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Entrevista: José Rodrigues, da Porto Seguro

Seguradora prefere fazer em casa a terceirizar e descobre na tecnologia meios para oferecer mais serviços aos clientes

Publicado: 08/05/2026 às 12:47
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10 minutos
Entrevista: José Rodrigues, da Porto Seguro
Construção civil — Foto: Reprodução

José Rodrigues* fala devagar, baixo e transmite tranquilidade. Pelo menos foi esta a impressão que passou durante as cerca de duas horas que conversou com InformationWeek Brasil. Mas, por trás desta aparente calma, o diretor de TI e operações da TI da Porto Seguros esconde um apetite voraz por transformar tecnologias em projetos e, principalmente, em benefícios para os clientes. Quer um exemplo? Um dos serviços mais recentes – o PortoVias, de informação sobre o trânsito – nasceu de elucubrações da TI junto com o negócio sobre o que fazer com os dados emitidos pelos GPS que rasteiam 400 mil veículos.

Ele está há 22 anos na Porto, período no qual viu a TI passar de impositora para parceira; e agora experimenta um modelo descentralizado que, em sua face mais radical, desloca um time de TI para ficar hierarquicamente dentro de outra unidade. Do alto de um dos prédios que compõem o quartel-general da Porto em Campos Elísios (São Paulo), Rodrigues aponta o terreno onde está sendo erguido outro data center. Mais uma face da empresa a ser desvendada: a companhia, que lucrou R$ 136,3 milhões no segundo trimestre deste ano e, até o fechamento desta edição, negava rumores de venda para o Bradesco Seguros, não é favorável à terceirização.

InformationWeek Brasil – A evolução do projeto de rastrear os carros com GPS foi o serviço de trânsito Porto Vias. O que é?

José Rodrigues – Nós tínhamos o GPS rodando nos carros e rastreando-os para roubo. Percebemos que com os dados enviados conseguiríamos mapear o trânsito da cidade. Por que não transformar isto num serviço? Nossa filosofia é que não queremos que você use a Porto enquanto sinistro, mas, sim, que veja os benefícios para não ficar com a sensação de que pagou e não usou. O projeto começou há cerca de um ano com esforço de mapear a cidade. Hoje, temos na Grande SP, região de Campinas (SP) e no Rio de Janeiro (RJ).

IWB – Como funciona?

Rodrigues – Montamos o portal Porto Vias, pelo qual o segurado se cadastra e coloca os principais caminhos que percorre. Para saber qual é o melhor, ele se identifica no portal e a ferramenta fornece o tempo de cada trajeto. Mais recentemente, fizemos o acesso via celular com consulta via browser e, agora, estamos liberando o aplicativo para baixar no celular – já tem para  BlackBerry e Windows Mobile; estamos desenvolvendo para iPhone.

IWB – Como nasceu o projeto?

Rodrigues – Entra um pouco da questão de inovação. Pensamos: “por que não usar as informações dos rastreadores?”.  Fizemos testes com os sinais para checar se o cruzamento dos dados funcionava. Chegamos a contratar uns dez garotos e espalhá-los na cidade para cronometrar [os trajetos] para compararmos com as informações que o GPS dava e vimos que funcionava. Foi TI junto com área de negócio.

IWB – O que mais tem de novidade? 

Rodrigues – Estamos fazendo o piloto da URA [Unidade de Resposta Audível]. No telefone 333-Porto vai ter uma opção do Porto Vias. Você cadastra seu celular e ele te dará os trajetos. Está em fase de teste e queremos liberar o aplicativo para celular e o portal de voz agora em agosto.

IWB – O departamento de TI da Porto passou uma por grande reestruturação que levou a uma descentralização. Qual avaliação você faz?  

Rodrigues – Dentro da questão do descentralizado, identificamos uma carência, um distanciamento entre TI e as áreas de negócio. E, para ter inovação, é preciso conhecer o problema da área, sentir na pele. Fizemos, há 2,5 anos, uma grande de reestruturação de TI, na qual um dos pilares era a aproximação. Isto faz parte de um projeto chamado de Proativo. Percebemos que olhávamos muito para o próprio umbigo, então, entramos numa fase de estruturação, de metodologia. Elaboramos o programa no fim de 2006 e rolou em 2007 e 2008; estamos terminando-o agora.

IWB – Qual modelo vocês adotaram?  

Rodrigues – Experimentamos alguns. Passamos algumas equipes para a hierarquia do negócio, então, eles respondiam para mim funcionalmente – eu mantinha reuniões com a área -, mas quem avaliava, contratava, dava aumento ou demitia era o diretor da área em que estavam. Também experimentamos o modelo no qual a equipe continua hierarquicamente dentro de TI, mas está [fisicamente] no negócio. O caso que está bem fresco é de uma equipe que foi para o negócio, mas voltou para TI

IWB – De qual unidade?  

Rodrigues – Vida e previdência.

IWB – Por que? O que aconteceu?

Rodrigues – Qual é o lado ruim de levar a TI para o negócio? Tira o foco, pois as pessoas de negócio têm de se preocupar com questões de tecnologia e começam a se envolver demais, ocupando um tempo que deveria ser dedicado a outras discussões. Como íamos movimentar pessoas, aproveitamos e voltamos a área para debaixo da TI, mas combinamos manteríamos a abertura de antes.

IWB – Todas as áreas de negócio contam com uma equipe de TI voltada para ela?

Rodrigues – Em algumas áreas, principalmente as de back office, eu não consigo colocar uma equipe dedicada. Então, fica uma para mais de uma área. Já as divisões como de produto, automóvel, vida e saúde têm um time focado. Em saúde, inclusive, a TI continua debaixo da hierarquia de negócio. Tem um gerente de TI na estrutura de saúde e funciona muito bem.

IWB – Mas ele tem de alinhar com você?

Rodrigues – Sim, comigo e com os pares de apoio e de infraestrutura. Ele ainda é TI. Outra preocupação foi com relação à capacitação. Mantivemos todos os programas de treinamento. Isto é importante, porque, quando os profissionais viram que iam para o negócio, perguntaram como ficaria a carreira deles.

IWB – ir para o negócio não dá mais chance de crescer profissionalmente?

Rodrigues – Depende do caminho que ele quer seguir. Se quiser ir para negócio, sem dúvida que pode abrir a carreira dele. Mas pelo momento de aquecimento que o mercado de TI vive acho difícil querer se desprender disto.

IWB – Esta nova divisão fez abrir vagas para gerente e coordenadores?

Rodrigues – Acabou abrindo sim. Picamos mais a estrutura e precisamos de mais líderes.

IWB – Em 22 anos de Porto Seguro, você já presenciou muita mudança. Como avalia a evolução da TI neste período?

Rodrigues – Há 20 e poucos anos, a TI implementava sistemas em empresas que não tinham praticamente nada. A TI chegava e dizia “você vai trabalhar assim”. Hoje, está bem longe disto. Quem fala como quer trabalhar é o negócio, que está bem mais conectado tanto na questão de processos como na de tecnologia. Damos suporte, participando em conjunto das soluções.

IWB – Qual é o maior desafio da porto?

Rodrigues – A Porto procura ter diferenciais para não ficar somente na briga de preço. Temos o conceito de benefício há muitos anos para dar um valor agregado para o segurado.

IWB – Ainda existem muitas oportunidades para melhorar o preço?

Rodrigues – A dinâmica do seguro ainda é um operacional pesado e podemos melhorar isto com processos, controles e automatização. Precificar é sempre uma oportunidade. Se a concorrência achar que dá para bancar por menos e o cliente não fechar conosco, tudo bem; vai dar problema lá. As empresas que erram na mão têm de voltar, porque começam a ter prejuízo. E onde a TI entra? No processo para melhorar a nossa despesa e ficar mais competitivo e mais ágil. No fundo, o principal negócio do seguro é dar o preço certo.

IWB – Vocês usam muitos recursos de mobilidade para ganhar agilidade. Para onde caminham projetos com smartphones ou PDAs?

Rodrigues – Nós temos alguns desafios para vencer. O poder de processamento é estupendo; ele é efetivamente um computador. Mas vejo duas dificuldades. Primeiro, a restrição física, pois os dispositivos ainda pecam demais na interface, no teclado, no visor – tudo é muito pequeno, complicado e restrito. Meu sonho é ter tudo por reconhecimento de voz. O segundo desafio é a falta de compatibilidade dos produtos. Ou seja, para fazermos o Porto Vias estamos construindo três versões do mesmo aplicativo – para Windows Mobile, BlackBerry e iPhone, sendo que para o Windows Mobile terei de escolher em quais modelos vai rodar. Faço uma aplicação e ela não é portável.

IWB – O que precisa para resolver isto?

Rodrigues – O melhor seria se existissem padrões como no mundo do desktop, porque é indiferente de quem eu comprei o hardware. Isto emperra, faz com que não criemos soluções mais mirabolantes. Para eu chegar no cliente final dependo do equipamento dele e aí eu travo. Isto está virando um impeditivo para nós, porque dependo da compatibilidade.

IWB – O que vocês fazem para o corretor privilegiar a Porto?

Rodrigues – A forma mais simples é pagar mais comissão, mas isto interfere no preço. Procuramos facilitar demais a vida do corretor dentro da Porto, não apenas ao fechar o negócio, mas também no dia a dia, como nos sinistros, porque, se o sinistro se resolve rapidamente, o cliente não vai ficar no pé do corretor. Demos o notebook com placas 3G para cerca de 8 mil corretores para eles usarem os nossos canais eletrônicos e se resolverem mais rapidamente. Isto diminui a nossa despesa. 

IWB – Qual foi a motivação para construir um data center próprio?

Rodrigues – Um pouco do que está acontecendo com o mercado de telecomunicações revela parte do nosso mote. A Porto é muito verticalizada – nós montamos rastreadores e só isto já mostra que não tendemos a terceirizar. Somado a isto, o Brasil tem problemas de infraestrutura e não gostaríamos de ter problemas por conta disto. É melhor termos as nossas coisas perto de casa, com tudo interligado e sob o nosso domínio do que ter de ficar ligando para terceiros. Temos massa e necessidade para justificar um investimento deste porte. A TI dentro da Porto é pesada; só a equipe tem 500 pessoas. Existe ainda a questão de fusões e aquisições – fecho o contrato com uma empresa e ela é comprada, daí, pode ser que a visão estratégica dela mude. Não podemos ficar na mão disto. Queremos ter a garantia de que não teremos problemas por falhas de terceiros.

*Nota: quando a entrevista foi concedida à InformationWeek Brasil o executivo respondia pelas diretorias de operações e TI. Entretanto, conforme publicado no IT Web, em 03/09, a Porto Seguro anunciou que Rodrigues ficaria com a diretoria de operações, enquanto a TI, ficaria a cargo de Ítalo Flammia, recém-chegado da Sodexo.

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