Apesar de despontar no porcentual do orçamento destinado à experimentação, segmento só tem duas companhias entre As 100+ Inovadoras
O porcentual do orçamento de TI de
11% que as empresas do setor de eletroeletrônicos destinam à experimentação é
superior ao da média geral (8%) de todas as categorias do estudo As 100+ Inovadoras. Isto coloca o
segmento na dianteira, mas é um dado a ser analisado com muita cautela. Apenas
duas das empresas classificadas em eletroeletrônicos estão entre as cem
primeiras: a campeã Eaton ficou em 4º lugar no geral (leia mais) e a vice ABB, em 69º.
Neste setor, em geral, a cultura
de inovação permeia toda a empresa e influencia áreas de suporte, inclusive a
TI, segundo a Deloitte, coautora do estudo. Na ABB, por exemplo, que oferece
produtos e sistemas para transmissão e distribuição de energia, a inovação está
no DNA, conforme garante Gastão Goulart de Azevedo, CIO que responde pelas
operações do grupo na América do Sul. “A nossa cultura privilegia a adoção de
mudanças, essencial para se manter ágil e competitiva nesse setor”, diz ele.
Em termos globais, a ABB tem cinco divisões de
negócios e presença em oito regiões do mundo. Para cada uma delas, há um “division IS manager” que integra o board e participa, juntamente com os diretores
de TI das regiões, de um comitê com a presença do CIO mundial e dos gerentes
globais de segurança, operações e desenvolvimento de sistemas. “Neste fórum,
são discutidos os interesses das divisões e suas estratégias. Asseguramos a
conformidade com os padrões do grupo, discutimos novidades, oportunidades,
melhores práticas, orçamento, compartilhamento de soluções, desenvolvimento de
talentos e do pessoal em geral, entre outros assuntos. Há um modelo similar
dentro de cada país”, informa Azevedo.
Várias
ferramentas desenvolvidas pela operação brasileira foram adotadas como padrão
mundial pela corporação, como as criadas em conjunto com a área shared accounting services. “Vencemos as
melhores práticas de mais de uma centena de países onde a ABB opera. Nosso
serviço compartilhado gera melhoria na qualidade dos dados, faz o fechamento e
reporta o resultado em dois dias, eliminando a necessidade de horas extras”,
informa o executivo.
Outro
projeto da ABB que está sendo adotado por outros países promove a adequação às
regras de Sarbanes-Oxley (SOX) por meio da criação de um canal que permite a
comunicação com todo o corpo gerencial, de supervisão, de vendas e de compras.
“Com este sistema, o pessoal firma o mesmo compromisso que o CEO e CFO assumem
quando assinam documento atestando que o que está sendo reportado é exatamente
a verdade. A solução elimina ponto de estrangulamento no fluxo de informações
até a alta gerência.”
Na
área de segurança da informação, a empresa criou a auditoria contínua de TI. Um
comitê garante 100% de atendimento às normas e procedimentos de tecnologia.
“Desde sua adoção, constatamos que vícios de funcionários foram corrigidos. Os
resultados das auditorias externa e interna mostram que a inovação foi um
sucesso”, conta.
As
áreas de negócios da ABB pagam por produto ou serviço utilizado. Todos os
investimentos de informática, hardware ou software, são previamente aprovados
pela área de TI, por meio de uma regra automática inserida no workflow de aprovação. “Com este
procedimento simples, asseguramos padronização, obediência às regras e
reutilização de soluções desenvolvidas por outras áreas. A medida evita a
reinvenção da roda e o desenvolvimento de soluções que não agreguem valor ao
negócio”, defende Azevedo.
Mobilidade em alta
A
mais recente inovação em TI na PST, empresa especializada em segurança
automotiva que detém as marcas Positron, Concept e PST Electronics, ocorreu em
julho deste ano, com o desenvolvimento de dashboard
dos pedidos de vendas com indicadores de desempenho (KPIs, na sigla em inglês)
para uso no iPhone. “O ponto forte é a possibilidade de atualizar o SAP/R3 por
meio do dispositivo móvel. Os gestores passam a ter portabilidade de informações
estratégicas, em tempo real, deixando mais ágil a tomada de decisão”, diz Paulo
Sérgio Gouveia, diretor de TI da PST Eletrônica, terceira colocada na categoria.
A
empresa também destaca, entre seus principais projetos, a melhoria no processo
de contratação e ativação de novos clientes de rastreador automotivo. O novo
sistema, integrado ao ERP e ao CRM, reduziu todo o processo de duas horas para
30 minutos. “A análise de crédito do cliente é feita pelo próprio lojista,
através de uma interface amigável em que só é preciso fornecer um número de
CPF”, explica Gouveia.
No
chão de fábrica, a inovação foi um sistema para controle de checagem das
matérias-primas colocadas nas máquinas de inserção de componentes (surface mounted device). Antes, todo o
processo era manual. Uma pessoa cuidava da alimentação e executava a primeira
verificação, e outra fazia uma segunda verificação. “Este processo estava
sujeito a falhas humanas e os problemas só eram detectados nas etapas seguintes
ou até mesmo em campo, gerando a necessidade de um recall para substituição dos componentes errados”, aponta o
diretor.
Com o novo sistema, tudo foi
automatizado. Um coletor registra a leitura dos códigos de barras das
matérias-primas e confronta as informações com a programação que foi desenvolvida
para a SMD e que é validada com a lista de materiais do SAP/R3. “A cada erro de
alimentação de máquina, uma sirene é acionada e o processo é bloqueado até que
uma senha de desbloqueio seja informada”, explica Gouveia.
A PST também administra a sua área de TI como um
centro de lucro, como 67% das empresas do seu segmento. Em alguns
departamentos, vigora o conceito de IT
Charge Back, em que a área que solicita o serviço de TI assume o custo para
novos projetos.
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