Iniciativas são suportadas por orçamento de R$ 2,9 bilhões. Lá, não há verba definida para inovar. Se precisarem de mais recursos, terão
Em um setor competitivo, no qual detalhes fazem a diferença,
como é o caso do financeiro, ficar em posição de desvantagem perturba. “Quando
alguém lança alguma coisa na nossa frente, nem dormimos direito”, confessa Laércio
Albino Cezar, vice-presidente de tecnologia do Bradesco, líder em sua categoria
e 8º colocado no ranking geral de As
100+ Mais Inovadoras. Bancos necessitam de TI tanto quanto metalúrgicas
precisam de aço. Os números comprovam. Faz tempo que a inovação transformou-se
em um propulsor de negócios neste segmento: 72% das 18 empresas que
participaram do estudo afirmaram possuir uma estratégia delineada para inovar e
50% disse que trabalha com um time dedicado a esta questão.
Nesse contexto, uma frase do vice-presidente soa emblemática:
“A inovação não tem uma verba definida. Ela tem liberdade. Todas suas
necessidades são atendidas dentro do nosso orçamento de TI. Se precisarem de
mais recursos, terão”. O executivo à frente do processo gosta de reforçar que a
cultura do banco incentiva desde sempre o pioneirismo. “No mundo moderno, com
mais tecnologias disponíveis, a questão não reside mais em ser oportunista, mas
em ter a capacidade de identificar novidades e estruturar-se para lançar
soluções diferenciadas”, avalia.
Boa parte do budget
de R$ 2,9 bilhões previsto pelo Bradesco para investimentos em tecnologia para
este ano impulsionará crescimento da companhia por meio da criação de produtos
e serviços. Alcançando esta meta, os executivos não terão insonia por verem seus
concorrentes inovando e conquistando valiosos clientes. Para ser mais rápido no
gatilho, a instituição estruturou seus processos de inovação em um departamento
específico, com forte vertente tecnológica, que abriga cem profissionais que
atuam como catalisadores de novidades. A iniciativa remonta ao ano 2000.
Diariamente, estes funcionários vasculham o mercado em busca
de vanguardas e tendências tecnológicas que ajudarão nos objetivos estratégicos.
Além de contatar estruturas internas da instituição, o time interage com o
mercado e entidades que são referência no Brasil e no mundo. Dentro do universo
de parceiros está, por exemplo, o MIT (Massachusetts Institute of Technology). “Esse
mecanismo de interação gera inúmeras oportunidades”, define Cezar, mencionando que
a divisão também se arrisca a patentear novidades. Nesta linha, há um sensor
que será implantado em 30,5 mil terminais de autoatendimento que reage quando a
máquina sofre alguma tentativa de vandalismo.
Olhando para fora
A lista de tecnologias analisadas pelo grupo de inovação e
que entraram nas rotinas do Bradesco nos últimos anos é extensa. Um exemplo é a
biometria. “Não era algo novo”, reconhece Cezar, “mas usar a palma da mão como
recurso de autenticação bancária é”, completa. Se a introdução da tecnologia foi
em 2006, com o tempo, o banco evolui conceitos. Recentemente, o grupo
desenvolveu um kit biométrico para capturar informações da mão dos clientes na
hora de abertura da conta. Agora, os trabalhos focam no desenvolvimento de uma
tecnologia similar para uso em internet
banking. “Estamos a 80% de consagração da solução. Isto acontecendo, vamos
distribuir dispositivo de altíssima segurança aos clientes”, antecipa.
Nessa mesma linha, o banco adquiriu 410 mil tokens que fazem
leitura óptica do que aparece na tela do computador do usuário e gera um número
que valida a autenticação. “Como se fosse uma câmara fotográfica”, ilustra,
avisando que a tecnologia estará disponível, em breve, para clientes Pessoa
Jurídica.
De acordo com o próprio executivo, seu papel reside em ser
um indutor, gerando estímulos necessários e desafiando os profissionais. Todo o
processo se canaliza na tecnologia e segue a cadeia vertical de comando: de um
diretor de área passando pela vice-presidência de TI até chegar ao presidente do
banco, que envolve-se em questões estratégicas como, por exemplo, mobilidade.
Nesta seara, o VP cita uma parceria entre Bradesco, Claro e Visa firmada há
alguns meses para realização de transações de compras por aproximação de
celulares com tecnologia NFC (near field communications).
Além disto, há cerca de um ano, a instituição desenvolveu um sistema de cartão
de crédito contactless que segue os
mesmos preceitos de aproximação, não precisando acoplar nas máquinas.
Ainda dentro do conceito de mobilidade, o banco estuda
aplicações de WiMAX. Uma tecnologia pré-WiMAX é testada em 22 agências em
caráter experimental há quase dois anos. Por volta de setembro de 2009, o
Bradesco iniciou piloto em duas agências em uma frequência próxima a que será
definida pela Anatel. “Estamos adiantando o que virá por aí.” Cezar quer estar
preparado para quando a faixa for regulamentada. “Nos dá uma oportunidade de
comunicação de massa e, naturalmente, gera oportunidades de ter melhores custos
e uma segunda rede para contingência.”
Default
Apesar de a Deloitte ter indicado que a vertical de finanças
destinou o menor porcentual em inovação (apenas 4,8%), sendo reflexo de uma
possível orientação por um portfólio de projetos mais conservadores e com foco
no curto prazo, isto não parece verdadeiro no Bradesco. Cezar enxerga as
inovações de sistemas e os processos internos como uma rotina do departamento
que, há algum tempo, vem num esforço contínuo de atualização de toda sua
plataforma tecnológica, adaptando-a para impulsionar o crescimento do negócio
pelas “próximas cinco décadas”, como definiu o VP para reportagem da InformationWeek Brasil de julho último.
Ainda no ano passado, o banco direcionou considerável esfoço
para racionalização de recursos. “Tomamos a iniciativa de fazer alguns gastos
importantes na área de TI verde”, menciona. O projeto contemplou substituição
de plataformas de 78 mil estações de trabalho da companhia que ajudaram a
reduzir em 30% o consumo de energia. Na mesma toada, 81 mil monitores de LCD
foram trocados por dispositivos que exigem 65% menos recursos elétricos. Não
bastasse, servidores blade foram
otimizados e aplicativos, virtualizados.
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