Objetivo é trazer melhorias nos processos de atendimento e gerar valor agregado ao produto
Poucos setores estão mais otimistas com o crescimento de
mercado quanto o de construção e material de construção. Os planos de
investimentos do governo, como o programa “Minha Casa, Minha Vida”, a
realização da Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos de 2016 deixaram as
empresas confiantes sobre as boas perspectivas que virão nos próximos anos.
Mas, para garantirem um lugar neste futuro, é preciso inovar.
As companhias que visualizaram esse bom momento destacam-se
no estudo As 100+ Inovadoras, a
exemplo da Construtora Andrade Gutierrez, terceira colocada no ranking geral (leia mais aqui). Elas ganharam evidência
em um segmento que historicamente não está entre os aficionados por novidades e,
em muitos casos, nem chega a ser entusiasta de tecnologia.
É o caso da Enesa, especializada em empreendimentos voltado
às grandes indústrias. Desde junho deste ano, a empresa vem dando os últimos retoques
no Projeto Águia, de modernização dos sistemas e automação de processos. O nome
vem da característica do pássaro, que, quando chega à maturidade, arranca suas
penas para renovar seu poder de combate e sobrevivência. No ritmo que o setor
está crescendo e obrigando as empresas a se inovarem, a analogia parece
perfeita.
A criação de um portal de compras na Enesa trouxe logo de
cara uma economia de R$ 3 milhões gastos em papel que trafegavam entre os
escritórios e os canteiros. “Tudo tinha carimbo e várias vias que necessitavam
de transporte que, em muitos casos, era difícil”, lembra o gerente de tecnologia
da empresa, Jefferson Pastuszak. Com a novidade, as solicitações de materiais
que demoravam dias para serem deferidas, e precisavam de malotes para serem
enviadas, levarão minutos.
Em 2010,
a segunda etapa da transformação vai alcançar os
canteiros de obras, com o controle de aferição da qualidade das construções. O
sistema estará conectado com o ERP e irá enviar dados sobre os processos,
serviços prestados por parceiros e materiais usados. Assim, cada obra terá um databook digital que orientará os
trabalhos e servirá de base de conhecimento futuro para a companhia.
Com tanta transformação, a TI da Enesa passou a ser uma
referência dentro da empresa e o principal facilitador da troca de ideias nesse
momento de transformação. “Estamos ajudando a companhia a se preparar para o
futuro e os outros funcionários sabem disto”, comenta Pastuszak.
Esse suporte à troca de ideias é uma das marcas atuais do
setor. Poucas são as empresas que conseguem fazer algo mais do que usar a TI de
forma operacional. Nota-se isto principalmente pela diferença na pontuação. A
campeã, Andrade Gutierrez, tem pontuação de 189 pontos; a segunda colocada,
Enesa, tem 37; a quarta, Holcim, somente cinco. Daí para baixo as notas são bem
baixas. No entanto,
100% das empresas possuem meios de compartilhamento de conhecimento da inovação
em TI. No
ranking geral de todos os setores, a média é de 80%.
Outra característica de destaque das empresas de construção
e material de construção no estudo é o uso de pessoas específicas para
impulsionar a inovação em TI.
Das pesquisadas, 57% disseram que possuem equipes deste tipo.
Na média geral, esta percentagem é 44%.
O formato, o tamanho e a forma como trabalham esses grupos
varia de empresa para empresa. Na Votorantim Cimentos, os comitês de inovação
que abrigam gente de TI e de negócios não têm agenda definida. “Eles se reúnem
de acordo com os projetos e etapas”, explica o diretor-corporativo de TI do
Grupo Votorantim, Fabio Faria, que respondeu no lugar do CIO Sérgio Aparecido
Bosso, que deixou a companhia em setembro último. Eles são responsáveis por
trazer inovações que tenham um impacto global na empresa.
No último ano, essas equipes implementaram o indicador OTIF
(on time in full) no atendimento ao
cliente da empresa. O contact center
da Votorantim, que antes só recebia as demandas comuns da operação, passou a
controlar toda a cadeia de suprimentos para que os produtos chegassem sem
problemas ao cliente final.
Todos os processos reformados e algumas tecnologias novas
passaram a fazer parte da rotina dos atendentes por conta da novidade. O
objetivo é melhorar a percepção da qualidade dos serviços e conseguir a
fidelização pelo atendimento focando em prazos e condições de entrega. “O
mercado e as mudanças de comportamento do consumidor estão direcionando as
inovações no setor de construção”, aponta Faria.
Na quarta colocada Holcim, a inovação é tratada como um
processo horizontal que permeia várias áreas e níveis da companhia. Para
definição dos projetos, a empresa conta com diversos grupos multifuncionais
focados em diferentes níveis. É deles que saem as ideias novas para suportar o
negócio.
Essas equipes têm atuação específica nas operações dos países
onde a empresa conta com filiais. Mas há um sistema de transferência de boas
práticas entre eles. Existe ainda uma equipe denominada IT Cordination Board,
com os gestores do departamento técnico e o CEO da região para discussão da
inovação. A cada trimestre, o time de tecnologia se reúne ainda com os
representantes de negócio da matriz, na Suíça, para definir os planos de
inovação para o período, com metas e prioridades. “A TI não pode ficar isolada nas empresas que
querem aproveitar o bom momento do setor de construção”, enfatiza o CIO da
Holcim, Edson Massami.
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Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.