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Organização da Copa 2014 ainda não definiu estratégias de TI e telecom

Base da captação e transmissão dos jogos e essencial para turistas e jornalistas, a infraestrutura tecnológica não entrou na pauta

Publicado: 07/05/2026 às 17:34
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6 minutos
Organização da Copa 2014 ainda não definiu estratégias de TI e telecom
Construção civil — Foto: Reprodução

Os preparativos para a Copa do Mundo

de 2014, que será realizada no Brasil, já começaram. Espalhados nas 12

cidades-sede, os comitês organizadores colocam no papel sua seleção de ideias

para apoiar a realização e a transmissão deste espetáculo. Mas, na disputa por

espaço nas discussões para angariar investimentos para os projetos, os setores

de tecnologia da informação e telecomunicações estão perdendo de goleada para

outras verticais da economia.

Atualmente, é muito mais fácil ver

os esforços (e as cifras) já definidos sobre as reformas aeroportuárias,

hoteleiras e de saneamento básico do que como será trafegado o volume imenso de

dados de um evento que tem tudo para ser um marco na história brasileira da

digitalização das comunicações. No Ministério das Comunicações, há uma

avaliação em andamento numa comissão especial, vinculada ao Ministério dos

Esportes. Mas ainda não existe cronograma montado, nem previsão de finalização

deste primeiro parecer. Somente a partir do resultado do trabalho inicial será

elaborado todo o plano de para o evento.

Para muitos, a discussão deveria

estar mais avançada, uma vez que a Copa coloca em jogo mais do que grandes

times nacionais em

disputas acirradas. Ser palco de um evento desta proporção é

a chance do País avançar décadas de desenvolvimento em somente alguns anos.

Para se ter uma idéia, em São Paulo os investimentos de R$ 32 bilhões previstos

vão renovar várias infraestruturas, de turismo à energia, que estavam previstas

para serem feitas até 2020, mas que em virtude da Copa

serão adiantadas. Contudo, não há nada definido em termos de TI e telecom.

Outras cidades, menos abastecida com

redes do que o eixo Sul-Sudeste, já tocaram a bola pra frente com seus comitês

locais tendo grupos específicos de tecnologia. Em Fortaleza, o Estádio

Governador Plácido Castelo, o Castelão, será cercado com um anel de fibra

óptica e abrigará um moderno data center. Tudo preparado para trafegar imagens

de alta definição (HDTV), uma das exigências da FIFA, a velocidades que variam

de 1Gb a 10Gb. Os trabalhos já iniciaram e devem estar prontos ainda em 2010.

O projeto local da Copa 2014 servirá

de base para a cidade entrar definitivamente na economia digital. “Toda a

região metropolitana terá fibra óptica e isso irá impulsionar a inclusão e os

projetos estaduais que envolvem Internet e telefonia”, explica o presidente da Empresa

de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Fernando Carvalho.

Para se preparar, a capital cearense

segue um documento da FIFA, onde somente algumas recomendações são detalhadas.

Há exigências irrevogáveis como a capacidade de lidar com HDTV, uso tecnologias

que não sejam proprietárias e do protocolo IP. Mas não há nada que impeça os

governos locais de escolherem o fornecedor adequado. Os contratos são feitos

por meio de parcerias público-privadas (PPP) ou pela Lei 8.666, que rege as

licitações públicas.

A Copa da convergência

A sede que não modernizar a infraestrutura de TI e telecom

corre o risco de ter a imagem desgastada frente à bilhões de pessoas. As

cidades da Copa da África do Sul preveem receber em média 3 milhões de turistas

e centenas de equipes de jornalistas. Todos portando gadgets modernos e

com capacidade imensa de produzir imagens e vídeos digitais que serão enviados

para todos os lugares do mundo por redes de telefonia fixa, celular e outras

formas de transmissão.

Sem o serviço adequado, o colapso nas comunicações é

inevitável. “E estes profissionais de mídia são grandes consumidores de banda”,

lembra o gerente-geral da Telium, Fábio Ferragi. A empresa é responsável pelo

site www.copa2014.org.br, criado

especialmente para a Copa em parceria com o Sinaenco (Sindicato Nacional da

Arquitetura e Engenharia). Com clientes de TV e rádio na carteira, o executivo

da Telium é enfático: “sem TI e telecomunicações não tem Copa”. Segundo ele,

provavelmente veremos o evento marcado pela convergência digital. “Hoje, apenas

discutimos a importância que tem as tecnologias digitais no dia-a-dia da mídia.

Na Copa, isto estará na nossa frente”, diz.

Vitrine para o mundo

Um dos grandes defensores da ampliação da infraestrutura de

comunicação digital no Brasil, o presidente da Associação Brasileira das

Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Antonio Gil,

defende que as discussões sobre as tecnologias para a Copa de 2014 gerem planos

de longo prazo para o País. “O Brasil só será a quinta maior economia do mundo

em dez anos, como diz o presidente Lula, se investir a partir de agora”, ressalta

Gil. E o maior evento do futebol mundial pode ajudar nisto, acelerando projetos

e trazendo capital.

Mas a entidade também não iniciou qualquer ação específica

ou aproximação com o poder público para participar das decisões sobre onde e

como investir na infraestrutura de TI e telecom para a Copa. “Levamos

constantemente nossos planos gerais sobre o País para ministros e o presidente,

mas nada houve sobre a Copa de 2014”,

aponta Gil. No entanto, ele diz que a Brasscom deve se dedicar mais a esse

assunto ainda em 2009. Até porque, com a liberdade de escolha que as sedes

podem ter sobre fornecedores, o evento é uma grande oportunidade de o setor se

mostrar para o mundo.

E o primeiro grande desafio a enfrentar é evitar a firula

que governantes fazem com investimentos desse tipo. “Muitos políticos não

gostam de falar sobre investimentos em tecnologia, porque eles não aparecem

para o eleitor, diferentemente da construção de um estádio”, argumenta Gil. Esta

visão sobre TI e telecomunicações precisa mudar. O Brasil tem de provar que

pode suportar uma Copa do Mundo antes do pontapé inicial do jogo de abertura. A

FIFA realiza, no País escolhido para o campeonato mundial, a Copa das

Confederações. O torneio, de menor proporção, ocorre dois anos antes. É um

teste, e, por isso, este é o prazo final para muitas obras. Ou seja, em termos

de infraestrutura, o Brasil tem pouco mais de dois anos para se preparar.

Se a “pátria de chuteiras” quer ser reconhecida também pela

eficiência tecnológica, é bom o setor de TI e telecom não chutar de bico essa

oportunidade pra fora. Afinal de contas, ganhe ou perca, seremos um País com

cerca de 200 milhões de técnicos de futebol em 2014. E, quase todos, com

celulares e computadores querendo acompanhar o evento máximo da maior paixão

nacional.

Leia mais

Esta é a primeira reportagem da série especial sobre como o Brasil está se

preparando do ponto de vista de TI e telecom para a Copa 2014.

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