Startup aproveitou recursos da incubadora para formatar seu discurso de vendas
Um capital inicial
de R$ 12,5 mil, cadeiras e com cada sócio levando seu próprio computador;
quatro ex-colegas do curso de Ciências da Computação da Unicamp apaixonados por
análise de algoritmos montaram uma empresa e, em 15 de fevereiro de 2002,
começaram a funcionar incubados na Softex. O plano de abrir uma empresa
amadurecia há três anos. “Mas não tínhamos uma ideia muito boa até então.
Decidimos ir para o mercado de trabalho e quando surgisse algo viável,
retomarmos a conversa para não frustrar nossa tentativa de empreender”, avalia
Pablo Cavalcanti, presidente da Inmetrics.
Os profissionais
sabiam que, por mais apaixonados que fossem, sem apelo comercial o negócio não
vai para frente. Depois de capitular três vezes, viram algo que poderiam
reativar o projeto montando uma empresa para oferecer serviço de otimização de
desempenho de aplicações baseado em inteligência artificial. Nas horas de folga
de seus empregos regulares, eles amadureciam a ideia e esbarravam em questões
como: “Quanto vai custar? Quanto tempo vai levar? Quando vamos atingir o
equilíbrio financeiro? Por quanto e para quem vamos vender os serviços?”,
indagavam-se os jovens.
“Um empreendedor
típico olha para essas questões de forma romântica. E é aí que a maioria não
vinga”, analisa. Para responder a essas perguntas, os futuros empresários
tentaram ser o mais honesto possível e viram que a incubadora poderia ajudar a
resolver essas questões. O projeto foi submetido à avaliação no final de 2001.
“No primeiro dia na incubadora você sente um medo enorme de que aquilo não dê
certo e que você esta fazendo a maior bobagem de sua vida”, recorda Cavalcanti,
que balanceia: “Só que a energia era sensacional.”
Nas primeiras
semanas, os colegas enfrentaram o grande desafio de distribuir as tarefas na
empresa. “Todos sabiam fazer a parte técnica, mas quem iria administrar ou
vender?”, pensaram. Dessa forma estipulou-se que o que mais falava tocaria a
parte comercial; o mais “pão duro”, a administrativa; o melhor técnico, com a
tecnologia e o que melhor sabia ouvir cuidaria dos recursos humanos.
A Inmetrics,
então, começou a aproveitar os recursos da incubadora para formatar seu
discurso de vendas. “Os primeiros meses foram 50 visitas e 49 nãos”, conta
Cavalcanti, que a cada negativa buscava na entidade novas formas de estruturar
sua oferta. Aos poucos, os ensinamentos ajudaram os jovens empresários a
complementar seus conhecimentos técnicos com formação administrativa.
Em seis meses a
empresa conquistou como primeiro cliente o Santander. Ao final de 2002, mais
dois contratos foram assinados e o faturamento de R$ 100 mil previsto para o
primeiro ano foi triplicado. Em 2004, já eram 12 funcionários. De lá para cá, a
empresa dobrou de tamanho a cada ano. O período de incubação durou apenas dois
anos. Hoje, a Inmetrics diversificou o portfólio, se classifica como prestadora
de serviços de qualidade de software, conta com aproximadamente 250
funcionários e, além da matriz em Campinas, possui uma filial em São Paulo e
outra no Chile. Na sua carteira de clientes lêem-se nomes como Vivo, SPTrans,
GVT, Alcoa e outras cerca de 40 empresas.