Com operações dispersas pelo País e uma complexa cadeia produtiva, as companhias deste segmento usam TI para alcançar objetivos do negócio
Para 83% das empresas de bens
de consumo não-duráveis, a tecnologia é uma forma de alcançar os objetivos de
negócio. As áreas de TI têm bom foco nos clientes internos (54%) e na melhoria
dos processos (29%). Esta afinidade entre as áreas técnicas e de negócio se
traduz em inovações para aumentar a produtividade das companhias em um momento
de grande expansão do mercado de consumo.
As companhias do setor
destinam em média 9% do orçamento de TI para experimentação e mantêm números sólidos
dentro de As 100+ Inovadoras no Uso de
TI. Tanto que seis empresas deste segmento estão entre as 30 melhores do
estudo realizado em parceria com a Deloitte. Em 2008, eram apenas cinco. A
Unilever, campeã do setor, ficou com a quinta colocação.
Com as áreas de TI estáveis,
o setor tem se mostrado um celeiro de inovações, responsáveis, durante o último
ano, pela escalada das instituições na análise geral do estudo. Unilever,
Mabel, Pif Paf e Cargill subiram de posições entre 2008 e 2009. Com destaque
para esta última, que saiu do 78º para o 22º lugar.
O Grupo Mabel (Cipa
Industrial Produtos Alimentares) é um exemplo de como o segmento tem se
dedicado a implantar melhorias que tragam produtividade e como isto tem se
refletido dentro de As 100+. A empresa começou a participar do estudo em
2005, ficando em 59º lugar. Nos anos seguintes, subiu para 55º, 38º e 22º. Em
2009, ela aparece em 12º no ranking geral. “Ao longo dos anos temos saído do
mundo da TI operacional para a TI estratégica”, comenta o gerente-corporativo
de tecnologia da informação, José Henrique Cordeiro de Oliveira.
Profunda, essa transformação
tem sido comandada pela aproximação cada vez maior da TI com as áreas de
negócio e a inovação focada nos desafios do crescimento da empresa. Algo que é
exemplar neste segmento.
Recentemente, a Mabel criou
um sistema de auditoria automatizada para detectar melhorias a serem feitas nos
processos de negócios. O fechamento contábil é um dos que foram impactados pela
transformação, diminuindo de cinco para três dias de trabalho. Outro aplicativo
para os celulares ajuda o time que visita pontos-de-venda a fazer análise de
crédito. O software tem interligação em tempo real com o banco de dados do
Serasa, se conecta com o sistema da empresa e com as grandes redes de
supermercado por EDI. Tal facilidade não existia dentro do ERP Datasul que roda
na companhia e precisou ser construída internamente. O processo surgiu dentro
das reuniões que envolvem TI e negócios e compõem os pilares de inovação da
empresa.
Pilar de crescimento
Para o segmento de bens de
consumo não-duráveis, os processos prioritários de TI são o planejamento
estratégico e a gestão do modelo de negócio (46%). Para 42% a integração e a
entrega de soluções são o foco. E, quando este papel da TI traz uma estratégia
de inovação e um compartilhamento de conhecimento juntos, as companhias se
destacam.
É o caso da Pif Paf, que atua
na área de avicultura e suinocultura, com vários produtos comercializados para
o consumo final. A TI tem apoiado o crescimento da companhia. Há dez anos, a
empresa faturava R$ 130 milhões e contava com 2 mil funcionários. Atualmente,
fatura R$ 800 milhões e tem 5,5 mil empregados.
No último ano, a tecnologia criou
aplicações para rastreamento de carga, logística e força de vendas. O mais novo
sistema móvel da Pif Paf está ajudando 700 pequenos granjeiros a controlarem a
produtividade. Um software calcula a ração consumida pelas aves e o peso que
elas ganham. Os dados são coletados e enviados ao sistema automatizado que
controla o abate. Com isto, o lucro dos produtores tem aumentado e a empresa
conseguiu melhorar a produção.
Outro sistema móvel vai
conectar os celulares dos representantes à empresa para ajudar no controle e
fiscalização dos pontos-de-venda. Em vez de preencher um relatório com as
oportunidades e os problemas encontrados no varejo visitado, estes
profissionais podem tirar uma foto com o celular e enviar para a empresa.
“Quando a TI se aproxima das áreas de negócio, as soluções passam a ter um foco
natural nos planos de negócio de longo prazo”, explica o CIO da Pif Paf,
Augusto Carelli.
Na Cargill, o processo de
inovação passa pelo sistema batizado de i2i (ideas to innovation), que roda na intranet e está disponível para
todos os funcionários. É um software de gestão das ideias fornecidas e do
resultado que elas trazem para a companhia.
Em 2008, os funcionários
contribuíram com 9 mil ideias. As que foram implantadas fizeram a empresa
economizar R$ 9 milhões. “Os funcionários se acostumaram a participar da
inovação da empresa e a TI apoia isso com sistemas e a visão técnica dos
processos”, comenta o líder de aplicações globais da empresa, José Antônio
Parolin.
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