Na Rede Globo, as estatísticas de times e jogadores são fornecidas por um sistema, que faz a ponte entre o iPhone dos jornalistas e os dados
Poucos setores
sentiram mais o impacto das transformações causadas pela tecnologia do que o de
comunicações. Tudo porque o produto principal destas companhias – a informação
– virou bit e começou a trafegar em
redes de dados digitais, caindo no gosto de consumidores ao redor do mundo. O
estudo As 100+ Inovadoras no Uso de TI mostra
como as empresas deste setor estão lidando com uma revolução que teima em se
renovar a cada dia.
Embora as fatias dos orçamentos de TI
destinadas à experimentação não sejam das maiores – com média de 8% enquanto há
outros setores com 11% -, o papel que a área desempenha junto à renovação dos
negócios das empresas tem um índice alto no levantamento da Deloitte, com 2,93
de 3,0 possíveis.
Em 60% das
pesquisadas do setor, há grupos de funcionários que se dedicam especialmente
aos processos de inovação. Nas três mais bem-colocadas, isto é típico.
Globosat, Rede Globo e Abril possuem alguma forma de separar a busca por
inovação em uma equipe que faz a interface entre TI e negócios. Estes grupos
são responsáveis por descobrir metodologias e tecnologias novas que possam
trazer melhorias significativas às empresas.
A nova sede
da Globosat retrata bem isto. O prédio, na Barra da Tijuca (RJ), foi moldado
com os pedidos das áreas usuárias de tecnologia. Todos os 1,5 mil ramais terão
tecnologia IP com qualidade garantida pelo QoS (quality of service), estabelecida pelo time de TI. “Foi uma ideia
que surgiu em reuniões para discutir alternativas aos custos de
telecomunicações”, explica o principal executivo de TI, Geraldo Pimenta.
A infraestrutura
de tecnologia no prédio novo deve facilitar ainda mais a aproximação com o
negócio. Os sistemas terão um banco de soluções documentado para que todos os
departamentos tomem conhecimento e implementem as novidades feitas em outras
partes da empresa. “A inovação se torna constante quando há troca de ideias
entre todos e os resultados ficam disponíveis”, diz Pimenta.
Uma lição
que está nas outras duas campeãs do setor. Na Rede Globo, a inovação da empresa
pode ser vista por milhões de brasileiros todos os domingos à tarde, quando os
repórteres que estão fazendo a cobertura de um jogo ao vivo de futebol dão
estatísticas de times e jogadores. Os números são fornecidos pelo sistema
Scout, que faz a ponte entre o iPhone dos jornalistas e o sistema da empresa.
“Foi um pedido do pessoal de esportes e nos esforçamos muito para entregar isto
de uma forma segura e com altíssima disponibilidade”, lembra o diretor de
tecnologia e planejamento da emissora, Carlos Octávio Queiroz, que responde
para Antônio Peixoto Flórido, principal executivo de TI da emissora.
A solução foi criada
por um dos grupos de inovação que estão em contato com as áreas usuárias. Como
a empresa tem departamentos com demandas distintas, foi necessário criar esta
segmentação. Além dos grupos direcionados para as unidades de negócio, a Globo
conta com outro que se preocupa em pensar inovações que possam ser usadas por
mais áreas.
Metodologia enxuta
No Grupo
Abril, a infraestrutura de inovação vai ainda mais longe. Todos os envolvidos
nos processos deste tipo têm de obedecer a rígida metodologia SCRUM implantada
pela companhia. Este conjunto de regras prioriza a entrega de resultados em um
tempo muito curto e enxuga ao máximo os processos decisórios de um projeto. A
cada três semanas, um pacote de inovações tem de surgir. “A inovação precisa
ser sistemática e ter frequência para ser eficiente”, defende o CIO da Abril,
Max Aniz Thomaz.
As reuniões
entre técnicos e as áreas usuárias são diárias, mesmo que não haja projeto em andamento. Nestes
encontros, todos os processos são repassados em busca de possíveis melhorias.
Se uma ideia é lançada por um dos participantes, a construção do plano de
inovação começa em seguida, durante o encontro.
Atualmente,
o grupo tem se preocupado em achar soluções open
source para a TI como forma de reduzir o custo de propriedade. Outro plano
que já está em andamento é o de construir uma cadeia de fornecedores que
estejam de acordo com as políticas de sustentabilidade do Grupo Abril.
Não é por acaso que o
estudo de As 100+ Inovadoras mostra
que a TI no setor de comunicações visa a ajudar a alcançar os objetivos
corporativos e a direcionar o negócio pelo uso da tecnologia, ambos com 40%. A
rotina de manter a infraestrutura funcionando, representa apenas 20% da missão
desses departamentos. São números que mostram o foco no core business e a importância da inovação neste setor.
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