de notas e matrícula online apenas já não agradam como antes. Os alunos exigem cada vez mais dessa plataforma, por isto, é preciso pensar em ferramentas que facilite o dia-a-dia e complemente o ensino.

– LMS: apesar de não ser um sistema novo, ainda não é muito popular no Brasil. Há os que são pagos, como o Blackboard, e os open source, como Moodle. Vale pesquisar e adotar. Eles podem ser integrados ao ERP e proporcionar boas experiências.

– Vídeo: nos Estados Unidos, diversas instituições possuem câmeras em salas que são integradas aos LMS e também aos ERP, todo o conteúdo vai para web e pode ser baixado pelos alunos. Isso facilita quando alguém falta à aula ou quer rever alguma explicação.

– ERP: se o seu sistema é caseiro e possui falhas, passe a considerar um produto adquirido, o mercado deve apresentar novidades em breve, sobretudo para as universidades de menor porte

Fonte: executivos entrevistados

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