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100+: setor de construção abusa de equipes específicas para criar soluções

Objetivo é trazer melhorias nos processos de atendimento e gerar valor agregado ao produto

Publicado: 09/05/2026 às 22:39
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5 minutos
100+: setor de construção abusa de equipes específicas para criar soluções
Construção civil — Foto: Reprodução

Poucos setores estão mais otimistas com o crescimento de

mercado quanto o de construção e material de construção. Os planos de

investimentos do governo, como o programa “Minha Casa, Minha Vida”, a

realização da Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos de 2016 deixaram as

empresas confiantes sobre as boas perspectivas que virão nos próximos anos.

Mas, para garantirem um lugar neste futuro, é preciso inovar.

As companhias que visualizaram esse bom momento destacam-se

no estudo As 100+ Inovadoras, a

exemplo da Construtora Andrade Gutierrez, terceira colocada no ranking geral (leia mais aqui). Elas ganharam evidência

em um segmento que historicamente não está entre os aficionados por novidades e,

em muitos casos, nem chega a ser entusiasta de tecnologia.

É o caso da Enesa, especializada em empreendimentos voltado

às grandes indústrias. Desde junho deste ano, a empresa vem dando os últimos retoques

no Projeto Águia, de modernização dos sistemas e automação de processos. O nome

vem da característica do pássaro, que, quando chega à maturidade, arranca suas

penas para renovar seu poder de combate e sobrevivência. No ritmo que o setor

está crescendo e obrigando as empresas a se inovarem, a analogia parece

perfeita.

A criação de um portal de compras na Enesa trouxe logo de

cara uma economia de R$ 3 milhões gastos em papel que trafegavam entre os

escritórios e os canteiros. “Tudo tinha carimbo e várias vias que necessitavam

de transporte que, em muitos casos, era difícil”, lembra o gerente de tecnologia

da empresa, Jefferson Pastuszak. Com a novidade, as solicitações de materiais

que demoravam dias para serem deferidas, e precisavam de malotes para serem

enviadas, levarão minutos.

Em 2010,

a segunda etapa da transformação vai alcançar os

canteiros de obras, com o controle de aferição da qualidade das construções. O

sistema estará conectado com o ERP e irá enviar dados sobre os processos,

serviços prestados por parceiros e materiais usados. Assim, cada obra terá um databook digital que orientará os

trabalhos e servirá de base de conhecimento futuro para a companhia.

Com tanta transformação, a TI da Enesa passou a ser uma

referência dentro da empresa e o principal facilitador da troca de ideias nesse

momento de transformação. “Estamos ajudando a companhia a se preparar para o

futuro e os outros funcionários sabem disto”, comenta Pastuszak.

Esse suporte à troca de ideias é uma das marcas atuais do

setor. Poucas são as empresas que conseguem fazer algo mais do que usar a TI de

forma operacional. Nota-se isto principalmente pela diferença na pontuação. A

campeã, Andrade Gutierrez, tem pontuação de 189 pontos; a segunda colocada,

Enesa, tem 37; a quarta, Holcim, somente cinco. Daí para baixo as notas são bem

baixas. No entanto,

100% das empresas possuem meios de compartilhamento de conhecimento da inovação

em TI. No

ranking geral de todos os setores, a média é de 80%.

Outra característica de destaque das empresas de construção

e material de construção no estudo é o uso de pessoas específicas para

impulsionar a inovação em TI.

Das pesquisadas, 57% disseram que possuem equipes deste tipo.

Na média geral, esta percentagem é 44%.

O formato, o tamanho e a forma como trabalham esses grupos

varia de empresa para empresa. Na Votorantim Cimentos, os comitês de inovação

que abrigam gente de TI e de negócios não têm agenda definida. “Eles se reúnem

de acordo com os projetos e etapas”, explica o diretor-corporativo de TI do

Grupo Votorantim, Fabio Faria, que respondeu no lugar do CIO Sérgio Aparecido

Bosso, que deixou a companhia em setembro último. Eles são responsáveis por

trazer inovações que tenham um impacto global na empresa.

No último ano, essas equipes implementaram o indicador OTIF

(on time in full) no atendimento ao

cliente da empresa. O contact center

da Votorantim, que antes só recebia as demandas comuns da operação, passou a

controlar toda a cadeia de suprimentos para que os produtos chegassem sem

problemas ao cliente final.

Todos os processos reformados e algumas tecnologias novas

passaram a fazer parte da rotina dos atendentes por conta da novidade. O

objetivo é melhorar a percepção da qualidade dos serviços e conseguir a

fidelização pelo atendimento focando em prazos e condições de entrega. “O

mercado e as mudanças de comportamento do consumidor estão direcionando as

inovações no setor de construção”, aponta Faria.

Na quarta colocada Holcim, a inovação é tratada como um

processo horizontal que permeia várias áreas e níveis da companhia. Para

definição dos projetos, a empresa conta com diversos grupos multifuncionais

focados em diferentes níveis. É deles que saem as ideias novas para suportar o

negócio.

Essas equipes têm atuação específica nas operações dos países

onde a empresa conta com filiais. Mas há um sistema de transferência de boas

práticas entre eles. Existe ainda uma equipe denominada IT Cordination Board,

com os gestores do departamento técnico e o CEO da região para discussão da

inovação. A cada trimestre, o time de tecnologia se reúne ainda com os

representantes de negócio da matriz, na Suíça, para definir os planos de

inovação para o período, com metas e prioridades.  “A TI não pode ficar isolada nas empresas que

querem aproveitar o bom momento do setor de construção”, enfatiza o CIO da

Holcim, Edson Massami.

Leia também:

Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.

 

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